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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 161

~ PAULA ~

O lençol era de algodão egípcio, a luz do abajur tinha a temperatura exata do conforto, e eu estava deitada de lado como se o mundo não tivesse tentado me humilhar nas últimas quarenta e oito horas.

Eu gostava daquela sensação específica: quando o corpo relaxa, mas a cabeça continua funcionando como um painel de controle. O segredo de parecer calma sempre foi não desligar. Só diminuir o brilho.

Atrás de mim, um braço pesado passou pela minha cintura e me puxou com uma familiaridade preguiçosa. Eu não me virei. Eu gostava de manter o controle. Homens falavam mais quando achavam que eu estava satisfeita.

— Pelo menos você me satisfaz no sexo — eu disse, sem olhar. A frase saiu do jeito que eu pretendia: leve, quase um elogio, com uma lâmina escondida. — Porque se for depender de você para os meus planos… eu tô ferrada.

Houve um riso baixo, abafado, e a cama afundou quando ele se apoiou no cotovelo.

— Paula — a voz dele veio morna, como se estivesse tentando ser razoável — eu faço tudo o que você quer. Mas eu não consigo controlar o desdobramento das coisas.

Eu fechei os olhos por um segundo e deixei o silêncio fazer o trabalho de irritá-lo. Quando abri, virei um pouco o rosto, o suficiente para que ele soubesse que eu tinha ouvido.

— Mas isso é exatamente o que pessoas inteligentes fazem — eu respondi. — Prever e controlar o desdobramento.

Ele soltou o ar pelo nariz, aquele som de quem gostaria de contestar, mas sabe que não tem repertório.

— Você fala como se tudo fosse um tabuleiro.

— Porque é — eu disse, simples. — Só que a maioria não enxerga as peças.

Eu senti os dedos dele desenharem um círculo preguiçoso no meu quadril. Eu deixei. Carinho é útil. Toque amolece a honestidade.

— Você sabe como eu sabia que ela ia te escolher aquela noite? — eu perguntei.

O dedo dele parou por um instante, e isso me divertiu.

— Até hoje eu me pergunto isso — ele admitiu.

Eu sorri, discreta, sem mostrar dentes.

— Porque a Mareu é impulsiva.

Ele ficou em silêncio, esperando a continuação como um aluno que não quer errar na prova.

— Pessoas impulsivas são previsíveis — eu finalizei.

A cama rangeu quando ele mudou de posição, como se estivesse se ajustando à ideia de que eu tinha previsto até o erro.

— Você sempre fala dela como se fosse uma criança.

— Eu falo dela como ela se comporta — eu corrigi. — E não, não é criança. É só… reativa. Quando o Rafael pressionasse perguntando do namorado dela ela ia pegar a primeira pessoa bonita que passasse do lado.

Eu me virei finalmente. A luz deixou a linha do rosto dele mais clara: mandíbula bonita, olhos que tentavam ser inteligentes, o tipo de homem que as pessoas subestimavam e que, por isso, era útil.

Eu toquei o rosto dele com a ponta dos dedos, um carinho lento, controlado.

— E você, Rômulo… pode não ser muito estrategista, mas não tenho como negar que é um gostoso.

O sorriso dele apareceu, automático, e eu vi o orgulho inflar do jeito mais masculino possível.

— Finalmente um reconhecimento — ele brincou, inclinando o rosto para o meu toque.

— Não se empolga — eu avisei, e beijei a bochecha dele com ternura calculada. — Eu reconheço o que funciona.

Ele riu, mas o riso dele tinha uma nota de tensão, uma necessidade infantil de ser mais do que corpo.

— E ainda assim você quer o Novak — ele disse, como quem j**a a carta que sempre volta.

Eu não desviei. Não valia a pena fingir.

— Porque ele, além de gostoso, é bilionário.

Rômulo ficou quieto, e eu observei o efeito da palavra bilionário como se fosse uma gota de tinta num copo d’água. Ele tentava não reagir, mas reagia.

— Estou — eu confirmei. — Porque o importante é que você continue a mantê-la por perto.

— Você quer mesmo que eu aceite o papel de corno? — ele perguntou, e havia incômodo em sua voz. — Aceitar namorar a mulher que é noiva de outro?

Eu me sentei também, cruzando as pernas com calma.

— Tecnicamente, nessa situação… — eu disse, e deixei a frase passear só um pouco, para que ele tivesse que me acompanhar — o corno seria ele.

Rômulo franziu o cenho, processando. Depois o canto da boca dele subiu, devagar.

— Hum… — ele murmurou. — Vendo por esse ponto...

Eu sorri, satisfeita.

— Ótimo — eu disse.

Eu deslizei a mão pelo braço dele, não como carinho dessa vez, mas como posse. Um lembrete de que ele existia naquele quarto por um motivo.

— Eu gosto de vencer — eu respondi, seca. — E ela virou o obstáculo mais irritante da minha vida.

— Tá — ele disse, por fim, resignado. — Eu a mantenho por perto. E o que eu ganho, além do sexo?

Eu deslizei o dedo pela linha do maxilar dele e olhei dentro dos olhos com aquela calma que sempre faz homens se sentirem escolhidos.

— Você ganha uma oportunidade de provar que não é só isso — eu disse. — Se quiser.

Ele ficou me encarando, preso no “se quiser”.

Eu me recostei no travesseiro de novo, voltando ao meu lugar de conforto.

— Mantenha seus amigos por perto e seus inimigos mais perto ainda.

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