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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 154

~ LOGAN ~

Eu subi para olhar a Olívia.

A porta do quarto estava encostada. Abri devagar, sem acender luz, e vi o corpo pequeno encolhido sob o edredom. Olhos fechados. Respiração… regular.

Dormindo. Ou fingindo que estava dormindo para não precisar conversar.

Eu fiquei um minuto parado, observando. A cabeça dela ainda tinha aquele jeito contido de criança que não se permite ser criança. A festa de ciências, o almoço, a explosão no clube… tudo tinha sido grande demais. Principalmente para alguém que, por padrão, já carregava muita coisa.

Eu pensei em me sentar na beira da cama. Em tocar o cabelo dela e dizer alguma coisa certa.

Mas eu não tinha nada certo em mim naquela momento.

E eu sabia que, se eu conseguisse resolver a situação com a Mareu… talvez eu conseguisse resolver a situação com a Olívia também. No fim das contas, tudo em mim e nela estava amarrado na mesma corda: confiança.

Eu fechei a porta do quarto com cuidado e desci.

Mareu estava na sala da penthouse como se aquele lugar não existisse. Encostada no sofá, joelhos dobrados, um jogo no celular rodando com efeitos sonoros baixos e uma barra de chocolate sendo devorada com a concentração de alguém que estava usando açúcar como ferramenta de sobrevivência.

Ela levantou o olhar quando eu passei.

— Ela dormiu?

— Dormiu — eu respondi.

Mareu assentiu, e voltou para o celular. Como se falar sobre sentimentos fosse uma reunião que ela ainda não tinha aceitado na agenda.

E eu fiz o que sempre fazia quando precisava de soluções precisas e rápidas.

Pedi ajuda ao Henrique.

Ele apareceu cerca de duas horas depois, como se estivesse chegando para um happy hour e não para um incêndio. Terno impecável, pasta na mão, sorriso no rosto. Um sorriso quase criminoso naquela situação.

— Tudo resolvido — Henrique anunciou assim que entrou.

Eu encarei.

— Tudo resolvido?

— Bom… — ele corrigiu, com uma calma indecente. — Pelo menos o que coube a mim resolver.

Ele se sentou e abriu a pasta com um estalar de papel que, em qualquer outro dia, teria me dado paz. Papel era previsível. Papel era controlável.

Ele colocou alguns documentos sobre a mesa de centro.

— Consegui as gravações do dia em que a Paula foi até o apartamento da Clara com as malas da Mareu. Também consegui o depoimento do porteiro. E, se você pressionar a Helen… eu aposto que ela abre a boca. Tudo organizado para a Mareu abrir um boletim de ocorrência.

Mareu, que estava no meio de um nível qualquer do jogo e de uma mordida dramática no chocolate, levantou o rosto devagar, como quem ouviu o próprio nome numa audiência.

— O quê? Eu?

Henrique deu um sorriso para ela.

— Você mesma, “eu”.

Eu vi a Mareu piscar duas vezes, com aquele olhar confuso.

Eu respirei fundo.

— Paula e Antônio estão te ameaçando — eu disse, sem rodeio. — Pela briga que vocês tiveram. Ela abriu um boletim de ocorrência… de lesão corporal.

A barra de chocolate parou no ar.

— Ela o quê? — Mareu perguntou, num volume que fez o teto parecer mais baixo.

— E eles estavam usando isso pra… me pressionar — eu continuei, e eu odiei ter que dizer essa parte na frente dela. — Só que agora a gente tem um contra-ataque.

Henrique inclinou a pasta como se estivesse apresentando uma proposta de investimento.

— Você abre um boletim de ocorrência contra ela por apropriação indébita. Com as imagens, depoimento e, se a Helen falar, melhor ainda. Aí temos um caminho: eu consigo negociar.

Mareu franziu a testa.

— Negociar o quê?

— Paula faz uma declaração de desinteresse no caso dela — eu expliquei — e você faz o mesmo no seu. Isso tende a esfriar tudo e… facilita para arquivarem.

Eu não olhei para ela. Eu não queria que ela visse a parte de mim que estava fragilizada.

— Eles vão sempre insistir que eu me case com alguém — eu disse. — Independente se for a Paula ou não. E eu… eu não consigo fazer isso agora.

Henrique se levantou um pouco do sofá, como se fosse me sacudir com as duas mãos.

— Logan, isso é loucura!

Eu respirei devagar. Porque, se eu fosse honesto, eu já tinha flertado com essa ideia antes.

Naquela fase em que eu ainda acordava com a casa grande demais e o silêncio agressivo demais. Quando o luto era recente o suficiente para eu não me reconhecer no espelho, quando eu tinha dois filhos nos braços e a sensação constante de que eu estava falhando com os dois. Quando “vida” era uma palavra distante, e eu deixava o conselho decidir por mim porque eu não tinha energia para decidir coisa nenhuma.

Naquela época, abrir mão teria sido desistência. Teria sido… apagar. Sumir.

Mas agora…

Agora eu olhei para a Mareu, e o “agora” ganhou peso.

— Não é loucura.

Eu olhei para a escada. Para o andar onde minha filha estava.

— Além do mais… Olívia jamais permitiria que eu me casasse e...

— Permitiria sim.

A voz veio de cima, limpa, firme, sem nenhum constrangimento de estar ouvindo uma conversa que eu claramente não queria que ela ouvisse.

Eu congelei.

Henrique congelou.

Mareu congelou com o chocolate a meio caminho da boca.

Olívia desceu dois degraus e parou ali, olhando para nós três como se estivesse prestes a anunciar o resultado de uma votação.

— E é só fazer a coisa certa. Se casar com a Mareu.

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