Capítulo 93 — Acidentes e Armadilhas
Adrian Foley
Me afastar completamente da rotina exaustiva da empresa por alguns dias foi, sem a menor sombra de dúvidas, a melhor e a pior coisa que eu podia ter feito no momento.
A melhor porque eu pude finalmente curtir o meu tempo com a Vic; e a pior porque a filial de se encontrava um verdadeiro e absoluto caos.
— Quem foi que autorizou esse absurdo orçamentário, Henry? — perguntei, analisando com total frieza a pilha de documentos que estava espalhada na mesa à minha frente.
— Isso tudo fazia parte dos acordos da antiga administração, Ade. Foram eles mesmos quem autorizaram antes da nossa equipe assumir o controle. — ele respondeu.
Bufei pesadamente, totalmente irritado.
— Cancela tudo isso agora mesmo. Nós vamos rever cada um desses contratos, auditar os números e colocar gente da nossa confiança e da matriz nisso.
Henry assentiu com um aceno firme de cabeça.
— Vou organizar tudo com a Vic hoje mesmo.
Olhei rapidamente para o relógio de pulso prateado no meu braço.
— E por falar nela, ela ainda não subiu? — perguntei, já sentindo a falta incômoda da presença da minha mulher na sala.
— Não, ela ainda deve estar lá na copa conversando com a Sara.
Notei de relance algo diferente brilhar no fundo dos olhos do meu amigo quando ele pronunciou o nome da copeira. Soltei a caneta de metal com um clique seco sobre a mesa e o encarei de frente, franzindo o cenho.
— Algum problema, Henry?
Ele negou com a cabeça de imediato.
— Problema definitivamente não seria a palavra exata para descrever, Ade. Ontem, para espantar o idiota do irmão da Sara, eu acabei dizendo que era o namorado dela... E depois, eu a convidei para sair.
Um sorriso genuíno e debochado brincou nos meus lábios no mesmo instante.
— Até que enfim, hein! Eu cheguei a pensar sinceramente que ia viver para ver você fazer voto oficial de castidade. — Falei em um tom carregado de ironia bem-humorada.
Henry fechou a cara para o meu deboche na hora.
— Cala a boca, Adrian! — ele disse, irritado, e eu levantei as duas mãos no ar em um claro sinal de rendição e diversão.
Fomos interrompidos por duas batidas firmes na porta da sala e, logo em seguida, a Mallory entrou.
— Senhor Foley, com licença, gostaria de confirmar algumas pautas com o senhor. — ela pediu.
Acenei com a cabeça de forma seca para que ela entrasse de vez. Henry olhou rapidamente para mim e recolheu algumas pastas da beirada da mesa.
— Vou terminar de arrumar as coisas na sala para a reunião da diretoria, eu vejo sobre esses contratos depois e te passo. — ele avisou, e se retirou, fechando a porta atrás de si.
Mallory caminhou em silêncio e parou exatamente ao meu lado, bem próxima da minha cadeira.
— Senhor, preciso que o senhor me confirme com urgência alguns nomes importantes para a festa de apresentação no sábado à noite. O Henry me passou alguns dos nomes na semana passada, mas outros ele disse que precisava exclusivamente da sua aprovação final. — ela disse, colocando a folha bem na minha frente.
— Ok, eu farei isso com certeza, mas não será agora. — respondi, e mantive a minha atenção total aos papéis contratuais que estavam em minhas mãos. — Depois que eu terminar a reunião com a diretoria hoje, eu dou uma olhada criteriosa nessa sua lista.
Falei esperando que ela se retirasse, no entanto, a mulher permaneceu estática e parada ao meu lado, sem se mover um único milímetro. Levantei os meus olhos frios para encará-la.
— O que foi, senhorita White?

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