~ MAREU ~
Eu parei diante da porta da mansão Novak como quem para diante de um lugar que, até pouco tempo, era quase rotina... e hoje parecia um território com novo dono.
O mais ridículo é que eu ainda tinha a chave. Ainda tinha os códigos.
Eu podia ter simplesmente entrado, como eu sempre fiz.
Mas não entrei.
Eu não era mais a babá da Olívia. E, ao mesmo tempo, eu também não sabia exatamente o que eu era.
Noiva.
A palavra parecia fantasia na minha boca, como um batom caro que não combina com o rosto.
Então eu toquei a campainha.
O som ecoou bonito, civilizado, quase debochado. Eu esperei, com a bolsa pendurada no ombro e a coluna mais reta do que eu me permitia normalmente, como se postura pudesse segurar a minha dignidade no lugar.
A porta abriu.
E quem apareceu foi Helen.
Ela estava impecável, como sempre, com aquele ar de quem nasceu para julgar pessoas nos detalhes.
Ela fez uma breve reverência.
Breve demais para ser respeito.
Longa demais para não ser encenação.
— Pode entrar, patroinha — Helen disse, e o tom veio impregnado de ironia.
Eu revirei os olhos antes mesmo de pensar.
— Então você já sabe.
Helen deu um passo para o lado, abrindo passagem como se estivesse me deixando entrar em um castelo que era dela.
— Não pense que as coisas vão ficar assim — ela falou, e a voz baixou um pouco, o suficiente para ficar pessoal. — Não pense que você vai mandar nessa casa.
Eu parei no hall.
— Helen...
— Não enquanto eu puder impedir — ela completou, com os olhos brilhando de um tipo de convicção que eu reconhecia: inveja vestida de moral.
Ela apertou os lábios, como se quisesse dizer mais. Mas se virou e saiu pelo corredor, firme, como quem já estava planejando o próximo capítulo da novela interna dela.
Eu não acompanhei com os olhos. Eu caminhei. Parei diante da porta do escritório de Logan e bati de leve.
— Entra — a voz dele veio, firme.
Eu abri.
Logan Novak estava atrás da mesa, camisa branca, mangas arregaçadas, aquele ar de homem que passou o dia riscando problemas de uma lista e ainda não estava satisfeito. Ele levantou os olhos quando me viu, e por um segundo eu senti — do jeito mais inconveniente — que ele ficou aliviado.
Aliviado porque eu estava ali.
Como se o meu corpo, só por existir naquela sala, fosse uma peça encaixando no lugar certo.
— Você pediu pra eu passar aqui pra acertar os… detalhes — eu disse, mantendo a voz profissional. Profissional era minha armadura. — Estou aqui.
Ele indicou a cadeira à minha frente.
— Senta. Fica à vontade.
Eu me sentei, mas com a postura de quem está num interrogatório e não numa sala com um homem com quem já dormiu duas vezes.
Logan inclinou o rosto, como se estivesse tentando decifrar qual versão de mim ele tinha diante dele naquele dia.
— Você vai ser minha noiva — ele falou, como se fosse simples. — Não precisa ficar esperando autorização pra nada.
Eu soltei uma risada curta de nervoso.
— Ainda serei uma noiva por contrato, não é? — eu perguntei. — Vou ser paga. Você ainda é meu patrão.
Ele abriu um sorriso pequeno.
O tipo de sorriso que ele usava quando queria me irritar de propósito.
— Tecnicamente…
Eu revirei os olhos no mesmo segundo.
Ele assistiu e, pior, achou graça. Eu vi o canto da boca dele subir um pouco mais.
— Você odeia essa palavra — ele comentou.
— Porque ela é sempre usada como desculpa — eu rebati.
— Tecnicamente, sim — ele disse, finalmente. — Mas isso não pode ficar transparente em público. Então você precisa se acostumar.
Eu respirei, tentando trazer a conversa de volta ao chão.
— Tudo bem. O que mais eu preciso saber?
Ele abriu a primeira gaveta da mesa e puxou um calhamaço.
Quando ele colocou o contrato na minha frente, eu quase soltei um “pelo amor de Deus”.
Era enorme.
Mais de dez folhas.
Meu cérebro tentou procurar, em algum lugar da memória, uma noção de juridiquês. Não encontrou.
Eu peguei o contrato do jeito que eu pegaria uma prova de matemática avançada: fingindo que eu estava confortável.
Passei os olhos por cima de algumas cláusulas, pescando palavras-chave.
Noivado de um ano.
Renovável caso necessário.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...