Capítulo 86 — O mundo apagou
Victoria Clark
O resto da semana passou em um piscar de olhos. Depois do funeral do senhor Theodore, conforme havia prometido, o Adrian ficou integralmente em casa comigo. Ele me acompanhou em todas as visitas à tia Marie, almoçou com o vovô Victor em uma tarde agradável e até recebeu a Natalie para jantar em uma das noites, sem a presença do Lucas, é claro.
O meu amigo virou um assunto estritamente proibido entre nós dois e, por enquanto, eu estou cedendo a essa vontade dele. Mas só por enquanto.
Hoje nós vamos receber aqui na cobertura, para um almoço descontraído, o Will e o Augustus. Eles chegaram ontem aos Estados Unidos e eu estou morrendo de saudades do meu amigo; aproveitei a ocasião e convidei a Sara e o Henry também para se juntarem a nós.
— Está se sentindo melhor, querida? — Adrian perguntou, aproximando-se por trás e envolvendo os braços ao redor da minha cintura enquanto eu terminava de pentear os meus cabelos em frente ao espelho.
— Sim, aquele remédio da Nat realmente faz milagres para a dor. — respondi.
Ele sorriu de canto, inclinando o rosto e depositando um beijo carinhoso no meu pescoço.
— Eu ainda acho seriamente que nós devíamos ter ido direto para o hospital para te examinar com calma.
Adrian insistiu no assunto, mas eu neguei prontamente com a cabeça.
— Sem chances, amor. Eu já fiquei assim uma vez. Na época, o médico me disse que era puramente causado pelo estresse, o que fazia todo o sentido do mundo: a minha tia estava mal no hospital e eu trabalhava em três empregos exaustivos ao mesmo tempo.
Ele me puxou ainda mais contra o seu corpo, colando as minhas costas no seu peito, e sussurrou bem perto do meu ouvido:
— E eu posso saber exatamente o que está te deixando estressada agora, senhora Foley?
Ele deu uma leve mordidinha no lóbulo da minha orelha e eu virei o rosto para conseguir encarar o azul das suas pupilas.
— Claro que você pode saber... É você.
Ele riu baixo, o peito vibrando, e arqueou uma das sobrancelhas para mim.
— Eu?
Assenti com a cabeça e lhe dei um beijo lento e gostoso nos lábios.
— Você, senhor Foley. Você é o meu estresse diário favorito.
Murmurei ainda com a boca colada à dele. Adrian intensificou o contato de imediato, as suas mãos firmes se fechando com possessividade na minha cintura, até que ouvimos duas batidas discretas na porta, seguidas pela voz solene da Vera:
— Senhor Foley, as visitas do almoço acabaram de chegar.
Adrian se separou da minha boca apenas o suficiente para responder.
— Já estamos indo para a sala, Vera. Obrigado.
Dei um beijo carinhoso no queixo dele, ajeitando-me no lugar.
— Pode ir na frente, amor. Eu só vou terminar de prender o meu cabelo.
Tentei me afastar do seu abraço, mas ele simplesmente não permitiu, me puxando de volta para o seu peito e tomando a minha boca em outro beijo. Só que desta vez não houve calma, pausa ou delicadeza; foi um beijo urgente, quente e voraz.
Quando finalmente nos separamos pela falta de ar, ele encarou os meus olhos.
— Não demora, por favor. Sou péssimo anfitrião.
Sorri de canto antes de responder:
— Não vou demorar.
Adrian saiu do quarto e eu voltei a minha atenção para o espelho. Amarrei os meus cabelos em um rabo de cavalo alto e bem firme e me encarei por alguns segundos na moldura.
— Perfeito. — pisquei divertida para o meu próprio reflexo.
Girei o corpo para sair do quarto quando, de repente, uma fisgada terrivelmente aguda bem no pé da minha barriga me atingiu em cheio, fazendo o meu corpo dobrar ligeiramente para a frente.
— Owww… — falei, gemendo de dor e parando no mesmo instante no piso. — É sério isso? Vai continuar doendo desse jeito insistente mesmo? Desce logo de uma vez! — resmunguei para o meu próprio organismo.
Olhei para o criado-mudo ao lado da cama, onde a cartela do remédio que a Nat me trouxe estava repousada. Fui até lá a passos lentos, peguei um comprimido na mão e enchi um copo com água da jarra.
— Se não fizer bem... Mal também não vai fazer. — falei para mim mesma antes de jogar o comprimido na boca e beber a água logo em seguida para engolir.
Depois disso, caminhei até a sala de estar para ir ao encontro dos meus amigos. Assim que cruzei o portal da sala, a voz alta e extravagante do Will me atingiu, aquecendo o meu peito de imediato.
— Will!! — gritei de alegria e corri na direção dele.
Meu amigo me amparou nos seus braços com força, erguendo o meu corpo ligeiramente do chão no abraço.
— Minha linda! Que saudade absurda que eu estava de você! — ele falou, ainda mantendo os braços ao meu redor.

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