Capítulo 91 — Escudos e Promessas
Sara Olsen
A Vic e o Will me provocaram tanto em relação ao Henry que eu mal conseguia olhar nos olhos dele direito dentro do carro. Mas a verdade é que eu adorei a nossa conversa no trajeto.
Acabei falando demais, me expondo e perguntando coisas totalmente desnecessárias sobre o passado dele, mas, num contexto geral, aqueles minutos ao lado dele foram simplesmente perfeitos.
Paramos o carro em frente ao antigo prédio da Vic, onde eu estou ficando hospedada temporariamente, e ele fez questão de acompanhar os meus passos até a entrada.
Ele ainda disse em um tom de voz leve e provocante que estava totalmente disposto a me levar para jantar qualquer dia desses; eu ri da pose de cavalheiro dele, mas quando o vi me encarando fixamente, algo muito forte e quente se acendeu no meu peito.
No entanto, logo em seguida veio o balde de água fria. Não da parte do Henry, a nossa interação estava sendo deliciosa, respeitosa e divertida, mas da parte do meu irmão, o Samuel.
Ele tinha simplesmente surgido do nada na calçada apenas para me atormentar e me fazer passar uma vergonha monumental na frente do assistente do Adrian. E mesmo eu pedindo quase em súplica para que o Henry fosse embora e me deixasse resolver a situação, ele se recusou.
Ele não só ficou ao meu lado como enfrentou o meu irmão de frente e ainda disse o maior absurdo da vida dele, algo de que ele provavelmente vai se arrepender amargamente de ter pronunciado.
— Eu sou o namorado dela... E se eu ver você encostando um único dedo nela de novo nesta vida... Você vai descobrir o quão terrivelmente maluco eu posso ser.
Eu fiquei totalmente parada no meio da calçada, sem qualquer reação verbal. O local onde o meu irmão tinha apertado a minha pele ainda estava doendo bastante, mas esse era definitivamente o menor dos meus problemas no momento.
— Namorado? — Samuel perguntou, a voz carregada de uma extrema confusão.
Henry, sem demonstrar a menor hesitação, passou o seu braço forte pela minha cintura e me puxou para perto do seu corpo, como se fazer aquele gesto fosse a coisa mais natural e habitual do mundo para nós dois.
Olhei para o perfil dele de lado, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo ali. Henry me deu uma piscadinha de canto inteiramente cúmplice.
— Conta para ele toda a verdade, querida...
Senti o meu coração bater com tanta força contra a caixa torácica que, por um breve segundo, cheguei a pensar que ele fosse saltar diretamente pela minha boca. Henry abaixou a cabeça devagar e aproximou os seus lábios do meu ouvido, sussurrando em um tom que apenas eu pudesse escutar.
— Só segue o meu fluxo, Sarinha...
Voltei do transe na hora, recuperei a firmeza na voz e encarei o meu irmão de frente.
— Sim... Este é o... Este é o Henry Reeves. Ele é o meu namorado. O Henry é o melhor amigo do marido da Vic, e nós também estamos trabalhando juntos no meu novo emprego.
O meu irmão soltou uma risada debochada e bateu duas palmas cínicas no ar.
— É isso aí, maninha! — ele olhou para o carro importado do Henry estacionado atrás de nós. — Finalmente arrumou um playboy de grana para chamar de seu. Estou impressionado com a sua esperteza!
Senti o meu rosto queimar de tanta vergonha daquela acusação nojenta.
— Cala a porra da sua boca, Samuel! — esbravejei.
Meu irmão deu de ombros de forma desdenhosa, como se não tivesse acabado de pronunciar uma atrocidade.
— Bom, eu estou feliz pra caralho por saber que você arrumou um cara cheio da grana. Pelo menos assim você para de reclamar quando eu te pedir uma ajuda financeira... E a verdade é que eu estou precisando de dinheiro urgente agora mesmo! — Ele estendeu a mão aberta na minha direção, exigindo. — Passa para cá.
— Samuel, eu te dei no início desta semana absolutamente tudo o que eu tinha guardado no banco! — rebati, a voz falhando.
Ele tentou dar um passo agressivo e avançar na minha direção para me intimidar; por puro instinto de defesa de anos, dei um passo para trás na calçada. Henry, no entanto, não recuou um único milímetro.
Pelo contrário: ele avançou o seu corpo largo e se colocou estrategicamente como um escudo humano entre mim e o meu irmão.
— Por acaso você tem algum problema sério de audição, rapaz? — Henry perguntou ao Samuel em um tom de voz baixo, extremamente controlado e frio, que me causou arrepios por toda a espinha. — Eu acabei de te dizer com todas as letras que, se você encostasse um único dedo nela de novo, eu iria te mostrar exatamente o tipo de loucura de que sou capaz de fazer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo