~ LOGAN ~
A voz vinha do elevador.
Eu ainda estava parado diante da porta, tentando decidir se insistia mais uma vez ou se aceitava a derrota momentânea, quando ouvi o ding e o som de passos no corredor.
Mareu estava com a mão na maçaneta, pronta para me fechar do lado de fora da vida dela, e eu já tinha entendido que eu não tinha mais cinco minutos. Eu não tinha mais nada.
Então o corredor me entregou a resposta sem que eu pedisse.
Rômulo surgiu com um buquê nas mãos.
Flores grandes, vistosas, com aquele ar de vitrine. Um gesto que parece bonito para quem vê de longe e inconveniente demais para quem precisa viver dentro.
Por um segundo, eu só observei a cena como se eu fosse um estranho: Mareu arrumada, cabelo no lugar, roupa pensada; Rômulo chegando com flores como se estivesse entrando em um encontro; eu no meio daquele corredor, de terno, com a expressão de alguém que veio salvar um incêndio e encontrou uma festa.
Claro.
Claro que ela tinha outros planos.
Ela não estava arrumada para ficar no sofá da Clara assistindo dorama.
A indignação veio antes da lógica. Eu senti o maxilar endurecer, a irritação subir pelo peito.
— Você não precisa falar por ela — eu finalmente respondi, com a voz baixa, controlada, e isso sempre é um aviso. — Ela é perfeitamente capaz.
Rômulo concordou com a cabeça, como se eu tivesse dito algo sensato.
— Eu sei — ele falou. — E ela acabou de deixar bem claro que você deveria ir embora.
Eu senti a nuca esquentar e olhei para Mareu.
Ela estava tensa, os ombros ligeiramente levantados, como se o corpo inteiro estivesse tentando impedir um desastre. O olhar dela parecia pedir “não faz isso” sem usar palavras.
Eu não devia fazer isso.
Eu devia ir embora.
Mas eu ainda tinha veneno na boca e orgulho demais para engolir.
— É assim que você faz todas as suas conquistas? — eu perguntei, e a minha voz saiu com uma ironia afiada. — Se fazendo de bom moço defensor… até conseguir se divertir o suficiente?
Eu vi o rosto de Rômulo endurecer. O sorriso dele desapareceu como se fosse apagado com um pano.
— A minha vida pessoal não diz respeito a você — ele respondeu.
— Pode ser — eu devolvi, sem tirar os olhos dele. — Eu espero para ler na próxima coluna de fofocas.
As palavras saíram mais cruéis do que eu planejei, e eu não me arrependi. Eu queria ferir.
Rômulo respirou fundo. Eu vi o controle dele vacilar por um segundo. E eu gostei disso.
Eu voltei o olhar para Mareu antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.
— Eu te disse pra tomar cuidado com ele.
Mareu abriu a boca, mas Rômulo falou antes, numa velocidade que parecia proteção... ou posse.
— Não sou eu quem está incomodando ela.
— Ah, você está — eu respondi. — Você definitivamente está. Ela só não se deu conta disso ainda.
Eu vi Mareu fechar os olhos por um segundo, como se estivesse pedindo a Deus que o corredor engolisse todos nós.
Rômulo deu um passo à frente.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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