Capítulo 87 — Me diz o motivo
Adrian Foley
Fazia longos anos que eu simplesmente não conseguia me desligar por completo do mundo corporativo. Sei que o esperado era que esse afastamento acontecesse por conta do luto, afinal de contas, eu tinha acabado de sepultar o meu padrinho Theodore.
Mas, depois do enterro, a minha verdadeira motivação para querer continuar recluso em casa era outra completamente diferente: era a minha mulher, Victoria Clark. Ou melhor... Victoria Foley.
Decidi internamente que não vou mais esconder o nosso casamento do público por muito mais tempo. A transição definitiva da nova empresa se encerra nesta mesma semana e, logo após a grande festa corporativa de inauguração, anunciarei oficialmente a todos que sou um homem casado.
E confesso com total orgulho que sou um homem incrivelmente bem-casado.
Vic chamou o Augustus e o Will para almoçarem conosco aqui na cobertura hoje e eu definitivamente não me opus ao convite; nós nos demos muito bem em San Diego. Nos demos tão bem, que o convidei Augustus para trabalhar como advogado da holding.
E, claro, que o Henry e a Sara também vieram para a refeição. Pelo olhar cúmplice que minha mulher me deu minutos atrás, não foi apenas porque eles são nossos amigos próximos que ela os chamou, mas sim porque ela insiste em enxergar coisas onde simplesmente não existe nada.
Henry não namora com ninguém desde que a Maitê faleceu; desde o ocorrido, ele nunca mais olhou para mulher nenhuma do mesmo jeito. Não como olhava para a falecida noiva, não com intenção romântica. Por isso, considero uma péssima ideia a Victoria ficar insistindo nessa palhaçada de cupido com a Sara.
Estávamos os três no escritório tomando uma bebida forte e rindo abertamente, porque o Henry tinha acabado de fazer a pergunta mais absurdamente idiota para o Augustus:
— Qual é a graça do meu questionamento, afinal? É apenas uma curiosidade genuína minha, ué! Eu nunca tive a oportunidade de ter um amigo... Gay. — ele completou a fala e Augustus apenas sorriu de canto para ele com total paciência.
— Está tudo perfeitamente bem, Henry. É uma dúvida totalmente compreensível. E respondendo diretamente à sua pergunta: não é nem um pouco diferente de namorar uma mulher. Eu já tive relacionamentos sérios com mulheres no passado e te garanto com total certeza que o Willian é exatamente como elas. — Augustus explicou antes de dar um gole em seu uísque.
Henry o encarou de lado e soltou de imediato.
— Bem... 'Exatamente' já me parece uma palavra forte demais para se usar nessa situação.
Nós três caímos na gargalhada juntos novamente.
— No aspecto físico óbvio que não, né, Henry? — Augustus respondeu rindo, antes de prosseguir com a explicação. — Mas, num contexto geral de relacionamento diário, o Will é exatamente como a minha ex-namorada... Ou até pior! Ele adora receber atenção constante, exige que eu repare em cada uma das suas coisas novas, gosta de ser ouvido... Mas de verdade! Não apenas que eu escute as suas palavras de fundo, mas que eu prove ativamente que estou entendendo o que ele fala.
Dei mais um gole na minha bebida âmbar antes de comentar entre risos.
— Bom... Eu também gosto bastante de ser ouvido, e compreendido. E definitivamente não sou uma mulher, Augustus.
Nós três gargalhamos alto no cômodo.
— Esqueceu do ‘obedecido’, isso você também adora. — Henry completou e nós voltamos a gargalhar.
A conversa continuou, as perguntas curiosas e meio acanhadas do Henry continuaram a surgir e o Augustus respondia a cada uma delas com uma paciência invejável. A conversa entre nós flutuava de forma fácil, leve e extremamente divertida.
Tivemos a oportunidade perfeita para conhecer melhor o meu novo advogado corporativo e preciso dizer: gostei muito da postura e do caráter dele.
Perdidos entre piadas do Henry e confissões descontraídas, nós três sequer ouvimos as batidas firmes na porta de madeira, até que a Vera a escancarou de vez, a expressão pálida:

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