Capítulo 98 — A Sombra do Homem de Ferro
Victoria Clark
Não tinha como fugir. Eu precisava contar para ele o que escondia atrás de mim, precisava falar que era um teste de gravidez positivo e que ele seria pai. Olhei para o Will, que logo entendeu o recado implícito.
— Vou deixar vocês dois a sós por alguns minutos, minha linda. Te espero na sala.
Meu amigo avisou e eu assenti com um aceno de cabeça. Assim que a porta se fechou, encarei o meu marido e, agora, pai do meu filho.
— Estou esperando, Victoria. — Adrian avisou, cruzando os braços com imponência.
— É só uma coisa... — falei, mordendo os lábios com nervosismo.
— Que é uma coisa eu sei, Victoria, mas quero saber exatamente que coisa é. — Ele rebateu, a irritação evidente em sua voz.
Busquei na minha mente as melhores formas de falar, o melhor jeito de dar a notícia. Será que era melhor eu abraçá-lo? Talvez dar uns amassos para amansá-lo? Um turbilhão de ideias foi surgindo na minha cabeça, até que a forma mais básica e prática foi a escolhida.
Respirei fundo, olhei bem nos olhos azuis mais lindos do mundo, e espero de verdade que meu bebê puxe essa cor e então disse:
— Amor... Eu estou...
O telefone dele começou a tocar alto no bolso, quebrando nosso momento. Ele fez um sinal rápido com a mão para que eu esperasse e atendeu. Eu não sei o que ele ouviu do outro lado da linha, mas se comigo ele estava irritado, com a pessoa ele parecia furioso.
— Merda! Me mande imediatamente tudo isso. Vou verificar com um dos nossos advogados agora mesmo.
Ele encerrou a ligação, fechou a distância entre nós e me deu um selinho rápido.
— Isso vai ter que esperar, Vic. Surgiu um problema gigantesco na holding que preciso resolver para ontem. Depois eu quero ouvir exatamente tudo o que você tinha para me dizer.
Ele me deu um beijo carinhoso na testa e, sem falar mais nada, saiu apressado do quarto, me deixando com o teste na mão e o restante da minha frase presa na garganta.
— Grávida... — murmurei para a porta que ele havia acabado de fechar. — Eu estou grávida, Adrian Foley.
Me sentei na cama e fiquei encarando a caneta com as duas linhas rosas por longos minutos, até que ouvi batidas na porta. Quando ela se abriu, era o Will. Ele veio até mim com o semblante preocupado.
— Ei, que cara é essa? Ele não curtiu a notícia? — Soltei uma risada fraca e sem humor.
— Ele nem mesmo ouviu. — Will me olhou, confuso.
— Como assim, Victoria?
Sentei mais para o meio do colchão, puxei as pernas para o meu peito e deitei a cabeça no joelho.
— Eu estava contando para ele, mas o telefone tocou e o problema na empresa era maior do que o que eu tinha para falar. — falei, sentindo uma leve decepção por ele nem mesmo ter parado para terminar de me ouvir. — Mas ele garantiu que conversaríamos depois, então vou só esperar.
Will passou os braços pelo meu ombro, me puxou para o seu peito e deu um beijo no topo da minha cabeça.
— Logo essa reunião maluca deles acaba e vocês dois conversam. E amanhã, quando acabar o expediente, nós vamos pegar a Sarinha e ir ao shopping comprar o primeiro presentinho para o bebê. — ele colocou a mão na minha barriga com ternura. — Quero que ele saiba que o primeiro presente dele foi o tio Will que deu.
Nós dois rimos e eu agradeci a Deus por ter colocado o Willian no meu caminho naquele resort. Porque, além da Sara e do Lucas, eu sabia que agora também tinha ele na minha vida.
Um tempo se passou e Vera veio nos avisar de que o jantar estava sendo servido. Will e eu seguimos até a mesa de jantar, mas a cabeceira estava vazia. Olhei para a governanta.
— Vera, cadê o Ade?
Ela me deu o sorriso acolhedor de sempre.
— Ainda está com o senhor Augustus no escritório, senhora Foley. O Henry e o Denner também estão por lá.
Olhei, confusa e perguntei.

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