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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 153

~ MAREU ~

— Você sabe que eu não posso ficar — eu respondi.

A minha voz saiu mais firme do que eu me sentia por dentro, porque eu já tinha passado da fase do choro. Agora eu estava naquele lugar perigoso em que a gente vira pedra para não virar pó.

Logan levantou o rosto devagar. A luz da penthouse deixava tudo bonito demais: o sofá claro, a vista que parecia recortada de revista, o cabelo dele desalinhado de um jeito que nunca ficava fora do lugar por muito tempo.

Ele não tinha nada de CEO dentro dele naquele momento. Ele tinha cansaço.

— Então me dá um bom motivo pra isso — ele disse.

Eu soltei um riso irônico.

— Eu dou vários.

Logan arqueou a sobrancelha, como se eu estivesse prestes a apresentar um relatório.

— Pra começar, você mentiu pra mim.

Ele abriu a boca e eu vi o “tecnicamente” tentando nascer.

— Tecnicamente eu não...

— Não me venha com tecnicamente — eu cortei.

A palavra “tecnicamente” era a fantasia preferida de homens que queriam esconder culpa atrás de vocabulário.

Eu respirei.

— Você escondeu de mim nosso passado. Nosso contrato. Escondeu que era pra gente ter sido… — eu fiz um gesto com as mãos, como se aquele gesto fosse capaz de resumir tudo. — Você sabe.

Logan ficou rígido.

— Mareu…

— E ainda assim me manteve por perto — eu continuei, a raiva me mantendo falando. — Porque, claro, você devia ter algum plano controlador de usar isso a seu favor.

A palavra “controlador” acertou em cheio. Eu vi no maxilar dele.

— Meu único plano era te manter perto dos meus filhos — ele disse.

A frase veio rápida. Quase automática.

E aí, como se o corpo dele tivesse cansado de ser armadura o dia inteiro, ele hesitou. Um segundo que eu não esperava.

— E… — ele completou, mais baixo. — E de mim.

Eu senti um negócio revirar no estômago. Não era borboleta. Era um animal gigante tentando fugir.

— De você por quê? — eu perguntei, e a minha voz saiu mais fina no fim, o que me irritou. — Pra me envolver de alguma forma nos seus planos?

— Não. — Logan negou de imediato. — Perto de mim porque… eu ainda tô tentando entender… meus sentimentos por você.

O ar ficou estranho por um instante, como se a penthouse tivesse mudado de temperatura.

Eu devia ter respondido com sarcasmo.

Eu devia ter respondido com indignação.

Eu devia ter respondido com qualquer coisa.

Mas o meu corpo me traiu com um silêncio, e foi nesse silêncio que a campainha tocou.

Logan levantou o olhar na direção da porta, como se aquele som fosse um alívio. Uma interrupção. Qualquer coisa que tirasse a gente desse precipício.

Ele se levantou.

— Um minuto.

Eu fiquei sentada, olhando para a escada onde a Olívia tinha subido. Eu conseguia imaginar o rosto dela escondido no travesseiro, tentando não fazer barulho. E eu conseguia imaginar a culpa dela crescendo em silêncio, como mofo.

Logan abriu a porta.

Um funcionário do hotel entrou com a postura impecável de quem foi treinado para ignorar dramas de bilionários.

— Senhor Novak — ele disse. — Os pertences do senhor e da senhorita Olívia que ficaram no restaurante da piscina. O senhor pediu para entregarem aqui.

Logan agradeceu com um aceno e recebeu uma sacola elegante e uma mochila infantil.

Quando a porta fechou de novo, o som da conversa anterior voltou a ocupar o cômodo, como fumaça.

Ele colocou a sacola na mesa de centro e largou a mochila da Olívia no sofá, com cuidado.

Eu fiquei em silêncio, porque eu precisava de dois segundos para organizar meus pensamentos sem virar um desastre.

— Sentimentos não importam quando você tem um plano de vida traçado pra você — eu disse, enfim.

Capítulo 153 1

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