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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 140

~ LOGAN ~

A voz vinha do elevador.

Eu ainda estava parado diante da porta, tentando decidir se insistia mais uma vez ou se aceitava a derrota momentânea, quando ouvi o ding e o som de passos no corredor.

Mareu estava com a mão na maçaneta, pronta para me fechar do lado de fora da vida dela, e eu já tinha entendido que eu não tinha mais cinco minutos. Eu não tinha mais nada.

Então o corredor me entregou a resposta sem que eu pedisse.

Rômulo surgiu com um buquê nas mãos.

Flores grandes, vistosas, com aquele ar de vitrine. Um gesto que parece bonito para quem vê de longe e inconveniente demais para quem precisa viver dentro.

Por um segundo, eu só observei a cena como se eu fosse um estranho: Mareu arrumada, cabelo no lugar, roupa pensada; Rômulo chegando com flores como se estivesse entrando em um encontro; eu no meio daquele corredor, de terno, com a expressão de alguém que veio salvar um incêndio e encontrou uma festa.

Claro.

Claro que ela tinha outros planos.

Ela não estava arrumada para ficar no sofá da Clara assistindo dorama.

A indignação veio antes da lógica. Eu senti o maxilar endurecer, a irritação subir pelo peito.

— Você não precisa falar por ela — eu finalmente respondi, com a voz baixa, controlada, e isso sempre é um aviso. — Ela é perfeitamente capaz.

Rômulo concordou com a cabeça, como se eu tivesse dito algo sensato.

— Eu sei — ele falou. — E ela acabou de deixar bem claro que você deveria ir embora.

Eu senti a nuca esquentar e olhei para Mareu.

Ela estava tensa, os ombros ligeiramente levantados, como se o corpo inteiro estivesse tentando impedir um desastre. O olhar dela parecia pedir “não faz isso” sem usar palavras.

Eu não devia fazer isso.

Eu devia ir embora.

Mas eu ainda tinha veneno na boca e orgulho demais para engolir.

— É assim que você faz todas as suas conquistas? — eu perguntei, e a minha voz saiu com uma ironia afiada. — Se fazendo de bom moço defensor… até conseguir se divertir o suficiente?

Eu vi o rosto de Rômulo endurecer. O sorriso dele desapareceu como se fosse apagado com um pano.

— A minha vida pessoal não diz respeito a você — ele respondeu.

— Pode ser — eu devolvi, sem tirar os olhos dele. — Eu espero para ler na próxima coluna de fofocas.

As palavras saíram mais cruéis do que eu planejei, e eu não me arrependi. Eu queria ferir.

Rômulo respirou fundo. Eu vi o controle dele vacilar por um segundo. E eu gostei disso.

Eu voltei o olhar para Mareu antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.

— Eu te disse pra tomar cuidado com ele.

Mareu abriu a boca, mas Rômulo falou antes, numa velocidade que parecia proteção... ou posse.

— Não sou eu quem está incomodando ela.

— Ah, você está — eu respondi. — Você definitivamente está. Ela só não se deu conta disso ainda.

Eu vi Mareu fechar os olhos por um segundo, como se estivesse pedindo a Deus que o corredor engolisse todos nós.

Rômulo deu um passo à frente.

Eu não tinha vindo ali para brigar com Rômulo.

Eu tinha vindo para falar com Mareu.

E eu tinha falhado de novo.

— Eu já estava mesmo indo embora — eu disse, e deixei a frase sair como se eu tivesse escolhido isso desde o início, como se não tivesse sido expulso.

Mareu não respondeu. Ela só ficou parada, como se qualquer resposta fosse um convite para eu continuar.

Eu virei sem olhar mais uma vez para Rômulo, eu não confiava no que eu diria se olhasse, e caminhei até o elevador que ainda estava no andar, como se o prédio tivesse entendido que eu precisava de uma saída rápida.

Entrei.

A porta começou a fechar.

E, no último segundo, antes de o metal cortar minha visão, eu vi.

Rômulo deu um passo em direção a Mareu e levou a mão ao rosto dela com uma delicadeza que, naquele momento, pareceu calculada. O gesto foi simples. Um carinho rápido, como se ele estivesse confirmando: “eu estou aqui”.

— Você tá bem? — eu vi os lábios dele formarem, sem ouvir o som.

Mareu não recuou.

E a porta fechou.

O elevador desceu, e o reflexo do meu próprio rosto no espelho me encarou com aquela expressão que eu detesto: a expressão de alguém que perdeu algo importante.

E antes que eu conseguisse pensar melhor, eu soquei a porta de metal.

Porque eu precisava que alguma coisa física doesse em mim.

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