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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 143

~ MAREU ~

— Liv? — eu falei, e a minha voz saiu mais alta do que deveria. — Ai, meu Deus… Liv?

— Por que meu pai não pode te ligar? — Olívia perguntou do outro lado, com a calma perigosa de quem vai te desmontar em dois segundos.

Eu fechei os olhos, tentando reorganizar a minha alma, que tinha acabado de sair do corpo e voltar correndo.

— Porque… — eu improvisei, olhando ao redor como se Clara pudesse me soprar uma desculpa decente. — Porque eu tô no meio de um dorama.

Clara levantou a sobrancelha e fez um gesto de “muito convincente” com sarcasmo.

— E você sabe como eu odeio ser interrompida no meio do episódio — eu continuei, ganhando confiança na mentira, como sempre. — E seu pai tem esse dom, né? Ele aparece bem na hora que a protagonista vai confessar um segredo e pá, liga.

Do outro lado, houve um silêncio curto. Eu imaginei a Olívia calculando a probabilidade estatística da minha desculpa ser verdade.

— Você tá vendo dorama sem mim? — ela perguntou, e agora o tom era pior. Era acusação de traição.

— Ah… — eu fiz, tentando achar uma saída. — Eu… eu tô fazendo pesquisa de campo.

— Pesquisa? — Olívia repetiu, desconfiada.

— Sim — eu disse, rápida. — Eu tô verificando se o dorama continua digno do seu intelecto.

Olívia soltou um som que parecia um “hum” cético.

— E, na verdade, é um episódio chato — tentei novamente.

— Mas os chatos são os melhores — ela reclamou. — Você tem que esperar por mim.

Meu peito apertou de um jeito idiota.

— Tá bom… — eu respondi, tentando não me desmontar. — Mas você não me ligou pra falar de doramas ou do seu pai. O que foi?

— Não… — Olívia disse, e eu ouvi o som de movimento, como se ela estivesse andando pelo quarto. — Papai tá no banho e eu peguei o celular dele… emprestado.

Ela falou “emprestado” do jeito que uma pessoa fala “roubei, mas com ética”.

E, pelo jeito casual, meu cérebro montou a cena inteira: Logan no banho, achando que o mundo estava sob controle, enquanto a filha hackeava a vida dele com uma tranquilidade assustadora.

Eu levei a mão à testa.

— Liv… — eu comecei.

— A senha dele é tão ridícula — ela disse, sem o menor remorso — que eu não sei como ainda não limparam todas as contas dele.

Eu soltei uma risada antes de conseguir me segurar.

— Talvez você que seja muito esperta — eu provoquei.

— Isso eu sou mesmo — ela concordou, sem hesitar. Olívia nunca hesita em reconhecer a própria excelência. E eu, sinceramente, respeitava isso. — E por falar nisso…

Eu me ajeitei no sofá, instintivamente. Esse “por falar nisso” era sempre o começo de um contrato novo. Um adendo. Uma cláusula.

— Você vai na minha feira de ciências segunda-feira?

Eu congelei.

— Segunda? — eu repeti, estúpida. — Essa segunda?

Meu cérebro fez uma linha reta entre “segunda” e “entrevista no escritório do Rômulo”.

Talvez fosse um sinal pra eu não insistir nesse emprego com o Rômulo.

Talvez fosse um sinal pra eu não ir na feira.

Com um monte de gente em volta.

Não tinha como dar errado.

E eu não conseguia dizer não para ela. Não para Olívia. Não depois de tudo.

Eu respirei.

— Certo — eu falei, com a voz firme o suficiente para convencer a mim mesma. — Estarei lá na segunda.

Do outro lado, eu ouvi o alívio dela em forma de eficiência.

— Ótimo. É o período escolar todo. Te espero lá.

Olívia desligou primeiro.

Eu fiquei encarando o celular.

— Você vai ver Olívia? — Clara perguntou.

Eu respirei fundo de novo.

— Vou.

Porque eu já tinha dito sim.

E porque, no mundo da Olívia, promessas tinham peso.

O único problema era que, na minha vida, toda vez que eu achava que alguma coisa não tinha como dar errado…

Dava errado.

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