Capítulo 94 — A Linha no Chão
Victoria Clark
A fúria irradiava por cada centímetro do meu corpo, queimando o meu sangue. Fiquei parada junto à porta, encarando a cena com o queixo erguido e aguardando a resposta dele.
— Anda, Adrian, me diz logo que merda é essa que está acontecendo aqui?!
Ele afastou a sua cadeira de couro com tudo em um baque e se levantou num pulo, enquanto a Mallory, a secretária "perfeita" que ele tinha contratado só para me provocar, se mantinha pacificamente de joelhos.
— Eu realmente não sei o que você está imaginando na sua cabeça, Victoria, mas te garanto com total certeza de que não é nada disso. — meu marido disse, o tom de voz nitidamente irritado.
— A minha imaginação costuma ser absurdamente fértil, senhor Foley. — falei em um tom de voz gélido e cortante. Olhei para a loira que continuava ajoelhada no piso. — E você, senhorita White? Não quer se dar ao trabalho de me explicar o porque estava de joelhos no meio das pernas dele?
Ela ergueu o rosto, olhou diretamente nos meus olhos e o que vi no fundo das suas pupilas não foi vergonha, pânico, surpresa ou qualquer vestígio de constrangimento pela forma bizarra como eu os flagrei. Era algo completamente diferente: uma irritação velada, acompanhada por um desafio descarado.
Ela se levantou correndo do chão, ajeitou a roupa, olhou para o Adrian e depois voltou a me encarar de frente.
— Sinto muitíssimo, senhorita Clark, mas eu definitivamente não devo nenhum tipo de satisfação da minha vida pessoal ou profissional a você. O que estava acontecendo aqui dentro entre mim e o senhor Foley diz respeito exclusivamente a nós dois.
Eu olhei para ela sem conseguir acreditar em uma única palavra do que tinha acabado de ouvir. Eu não sei exatamente o que foi que o Adrian enxergou no fundo dos meus olhos naquele milésimo de segundo, mas assim que eu disse.
— Como é que é, sua cadela?! — e avancei com tudo na direção daquela vaca, ele correu a passos largos e travou a minha passagem.
— Vic!! — ele parou bem na minha frente, me prendendo com firmeza pela cintura.
— Eu vou te mostrar agora mesmo, sua cretina de merda, o quanto essa situação me diz respeito! Eu vou arrancar cada um dos seus dedos e cada fio desses seus cabelos! — esbravejei.
Adrian me segurava com toda a força do seu corpo largo, enquanto eu tentava a todo custo me desvencilhar do seu aperto para avançar.
— Me solta agora, Adrian! Me solta que eu vou mostrar para essa vaca o que acontece com qualquer uma que ousar mexer no que é meu!
Mallory me olhou com uma expressão de pura confusão e deboche.
— Seu? — ela perguntou com desdém.
Soltei uma risada debochada, quase inumana, erguendo a minha mão esquerda no ar e apontando para o anel brilhante no meu dedo.
— MEU, sua cretina! ELE É MEU!! — gritei a plenos pulmões na sala.
— Amor, por favor, para com isso agora! Está todo mundo ouvindo os seus gritos no corredor! — Adrian pediu em um tom de voz baixo, colado ao meu ouvido.
— FODA-SE, ADRIAN!! FODA-SE TODO MUNDO!! — gritei e o empurrei pelo peito com força.
A porta foi empurrada e o Henry entrou afobado, a expressão assustada.
— O que está acontecendo aqui?! Dá para ouvir os gritos de vocês do final do corredor!
Olhei para o assistente no mesmo segundo.
— Tira aquela mulher da minha frente agora mesmo, Henry!
Ele me olhou totalmente confuso, e depois desviou os olhos para o Adrian buscando orientação.
— Acompanha a senhorita White para fora da minha sala agora, Henry. — meu marido ordenou em um tom de voz rigidamente controlado, embora eu visse a veia saltada no seu pescoço mostrando o quanto ele estava irritado.
— Vamos, Mallory. — Henry disse para ela, apontando para a saída.
A mulher, no entanto, se manteve exatamente no mesmo lugar, sem dar um único passo.
— Você ficou surda, minha filha?! Ou quer que eu vá até aí e fale diretamente no pé do seu ouvido?! — perguntei, dando um passo ameaçador.
Ela fechou as duas mãos em punhos rígidos ao lado do corpo.
— Eu realmente não sabia que você e o senhor Foley eram namorados… — ela pontuou, a voz falhando de raiva.
Eu ri da cara de pau dela.
— Namorados? Não, minha querida, nós definitivamente não somos namorados! Nós somos...
Adrian envolveu os seus braços ao meu redor novamente, prendendo o meu corpo.
— Já chega, Victoria! Agora não! — seu tom veio em uma ordem direta e autoritária.
Olhei para ele por cima do ombro e, se eu pudesse, juro por Deus que o teria estrangulado ali mesmo só com a força do meu olhar. Ele olhou por cima do meu ombro, encarando a secretária com severidade.
— Saia da minha sala agora mesmo, senhorita White. O Henry vai explicar toda a situação para a senhorita lá fora. E, depois disso, eu peço a sua absoluta e total discrição sobre tudo o que ouviu e aconteceu aqui. — em seguida, ele olhou para o Henry. — Avisa o pessoal de que a reunião de diretoria vai atrasar alguns minutos, tive um sério contratempo.
Ele se afastou do meu corpo e apontou para a própria calça, que só naquele milésimo de segundo eu notei que estava completamente manchada por um líquido escuro.
— Aproveita e traz uma calça limpa pra mim, Henry. E solta uma nota oficial discreta pela empresa... Tenta abafar esse barraco aqui.
Ele apontou alternadamente entre mim e a Mallory, e a minha vontade de estrangulá-lo deixou de ser puramente figurada para se tornar totalmente literal.

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