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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 193

~ MAREU ~

Eu me levantei tão rápido do banco que a xícara na minha mão quase virou uma arma.

E olhei, confusa, de Logan para Gabriella.

Do rosto dele — duro, fechado, perigoso — para o sorriso dela, que parecia calmo demais para alguém que acabara de ser flagrada no meio de algo grande.

— Logan! — eu chamei, porque era meu reflexo quando eu não entendia um terremoto: dizer o nome da pessoa que eu achava que podia controlar a placa tectônica.

Só que Logan não parecia controlável.

Ele parecia furioso.

Furioso de verdade.

E eu vi, com uma clareza irritante, com quem ele tivesse aprendido a controlar as coisas. Gabriella Novak não controlava o ambiente levantando a voz. Ela controlava com precisão, com sugestão, com silêncio colocado no lugar certo.

Logan fazia a mesma coisa.

A diferença era que a minha sogra de mentira fazia isso de um jeito sujo.

— Que porra é essa que você tá falando, Mareu? — ele disparou.

O choque foi tão grande que, por um segundo, eu nem processei as palavras.

Eu só processei o tom.

Aquele tom era comigo.

— Espera… — eu consegui dizer, sentindo o coração bater no pescoço. — Você tá bravo… comigo?

Porque não fazia sentido. Ele deveria estar bravo com a vaca da mãe dele, certo?

Logan deu um passo na minha direção. O corpo dele inteiro parecia contido por uma corda. A voz saiu baixa, mas cortante.

— Eu te vejo negociando valores com a minha mãe para…

— Não! — eu interrompi, rápido demais. — Não, não é nada disso!

Eu entendi na hora.

Ele tinha ouvido a minha última frase.

A parte do “em troca eu aceito o seu dinheiro e caio fora da vida do Logan?”.

Sem contexto, aquilo soava horrível.

Soava como negociação.

Soava como confirmação.

Gabriella, como se estivesse satisfeita com o estrago, ajustou o lenço ao redor do pescoço e inclinou o rosto.

— Bem, eu vou deixar o casal conversar a sós.

Logan virou para ela com uma raiva tão limpa que eu senti medo e alívio ao mesmo tempo. Medo por estar perto. Alívio por não ser o alvo principal.

— Não pense que isso vai ficar por aqui — ele disse à mãe. — Eu não vou permitir que você se meta na minha vida desse jeito.

Gabriella não perdeu a calma nem por um segundo.

— Abaixa a voz, Logan — ela respondeu, como quem corrige etiqueta em jantar. — Eu converso com você quando eu quiser conversar com você.

E então ela se virou e foi embora pelo jardim com a mesma elegância de quem sai de uma sala deixando fumaça sem nunca acender um fósforo.

Eu fiquei ali, com a xícara na mão, sentindo as pernas meio fracas.

— Logan… — eu comecei, engolindo seco. — Não é nada disso que você está pensando.

Ele me encarou.

O olhar dele era pior do que grito.

— Não? — ele devolveu, curto.

Eu respirei fundo. Tentei organizar a frase.

— Ela me ofereceu dinheiro — eu disse. — Mas eu neguei.

Logan soltou um riso sem humor. Um som pequeno, duro.

— Não era o que parecia que você estava fazendo.

— Eu posso provar.

Eu me apressei, como se velocidade pudesse salvar reputação.

— Eu mandei uma mensagem pra ela ontem… — eu comecei, e a vergonha atravessou meu peito como um tiro. — Eu chamei ela de vaca… ou de cobra… ou de qualquer coisa assim e disse pra fazer preenchimento no cérebro e…

Enquanto eu falava, eu já estava mexendo no celular, procurando o histórico.

Polegar tremendo.

Coração batendo.

Eu abri o aplicativo.

Encontrei a conversa.

E…

Nada.

Meu rosto ficou branco.

Não “pálido” elegante.

Branco de pânico.

Não tinha nada.

Nenhuma mensagem.

Nenhuma notificação de apagada.

Nenhuma sequência de texto escondida.

Não havia absolutamente nada — como se eu nunca tivesse escrito nada. Como se eu nunca tivesse mandado.

Como se aquela mensagem tivesse sido um delírio.

Eu senti o estômago dar um salto.

— Você quer honestidade? — eu quase gritei, e o jardim pareceu ficar pequeno. — Eu vou te dar honestidade.

Eu dei um passo mais perto, o peito subindo e descendo rápido.

— Eu fiz isso porque eu não aguentei os dias que fiquei longe de vocês.

A voz falhou um segundo, mas eu segurei.

— Porque eu sofri cada vez que vi você com a Paula.

Logan piscou, uma vez só.

Eu continuei, sem parar, porque se eu parasse eu desmoronava.

— Porque eu amo a Olívia. E o Liam.

A frase saiu limpa.

E aí eu tropecei na última.

A última era a mais perigosa.

O ar ficou pesado. Eu senti a própria língua hesitar.

— E porque… — eu comecei, e a minha garganta fechou.

Logan não se mexeu.

Esperou.

Eu respirei, tremendo.

— Porque eu acho… acho que eu amo você também, seu babaca.

E então eu fiz a pior coisa possível naquele momento.

Eu olhei nos olhos dele.

Olhei de verdade.

Esperando reação.

Esperando raiva.

Esperando alívio.

Esperando qualquer coisa.

O problema é que meu corpo escolheu uma resposta própria.

O mundo girou um meio grau.

O gosto do chá “à la Cath Novak” subiu.

O almoço chique, a ressaca, a ansiedade, a adrenalina e a vergonha se juntaram numa única decisão física.

Eu levei a mão à boca, tarde demais.

E vomitei.

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