~ MAREU ~
Eu fiquei parada na porta por tempo demais, com o coração acelerado e a mão ainda na maçaneta, como se eu estivesse segurando o corredor inteiro no lugar.
Faltou um segundo. Um segundo mesmo. Um microsegundo de testosterona mal administrada e Logan e Rômulo teriam caído no soco bem ali, entre o tapete do hall e a parede bege que claramente não pediu pra ser cenário de novela.
E, sinceramente, aquele corredor já tinha visto muita briga desde que eu tinha voltado pra casa da Clara. Eu e a Paula nos engalfinhando, arranhões, cabelo puxado, humilhação em salto alto… Eu estava começando a achar que o condomínio devia colocar um quadro de avisos: “Proibido conflitos emocionais no 12º andar”.
Se eu fosse pensar bem, aliás, eu apostava que o Logan e o Rômulo sabiam brigar muito melhor do que eu e Paula. Os dois com postura de quem já resolveu coisa pior do que puxão de cabelo. Ombros largos. Mandíbula travada. Aquele jeito de homem que faz estrago.
E… pensando melhor ainda… era um pouquinho sexy...
Os dois gatos suados, camisa rasgada, músculos aparecendo… Logan com aquele olhar de “eu mando”, Rômulo com aquele olhar de “tenta”… e eu no meio, sendo o motivo da guerra, como se eu tivesse pedido um drama medieval no aplicativo.
Tá. Não era “um pouquinho” sexy.
Era bem sexy.
E era por mim.
Eu me senti até…
— Ei. — A voz do Rômulo me puxou de volta antes que meu cérebro inventasse uma trilha sonora. A mão dele encostou de leve no meu rosto, um carinho rápido, e eu percebi que eu ainda estava com a expressão de quem tinha acabado de assistir uma briga e, ao invés de trauma, teve um surto hormonal. — Você tá bem?
Eu pisquei.
— Hum…? — Minha voz saiu um pouco lenta, porque eu estava, tecnicamente, saindo de um devaneio vergonhoso. — Bem? Sim. Sim, eu tô bem.
Eu olhei para o buquê na mão dele como se fosse a única coisa sólida no mundo.
— Quer entrar? — eu disparei, sem pensar. — Eu preciso de uma bebida. Você precisa de uma bebida?
Rômulo arqueou uma sobrancelha, divertido e atento ao mesmo tempo.
— Na verdade… a gente não estava saindo pra uma bebida?
— Ah. É. — Eu forcei uma risada. — É verdade.
A minha risada soou falsa até pra mim. Eu parecia um robô tentando imitar uma humana funcional.
Eu fechei a porta atrás de mim com um cuidado exagerado, como se bater a porta pudesse acordar o Logan no elevador e ele voltasse pra uma segunda rodada de “vamos destruir sua paz”.
Rômulo apontou com o buquê para dentro.
— Talvez… você queira guardar as flores e pegar sua bolsa.
Eu ri de novo. Outra risada de nervoso.
— Que cabeça a minha!
Eu voltei correndo, joguei o buquê num vaso qualquer que a Clara tinha na sala — desculpa, Clara, eu vou arrumar isso depois —, peguei minha bolsa e conferi o celular por reflexo, como se ele pudesse ter surgido com cinquenta mensagens do Logan, um mandado judicial e um áudio da Olívia ao mesmo tempo.
Nada.
O silêncio do meu celular era quase ofensivo.
Eu respirei fundo e saí.
No elevador, eu fiquei encarando os números descendo e pensando que eu parecia uma pessoa normal indo jantar. Só que eu era uma pessoa recém-demitida, recém-descoberta, recém-humilhada, recém… tudo. E ainda por cima eu estava tentando agir como se a minha vida não tivesse sido jogada no chão em forma de mala por uma mulher de salto alto.
Rômulo tentou puxar conversa no caminho até o restaurante. Comentou do trânsito, fez uma piada sobre o prédio, perguntou se eu queria um lugar mais reservado. Eu respondi. Eu juro que respondi.
Mas eu estava… longe.
Eu estava no corredor ainda. No elevador ainda. Na cara do Logan ainda.
O restaurante era bonito, confortável, uma dessas escolhas que parecem perfeitas — luz quente, mesa de madeira, gente falando baixo, a promessa de vinho e massa como se carboidrato fosse terapia.
Sentamos. Pedimos vinho. Pedimos uma entrada. Eu fingi que estava presente.
Eu até consegui fazer duas piadas no começo, por reflexo de sobrevivência social.
Mas depois… meu cérebro voltou a tropeçar na mesma pedra.
Rômulo me observou por alguns minutos com aquele olhar de quem não força, mas também não engole qualquer coisa. Ele esperou eu beber um gole de vinho, como se fosse dar tempo de eu pousar no próprio corpo.
— Tá — ele disse, direto, sem agressividade. — Quer me contar o que aconteceu com o Novak?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...