~ MAREU ~
— Você sabe que eu não posso ficar — eu respondi.
A minha voz saiu mais firme do que eu me sentia por dentro, porque eu já tinha passado da fase do choro. Agora eu estava naquele lugar perigoso em que a gente vira pedra para não virar pó.
Logan levantou o rosto devagar. A luz da penthouse deixava tudo bonito demais: o sofá claro, a vista que parecia recortada de revista, o cabelo dele desalinhado de um jeito que nunca ficava fora do lugar por muito tempo.
Ele não tinha nada de CEO dentro dele naquele momento. Ele tinha cansaço.
— Então me dá um bom motivo pra isso — ele disse.
Eu soltei um riso irônico.
— Eu dou vários.
Logan arqueou a sobrancelha, como se eu estivesse prestes a apresentar um relatório.
— Pra começar, você mentiu pra mim.
Ele abriu a boca e eu vi o “tecnicamente” tentando nascer.
— Tecnicamente eu não...
— Não me venha com tecnicamente — eu cortei.
A palavra “tecnicamente” era a fantasia preferida de homens que queriam esconder culpa atrás de vocabulário.
Eu respirei.
— Você escondeu de mim nosso passado. Nosso contrato. Escondeu que era pra gente ter sido… — eu fiz um gesto com as mãos, como se aquele gesto fosse capaz de resumir tudo. — Você sabe.
Logan ficou rígido.
— Mareu…
— E ainda assim me manteve por perto — eu continuei, a raiva me mantendo falando. — Porque, claro, você devia ter algum plano controlador de usar isso a seu favor.
A palavra “controlador” acertou em cheio. Eu vi no maxilar dele.
— Meu único plano era te manter perto dos meus filhos — ele disse.
A frase veio rápida. Quase automática.
E aí, como se o corpo dele tivesse cansado de ser armadura o dia inteiro, ele hesitou. Um segundo que eu não esperava.
— E… — ele completou, mais baixo. — E de mim.
Eu senti um negócio revirar no estômago. Não era borboleta. Era um animal gigante tentando fugir.
— De você por quê? — eu perguntei, e a minha voz saiu mais fina no fim, o que me irritou. — Pra me envolver de alguma forma nos seus planos?
— Não. — Logan negou de imediato. — Perto de mim porque… eu ainda tô tentando entender… meus sentimentos por você.
O ar ficou estranho por um instante, como se a penthouse tivesse mudado de temperatura.
Eu devia ter respondido com sarcasmo.
Eu devia ter respondido com indignação.
Eu devia ter respondido com qualquer coisa.
Mas o meu corpo me traiu com um silêncio, e foi nesse silêncio que a campainha tocou.
Logan levantou o olhar na direção da porta, como se aquele som fosse um alívio. Uma interrupção. Qualquer coisa que tirasse a gente desse precipício.
Ele se levantou.
— Um minuto.
Eu fiquei sentada, olhando para a escada onde a Olívia tinha subido. Eu conseguia imaginar o rosto dela escondido no travesseiro, tentando não fazer barulho. E eu conseguia imaginar a culpa dela crescendo em silêncio, como mofo.
Logan abriu a porta.
Um funcionário do hotel entrou com a postura impecável de quem foi treinado para ignorar dramas de bilionários.
— Senhor Novak — ele disse. — Os pertences do senhor e da senhorita Olívia que ficaram no restaurante da piscina. O senhor pediu para entregarem aqui.
Logan agradeceu com um aceno e recebeu uma sacola elegante e uma mochila infantil.
Quando a porta fechou de novo, o som da conversa anterior voltou a ocupar o cômodo, como fumaça.
Ele colocou a sacola na mesa de centro e largou a mochila da Olívia no sofá, com cuidado.
Eu fiquei em silêncio, porque eu precisava de dois segundos para organizar meus pensamentos sem virar um desastre.
— Sentimentos não importam quando você tem um plano de vida traçado pra você — eu disse, enfim.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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