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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 9

“Véspera do casamento. Liz Montesi”

O cerimonialista continua falando, mas suas palavras se perdem em algum lugar entre nós e minha mente exausta.

Os últimos três dias se resumiram em fingir entusiasmo enquanto escolhia flores, vestidos, cardápio… e, sinceramente, isso me esgotou mais do que eu esperava.

Ao meu lado, Ettore interpreta o papel do noivo atencioso, fingindo empolgação por faltarem apenas algumas horas para a cerimônia.

Ele demonstra real interesse enquanto o homem gesticula animadamente sobre as posições de cada arranjo de flores.

— Então, está tudo acertado para amanhã — ele conclui, fechando a pasta. — A cerimônia às 16h, seguida da recepção. A previsão do tempo está excelente.

— Isso é ótimo — Ettore responde com um sorriso educado, tão perfeito que quase consigo acreditar que é genuíno.

— A senhorita tem alguma dúvida de última hora? — o cerimonialista me pergunta.

Dúvidas? Tenho milhões delas. A principal é onde posso encontrar uma sósia para fazer tudo isso por mim.

— Não — respondo com um sorriso ensaiado, o mais convincente que consigo. — Está tudo perfeito, obrigada.

Quando o cerimonialista se despede, nos deixando a sós na sala de Ettore, solto um suspiro baixo, sentindo o pânico surgir.

— Você realmente acha que vou conseguir convencê-los de que isso é real? — pergunto, sem esconder a insegurança.

— Você continua sendo uma ótima atriz — ele responde, esboçando um sorriso frio enquanto pega o celular. — Vai se sair bem.

Mordo a língua e desvio o olhar. Ele não precisa saber que suas palavras ainda doem.

— Quanto à nossa realidade — ele continua, sem nem me olhar, os olhos fixos na tela — não preciso lembrá-la de que ninguém pode saber, certo?

— Sobre isso… Giulia sabe — admito, atraindo seu olhar imediatamente. — Sei que não eu não podia contar, mas ela é minha melhor amiga, Ettore. Ela percebeu que havia algo errado nesse… relacionamento.

Ettore revira os olhos, balançando a cabeça em uma negativa.

— Então ela terá que assinar um contrato de confidencialidade também.

Abro a boca para protestar, mas desisto. É uma batalha perdida antes mesmo de começar.

— Tenho uma reunião em dez minutos — ele informa, guardando o celular no bolso. — Vou pedir para o motorista levá-la.

— Não precisa — respondo rapidamente, me levantando. — Vou passar no hospital antes de voltar para a empresa.

Ele não diz mais nada, apenas acena com a cabeça, sem fazer questão de me acompanhar até a porta e prolongar o teatro entre nós. Melhor assim.

Sigo pelo corredor, ensaiando mentalmente o que direi para minha mãe. Mesmo em coma, sinto que ela me ouve. De algum jeito, ouve.

Como explicar que estou me casando com o homem que um dia amei mais do que a mim mesma, mas que hoje mal suporta minha presença?

Algum tempo depois, finalmente desço do táxi em frente ao hospital. Faço o caminho que já se tornou tão familiar que poderia percorrê-lo de olhos fechados.

Quando abro a porta, tudo parece igual. Mas há pequenas diferenças desde a última vez. Equipamentos novos, mais modernos.

Pouco depois, quando a enfermeira sai, volto minha atenção para minha mãe, observando seu rosto sereno, alheio a tudo que está acontecendo.

Aperto sua mão um pouco mais forte, buscando algum conforto em seu calor.

— Ettore me odeia agora — murmuro, num sussurro. — E ele tem todo o direito. O que aconteceu… o que fiz… mesmo sendo necessário, não foi justo com ele.

O monitor continua, sem mudar, indiferente à minha confissão. Enxugo outra lágrima teimosa antes de continuar.

— Queria que você me dissesse o que fazer — confesso, acariciando sua mão. — Queria que pudesse me dizer se estou fazendo a coisa certa. Se vale a pena…

Minha voz falha. Vale a pena o quê, exatamente? Sacrificar um ano da minha vida? Enfrentar a dor de estar perto do homem que ainda amo, e que agora me odeia?

Meu celular toca, interrompendo o momento.

Ettore.

Não preciso atender. Seu nome é suficiente para me trazer de volta à realidade cruel.

Amanhã, às 16h, deixarei de ser Liz Montesi. o teatro começará oficialmente.

Olho mais uma vez para o rosto sereno da minha mãe, ignorando a ligação. Preciso de mais alguns segundos de paz antes de voltar à realidade.

— Da próxima vez que eu vier, serei a Sra. Bianchi — murmuro, beijando sua testa. — Mas lembre-se: novamente, tudo o que estou fazendo é por amor. Mas desta vez, prometo não machucar ninguém.

Talvez, só eu mesma.

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