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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 90

Capítulo 90 — O cavalheiro do Texas

Henry Reeves

O almoço de hoje na cobertura do Ade foi incrivelmente divertido. Na verdade, tudo o que envolvia a rotina e os bastidores do Adrian Foley acabava sendo engraçado de um jeito quase caótico.

Eu costumo dizer para mim mesmo que conviver com o Adrian é exatamente o mesmo que trabalhar diariamente em um grande picadeiro de circo: nós temos toda a emoção perigosa e a tensão do domador de leões e dos motoqueiros no globo da morte, mas também temos os risos diários garantidos pelo palhaço. O meu amigo é uma figura completamente única.

Conhecer o Will e o Augustus também foi excelente; eu nunca tinha tido amigos gays no meu convívio próximo. É assim mesmo que se fala? Não... Amigos homossexuais, acho que esse é o termo mais adequado e polido de se usar. Enfim, eu nunca tinha tido essa convivência e estou adorando.

Mas a verdade é que o ápice da minha tarde estava bem ali, sentada no banco do carona do meu carro: uma mulher de cabelos longos de um tom castanho-escuro lindo, e olhos expressivos que brilhavam em uma mistura constante entre o deboche e o desafio.

— Então, você está gostando de trabalhar na empresa? — perguntei, quebrando o silêncio confortável que tinha se instalado entre nós dois desde que entramos no veículo.

— Estou sim, o trabalho é bem tranquilo no dia a dia. Infinitamente melhor do que ter que ficar lidando com aqueles velhos nojentos e riquinhos babacas no bar. — ela respondeu de prontidão, sem virar o rosto na minha direção, voltando a observar a paisagem de São Francisco através do vidro da janela.

— E você e a Vic... Vocês duas são amigas há muito tempo? — perguntei.

Dessa vez, ela girou o corpo no banco do carona para me encarar de frente.

— Desde que a Vic e a tia Marie se mudaram para cá. A Vic… — ela fez uma breve pausa reflexiva, desviando o olhar por um segundo. — … me ajudou em uma situação, ela meio que me salvou no dia que nos conhecemos. Nós nos tornamos amigas inseparáveis daquele dia em diante.

Notando o clima pesado e melancólico que se instalou no carro logo após a resposta dela, decidi cautelosamente não perguntar os detalhes desse suposto "salvamento".

— E você tem família por aqui, Sara? Pai, mãe, irmãos?

Ela virou o rosto para me encarar e me deu um sorriso de canto. E, cara... Ela ficava absurdamente linda sorrindo.

— Você por acaso está me entrevistando profissionalmente ou algo do tipo, Henry? — ela brincou.

Sorri para sua pergunta, mas mantive os olhos na estrada.

— Se você quiser chamar assim, por mim tudo bem. Mas eu pessoalmente chamaria de 'só quero muito te conhecer melhor'. Para mim, soa infinitamente mais pessoal do que uma simples entrevista de emprego.

Dei uma piscadinha charmosa para ela. Sara revirou os olhos castanhos em uma reação dramática, mas não conseguiu conter um sorriso fofo que surgiu nos seus lábios.

— A minha mãe morreu quando eu ainda era muito pequena, o meu pai simplesmente me abandonou na adolescência, e eu tenho um irmão mais novo que só lembra que eu existo quando está precisando desesperadamente de dinheiro.

Sara tentou ditar aquelas palavras duras em um tom de voz leve, como se fosse algo comum de se dizer para um estranho, mas eu fui perfeitamente capaz de notar a dor latente em cada uma das suas sílabas.

— Esse seu irmão mora aqui em São Francisco também? — a pergunta saiu da minha boca sem que eu pudesse filtrar no cérebro.

Ela desviou o olhar de volta para a janela do carona e a vi soltar o ar devagar. Foi um gesto sutil, quase imperceptível, mas eu vi.

— Sim, ele mora aqui na cidade. Mas, se você não se importar, Henry, eu não estou nem um pouco a fim de falar sobre ele agora.

— Concordo totalmente, assunto encerrado. — respondi com firmeza.

Voltamos a ficar em um silêncio calmo por alguns minutos na estrada, até que ouvi o som do corpo dela se virando no banco na minha direção. Mantive os meus olhos fixos no trânsito à frente.

— E você, Henry? Tem família? — ela perguntou.

Sorri de lado, sentindo o peito aquecer.

— Sim! Pai, mãe, avós dos dois lados, tios e uma cambada de primos tagarelas. Mas todos eles moram lá no Texas.

Vi os olhos castanhos dela brilharem de forma genuína.

— Família grande... Esse é praticamente o sonho de consumo de qualquer garota que cresceu completamente sozinha no mundo.

As palavras dela foram extremamente sinceras e doídas. Acho que ela acabou deixando a frase escapar sem nem pensar no impacto. Virei o meu rosto na direção dela e a vi ficar inteiramente vermelha no mesmo instante pela confissão.

Parei o carro no sinal vermelho do cruzamento, olhei para ela e, sem pensar muito nos limites, levei a minha mão grande até a lateral do seu rosto macio, obrigando-a a me encarar nos olhos.

— Se você não se importar, Sara... Eu posso te emprestar a minha família. Eu te garanto que eles vão te adorar de imediato.

Os olhos dela brilharam com lágrimas contidas. Acho que ela definitivamente não esperava receber esse tipo de resposta acolhedora de mim. O sinal abriu no trânsito e eu voltei a dirigir com calma pelas ruas.

Sara ficou visivelmente inquieta no banco do carona por alguns quarteirões, ajeitando a roupa, até que soltou a pergunta que devia estar corroendo a mente dela por dentro.

— E namorada, Henry? Você tem uma? Ou... Já teve uma história séria no passado?

Apertei o couro do volante com força ao ouvir aquela pergunta, o meu corpo tensionando. Ela notou a minha reação rígida no mesmo segundo.

— Você não precisa me responder se não quiser, Henry... Desculpa ter perguntado. — ela falou, visivelmente sem graça e encolhendo os ombros.

Neguei com a cabeça de imediato, querendo tranquilizá-la.

— Está tudo bem, Sara. É só que... Eu falo muito pouco sobre esse assunto com as pessoas. — Fiz uma breve pausa para respirar fundo antes de continuar. — Eu não tenho namorada e nem estou saindo com ninguém atualmente. Mas eu já tive uma pessoa na minha vida. Na verdade, ela era a minha noiva. Mas… — senti o meu peito apertar com a lembrança dolorosa do passado. — ...ela infelizmente não está mais aqui entre nós.

Aquelas poucas e pesadas palavras foram mais do que suficientes para que a Sara ficasse completamente em silêncio pelo resto todo do caminho. Quando finalmente estacionei o carro na calçada em frente ao antigo prédio da Vic, desliguei o motor.

— Chegamos, Sarinha.

Usei o apelido carinhoso de mais cedo puramente para quebrar o clima tenso que havia ficado suspenso no ar do carro.

— Muito obrigada pela carona, Henry. E me desculpa por ter te incomodado com aquelas perguntas indesejadas… — ela disse, soltando o cinto de segurança.

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