~ MAREU ~
Eu me levantei tão rápido do banco que a xícara na minha mão quase virou uma arma.
E olhei, confusa, de Logan para Gabriella.
Do rosto dele — duro, fechado, perigoso — para o sorriso dela, que parecia calmo demais para alguém que acabara de ser flagrada no meio de algo grande.
— Logan! — eu chamei, porque era meu reflexo quando eu não entendia um terremoto: dizer o nome da pessoa que eu achava que podia controlar a placa tectônica.
Só que Logan não parecia controlável.
Ele parecia furioso.
Furioso de verdade.
E eu vi, com uma clareza irritante, com quem ele tivesse aprendido a controlar as coisas. Gabriella Novak não controlava o ambiente levantando a voz. Ela controlava com precisão, com sugestão, com silêncio colocado no lugar certo.
Logan fazia a mesma coisa.
A diferença era que a minha sogra de mentira fazia isso de um jeito sujo.
— Que porra é essa que você tá falando, Mareu? — ele disparou.
O choque foi tão grande que, por um segundo, eu nem processei as palavras.
Eu só processei o tom.
Aquele tom era comigo.
— Espera… — eu consegui dizer, sentindo o coração bater no pescoço. — Você tá bravo… comigo?
Porque não fazia sentido. Ele deveria estar bravo com a vaca da mãe dele, certo?
Logan deu um passo na minha direção. O corpo dele inteiro parecia contido por uma corda. A voz saiu baixa, mas cortante.
— Eu te vejo negociando valores com a minha mãe para…
— Não! — eu interrompi, rápido demais. — Não, não é nada disso!
Eu entendi na hora.
Ele tinha ouvido a minha última frase.
A parte do “em troca eu aceito o seu dinheiro e caio fora da vida do Logan?”.
Sem contexto, aquilo soava horrível.
Soava como negociação.
Soava como confirmação.
Gabriella, como se estivesse satisfeita com o estrago, ajustou o lenço ao redor do pescoço e inclinou o rosto.
— Bem, eu vou deixar o casal conversar a sós.
Logan virou para ela com uma raiva tão limpa que eu senti medo e alívio ao mesmo tempo. Medo por estar perto. Alívio por não ser o alvo principal.
— Não pense que isso vai ficar por aqui — ele disse à mãe. — Eu não vou permitir que você se meta na minha vida desse jeito.
Gabriella não perdeu a calma nem por um segundo.
— Abaixa a voz, Logan — ela respondeu, como quem corrige etiqueta em jantar. — Eu converso com você quando eu quiser conversar com você.
E então ela se virou e foi embora pelo jardim com a mesma elegância de quem sai de uma sala deixando fumaça sem nunca acender um fósforo.
Eu fiquei ali, com a xícara na mão, sentindo as pernas meio fracas.
— Logan… — eu comecei, engolindo seco. — Não é nada disso que você está pensando.
Ele me encarou.
O olhar dele era pior do que grito.
— Não? — ele devolveu, curto.
Eu respirei fundo. Tentei organizar a frase.
— Ela me ofereceu dinheiro — eu disse. — Mas eu neguei.
Logan soltou um riso sem humor. Um som pequeno, duro.
— Não era o que parecia que você estava fazendo.
— Eu posso provar.
Eu me apressei, como se velocidade pudesse salvar reputação.
— Eu mandei uma mensagem pra ela ontem… — eu comecei, e a vergonha atravessou meu peito como um tiro. — Eu chamei ela de vaca… ou de cobra… ou de qualquer coisa assim e disse pra fazer preenchimento no cérebro e…
Enquanto eu falava, eu já estava mexendo no celular, procurando o histórico.
Polegar tremendo.
Coração batendo.
Eu abri o aplicativo.
Encontrei a conversa.
E…
Nada.
Meu rosto ficou branco.
Não “pálido” elegante.
Branco de pânico.
Não tinha nada.
Nenhuma mensagem.
Nenhuma notificação de apagada.
Nenhuma sequência de texto escondida.
Não havia absolutamente nada — como se eu nunca tivesse escrito nada. Como se eu nunca tivesse mandado.
Como se aquela mensagem tivesse sido um delírio.
Eu senti o estômago dar um salto.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...