Capítulo 95 — Decisões e Consequências
Adrian Foley
Eu sei que, aos olhos de qualquer pessoa que visse a cena, a posição era terrivelmente comprometedora. No fundo, eu sabia disso e entendia perfeitamente a fúria da minha mulher.
Mas eu não podia, sob hipótese alguma, deixar aquela situação escalar a níveis corporativos que eu não conseguiria controlar depois. Tentei ser prático, me esquecendo completamente de que praticidade com a Victoria nem sempre funcionava.
— Você está me ameaçando, Victoria?
Ela sorriu de lado, o olhar firme.
— Ameaçando? De jeito nenhum, Adrian. Estou... — ela fez uma breve pausa — …negociando.
Olhei para ela, irritado.
— Barganhando, você quer dizer. Eu te dou o que você quer e te mantenho ao meu lado. Não dou, e você está fora. — Falei, sentindo a minha fúria crescer.
Ela deu de ombros.
— Tudo bem, a sua definição foi bem melhor do que a minha. Então sejamos claros: é exatamente isso. Quer que eu trabalhe para você, a ‘secrevaca’ está fora. Não quer, sem problemas. Antes de existir a holding Foley, empregos já existiam, ou seja, eu arrumo outro.
Fiquei parado a encarando, digerindo cada uma de suas palavras. Ouvimos batidas na porta. Eu ainda tinha a mão na maçaneta; a girei e, assim que a abri, Henry estava ali.
— Estão prontos? — meu assistente perguntou.
Assenti para ele e encarei ela.
— Conversamos sobre isso depois da reunião, Victoria.
Mais uma vez ela negou com a cabeça.
— Já te disse antes e vou repetir: não tem depois. É agora! — ela exigiu.
Soltei o ar em derrota.
— Tudo bem, ela está fora. Satisfeita?
Ela sorriu para mim, fechou a distância entre nós e me deu um selinho rápido, aproveitando que a folha da porta nos escondia.
— Muito.
Ela respondeu e saímos junto do Henry em direção à sala de reuniões. Passamos pela mesa da Mallory. Victoria deu um sorriso e uma piscadinha para a mulher, que me olhou confusa. Abaixei meus lábios próximos do ouvido da Vic.
— Não provoca, Victoria.
Ela olhou por cima do ombro e me lançou um olhar que dizia "não me provoca você", e continuamos andando.
A reunião foi exatamente como pensei: irritante e demorada. Comprei essa empresa achando que havia feito um excelente negócio e, na verdade, só tinha conseguido mais dores de cabeça do que as que já tinha. O lugar era uma bagunça financeira, os contratos todos fora de rumo e sem sentido.
— Sobre a festa, senhor Foley... — Anthony começou. — Soubemos que, além do anúncio de que a holding Foley é quem administra a empresa agora, teremos outro grande anúncio.
Ele concluiu e eu assenti, olhando de lado para Victoria, que, depois de ter conseguido o que queria, esbanjava sorrisos a todos.
— Sim, é algo pessoal, mas que afeta diretamente a holding. Então usarei o palanque para ambos os anúncios.
Ele assentiu com um aceno. Depois de algumas horas, Sara entrou com o carrinho da copa, servindo água e café. Decidi aproveitar a deixa e fazer uma pausa.
Victoria começou a ajudar a amiga a servir a todos. Desfilava pela sala distribuindo não só café, como piadinhas e sorrisos, ganhando rapidamente a simpatia dos gerentes e diretores.
Dei um gole no meu café e fiquei encarando a minha mulher.
— Vocês dois nem disfarçam mais. — A voz do Henry chamou minha atenção. — Se tivesse ouvido a mim e ao seu avô e tivesse assumido ela desde o começo, todos esses transtornos, mal-entendidos e ciúmes descontrolados de ambos não teriam acontecido.
Terminei meu café e depositei a xícara sobre o pires na mesa.
— Se está esperando eu falar "você tinha razão", vai cansar de esperar.
Ele negou com a cabeça e me deu um sorriso.
— Não espero por nada, meu amigo. Só torço para que resolva. E, afinal, sobre hoje o que realmente aconteceu?

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