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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 159

~ MAREU ~

Naquela segunda-feira, quando fui visitar Rômulo em seu escritório, o encontrei de pé, perto da janela, com a camisa impecável e aquele ar de homem que sempre parece que acabou de sair de uma coluna social… mesmo quando está trabalhando. Quando me viu, o rosto dele mudou para um sorriso imediato.

— Ei.

Ele veio até mim sem pressa, mas também sem hesitação. Segurou meu rosto com as duas mãos como se eu fosse alguma coisa delicada e me beijou.

Um beijo breve, doce, que tinha a tranquilidade de quem não está carregando um submarino de segredos nas costas.

Eu deveria ter aproveitado.

Porque só consegui pensar: isso é o que eu deveria querer.

Quando ele se afastou, ainda perto demais, eu pigarreei com uma seriedade falsa.

— Eu vim… pedir desculpas.

As sobrancelhas dele subiram.

— Pelo quê?

— Pela confusão na feira de ciências. — Eu fiz um gesto vago, como se aquilo explicasse tudo. — Aquilo… foi meio… constrangedor.

Rômulo soltou uma risadinha baixa e encostou a testa na minha por um segundo, como se a minha vida fosse uma comédia romântica simpática.

— Imagina. Dramas de família. Todo mundo tem, não é?

Eu engoli uma risada que queria virar um choro.

— Nossa… você não sabe nem da metade.

E eu não disse mais nada, porque, se eu começasse, eu ia ter que explicar que meu drama familiar vinha com sobrenome, contrato, dinheiro e o tipo de expectativa que transforma pessoas em projeto.

Rômulo me soltou devagar e caminhou até a mesa, pegando dois copos de água como se eu fosse ficar ali por tempo suficiente para precisar me hidratar.

— Mas… — ele disse, me entregando um dos copos. — Você está fora agora. Pode seguir sua vida. Não precisa trazer pra dentro dramas de outras famílias.

A frase era bem-intencionada. Era lógica. Era “saudável”.

E era exatamente por isso que doeu.

Eu sorri sem graça e olhei para a água como se ela pudesse me ensinar a falar.

— Sobre isso…

Ele inclinou a cabeça.

— Hum?

Eu inspirei. Minha garganta ficou seca, o que era irônico, considerando que eu tinha um copo d’água na mão.

— Eu queria te agradecer muito a proposta de emprego, mas… eu devo recusar.

Rômulo piscou confuso, como se eu tivesse falado em outro idioma.

— O quê?

Eu apertei o copo com mais força do que precisava.

— Eu… eu não vou aceitar.

O corpo dele ficou imóvel por meio segundo. Depois, a expressão se reorganizou, já buscando uma explicação que fizesse sentido dentro do mundo dele.

— Você vai continuar sendo babá daquela menina?

— Não. Quer dizer… não exatamente.

O “não exatamente” foi a pior coisa que eu podia ter dito. Era a frase oficial de quem está prestes a fazer uma besteira monumental e quer parecer que ainda tem controle.

— Então o quê? — ele perguntou, e a voz dele já tinha uma borda diferente.

Eu senti meu estômago apertar.

— É uma longa história e… não. Na verdade, não é uma longa história. É só… uma história. Uma que eu não sei onde começa. Mas termina em eu ficando noiva do Logan Novak.

O silêncio caiu.

Literalmente caiu.

Rômulo ficou parado, com o copo na mão, olhando para mim como se eu tivesse acabado de anunciar que ia virar astronauta.

— O quê? — ele disse, com uma incredulidade ofendida. — Do que você tá falando?

Eu levantei as mãos, na defensiva automática.

— É de mentirinha!

Ele soltou uma risada curta, sem humor nenhum.

— De mentirinha.

— Sim — eu insisti, desesperada. — É tudo de mentirinha. Foi a Olívia que propôs, na verdade, porque…

— Porque uma menina de seis anos manda na sua vida — ele cortou, e a elegância dele veio com ácido.

Eu travei.

— Você tá me dizendo que está deixando de ter um relacionamento saudável comigo pra se enfiar num relacionamento falso… numa família disfuncional… pra agradar uma menina mimada e um homem com o ego do tamanho da lua?

Eu senti a raiva subir de uma vez. Não devagar. Não elegante. Uma raiva quente, instantânea, porque ele tinha dito “mimada” sobre a Olívia e “ego do tamanho da lua” sobre o Logan como se fossem caricaturas confortáveis.

Eu podia reclamar do Logan. Eu tinha uma lista. Uma tese. Um livro inteiro.

Mas eu não aceitava outra pessoa chamando a Olívia de mimada como se ela fosse só um problema social com laço de fita.

— Sim, é exatamente o que eu estou dizendo.

A frase saiu baixa, mas firme.

O silêncio foi tão duro que parecia um móvel pesado entre nós.

— E quanto a gente… — eu forcei a próxima frase como quem arranca um curativo — bom, a gente não tinha começado nada mesmo, não é?

Eu vi o olhar dele mudar. Não foi só irritação. Foi aquele segundo em que alguém percebe que perdeu algo antes mesmo de ter certeza do que era.

Eu engoli em seco.

— Tira um tempo pra pensar. — Eu segurei o copo com as duas mãos, como se fosse me dar coragem. — E a gente conversa depois.

Rômulo não respondeu.

Eu caminhei até a porta com uma dignidade improvisada, aquele tipo de dignidade que você veste quando não sabe onde enfiar as mãos.

Antes de sair, eu ainda ouvi a voz dele, baixa, controlada demais:

— Isso vai te machucar.

Eu parei um segundo, com a mão na maçaneta.

Porque ele podia estar falando do Logan.

Ou do meu próprio padrão.

Ou dos dois.

Eu não virei.

— Eu sei.

E saí.

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