~ MAREU ~
Naquela segunda-feira, quando fui visitar Rômulo em seu escritório, o encontrei de pé, perto da janela, com a camisa impecável e aquele ar de homem que sempre parece que acabou de sair de uma coluna social… mesmo quando está trabalhando. Quando me viu, o rosto dele mudou para um sorriso imediato.
— Ei.
Ele veio até mim sem pressa, mas também sem hesitação. Segurou meu rosto com as duas mãos como se eu fosse alguma coisa delicada e me beijou.
Um beijo breve, doce, que tinha a tranquilidade de quem não está carregando um submarino de segredos nas costas.
Eu deveria ter aproveitado.
Porque só consegui pensar: isso é o que eu deveria querer.
Quando ele se afastou, ainda perto demais, eu pigarreei com uma seriedade falsa.
— Eu vim… pedir desculpas.
As sobrancelhas dele subiram.
— Pelo quê?
— Pela confusão na feira de ciências. — Eu fiz um gesto vago, como se aquilo explicasse tudo. — Aquilo… foi meio… constrangedor.
Rômulo soltou uma risadinha baixa e encostou a testa na minha por um segundo, como se a minha vida fosse uma comédia romântica simpática.
— Imagina. Dramas de família. Todo mundo tem, não é?
Eu engoli uma risada que queria virar um choro.
— Nossa… você não sabe nem da metade.
E eu não disse mais nada, porque, se eu começasse, eu ia ter que explicar que meu drama familiar vinha com sobrenome, contrato, dinheiro e o tipo de expectativa que transforma pessoas em projeto.
Rômulo me soltou devagar e caminhou até a mesa, pegando dois copos de água como se eu fosse ficar ali por tempo suficiente para precisar me hidratar.
— Mas… — ele disse, me entregando um dos copos. — Você está fora agora. Pode seguir sua vida. Não precisa trazer pra dentro dramas de outras famílias.
A frase era bem-intencionada. Era lógica. Era “saudável”.
E era exatamente por isso que doeu.
Eu sorri sem graça e olhei para a água como se ela pudesse me ensinar a falar.
— Sobre isso…
Ele inclinou a cabeça.
— Hum?
Eu inspirei. Minha garganta ficou seca, o que era irônico, considerando que eu tinha um copo d’água na mão.
— Eu queria te agradecer muito a proposta de emprego, mas… eu devo recusar.
Rômulo piscou confuso, como se eu tivesse falado em outro idioma.
— O quê?
Eu apertei o copo com mais força do que precisava.
— Eu… eu não vou aceitar.
O corpo dele ficou imóvel por meio segundo. Depois, a expressão se reorganizou, já buscando uma explicação que fizesse sentido dentro do mundo dele.
— Você vai continuar sendo babá daquela menina?
— Não. Quer dizer… não exatamente.
O “não exatamente” foi a pior coisa que eu podia ter dito. Era a frase oficial de quem está prestes a fazer uma besteira monumental e quer parecer que ainda tem controle.
— Então o quê? — ele perguntou, e a voz dele já tinha uma borda diferente.
Eu senti meu estômago apertar.
— É uma longa história e… não. Na verdade, não é uma longa história. É só… uma história. Uma que eu não sei onde começa. Mas termina em eu ficando noiva do Logan Novak.
O silêncio caiu.
Literalmente caiu.
Rômulo ficou parado, com o copo na mão, olhando para mim como se eu tivesse acabado de anunciar que ia virar astronauta.
— O quê? — ele disse, com uma incredulidade ofendida. — Do que você tá falando?
Eu levantei as mãos, na defensiva automática.
— É de mentirinha!
Ele soltou uma risada curta, sem humor nenhum.
— De mentirinha.
— Sim — eu insisti, desesperada. — É tudo de mentirinha. Foi a Olívia que propôs, na verdade, porque…
— Porque uma menina de seis anos manda na sua vida — ele cortou, e a elegância dele veio com ácido.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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