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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 192

~ MAREU ~

Tudo bem.

Eu tinha dado uma resposta, não tinha?

E tinha sido uma resposta educada.

Eu comecei dizendo “obrigada” e terminei com “com gratidão”. Isso era educado.

O probleminha.

O único probleminha.

Era todo o resto.

Cath ria enquanto eu contava, com a satisfação de quem assiste a uma confusão na qual não está envolvida e ainda ganha pipoca para o espetáculo.

— “Cobra peçonhenta com a língua venosa”? — ela repetiu, com os olhos brilhando. — Mareu, isso é poesia.

Eu gemi de vergonha e escondi o rosto por trás do copo de chá.

— Isso nem faz sentido — eu resmunguei.

— “Ácido hialurônico no cérebro”? — Cath continuou, agora já tropeçando nas palavras de tanto rir.

Eu respirei fundo, tentando recuperar alguma dignidade.

— Bom… existem estudos que… provam que… o ácido hialurônico no cérebro…

Eu parei.

Fiquei em silêncio por meio segundo.

E desisti.

— Tá. Não existe porra de estudo nenhum.

Cath caiu na gargalhada como se eu tivesse contado a melhor piada do ano. Ela se dobrou um pouco para frente e, quando finalmente respirou, pegou o cantil da bolsa com a naturalidade de quem tira um batom.

— Eu vou emoldurar essa sua mensagem — ela anunciou.

— Você vai me matar — eu murmurei.

— Eu vou te salvar — ela corrigiu, inclinando o cantil e enchendo meu copo de chá com uma generosidade suspeita.

Eu arregalei os olhos.

— Cath, o que tem nisso afinal?

Ela fechou o cantil e deu de ombros.

— Uma misturinha à la Cath Novak.

— Eu quase não sobrevivi ao dia de ontem — eu lembrei, apontando para o meu crânio como prova. — Eu aprendi minha lição e vou ficar longe disso hoje.

Eu disse com firmeza.

E me recusei a beber.

Só que eu continuei segurando a xícara de chá, como se ela fosse um objeto neutro e não um possível coquetel de decisões ruins.

Cath me observou com um sorriso torto.

— Fala isso pra você mesma daqui a quinze minutos.

Eu abri a boca para retrucar.

Não deu tempo.

O ar do jardim mudou.

Eu não sei explicar direito como, mas mudou. Como se alguém tivesse abaixado a música e ajustado a luz para um interrogatório.

E, quando eu virei o rosto, lá estava ela.

Gabriella Novak.

Se aproximando.

Impecável.

Fria.

Como uma ameaça em forma de mulher.

Meu corpo respondeu antes da minha mente: um arrepio me atravessou, a mão ficou boba e a xícara balançou perigosa. Eu quase derramei o chá — e aquilo teria sido uma tragédia completa, porque eu definitivamente não precisava de perfume com cheiro de álcool pra completar o look “noiva descontrolada em evento corporativo”.

Cath notou e riu de canto.

— Lá vem.

Gabriella parou diante de nós com um sorriso que parecia educado, mas tinha a mesma temperatura de gelo.

— Catharina — ela disse, em português com aquele sotaque “enferrujado” que só aparecia quando era conveniente. — Henri está te procurando. Vá fazer companhia a ele.

Cath revirou os olhos.

— Claro — respondeu, a voz carregada de ironia. — Era tudo o que eu estava planejando para o restante do meu dia.

Ela me lançou um olhar rápido, como se dissesse “boa sorte”, e se levantou.

O mais absurdo não foi Cath ir.

Foi Cath ir sem discutir.

Sem questionar.

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