~ MAREU ~
Depois do almoço em alto-mar, nós voltamos para o hotel.
Era a decisão mais sensata do universo.
Sol forte da tarde não combinava com criança. Na verdade, não combinava com ninguém. Mas criança menos ainda — criança no sol vira uma mistura de tomate com mau humor e eu tinha certeza de que nem o dinheiro dos Novak comprava paciência quando o Liam decidia gritar por causa de calor.
Samira levou os dois para o quarto deles com a mesma eficiência de sempre. Olívia foi no modo “rotina”: banho, cabelo, roupa confortável e aquela energia de quem ainda tinha bateria e eu, claramente, não.
Logan e eu subimos para a nossa penthouse com a sensação de que o dia tinha sido longo demais e curto demais ao mesmo tempo.
Longo por dentro.
Curto por fora.
Eu tomei um banho, passei creme no que ainda restava da minha pele traumatizada, deitei por alguns minutos e quase dormi de verdade — um sono pesado, preguiçoso, com cheiro de mar.
Quando abri os olhos, o céu já tinha mudado de cor.
Aquele azul indecente da Côte d’Azur estava mais escuro, mais profundo, e o hotel parecia outro lugar: menos família e mais… férias.
Eu estava ainda tentando decidir se a palavra “família” era perigosa quando Logan apareceu na porta do meu quarto.
— Quer ir ao cassino? — ele perguntou.
Eu me sentei na cama tão rápido que quase achei que eu era uma criança.
— Cassino?
— Mônaco é aqui perto — ele explicou, como se estivesse sugerindo uma padaria.
Eu abri um sorriso enorme.
— Eu adoraria. Eu nunca fui.
Logan parou por meio segundo.
— Sério?
— Sério — eu confirmei, e a frase veio com uma alegria genuína. — Meu pai não gostava que eu fosse. Nem depois de adulta.
Eu parei, porque a memória fez um clique incômodo.
Eu pensei no que a Gabriella tinha dito.
Eu pensei no jeito como a minha mãe desviou pelo telefone.
“Problemas.”
“Jogos de azar.”
“Falidos é uma palavra forte.”
Eu engoli seco.
— Parando pra pensar… — eu murmurei, mais para mim do que para ele — talvez isso faça sentido agora.
Logan me observou, atento.
Ele não forçou.
Não era o tipo de homem que abraçava minhas dores com discurso. Ele fazia outra coisa.
Ele mudava o cenário.
— Então prepare-se para uma noite de diversão e… bebida — ele disse.
Eu ri.
— Acho que estou dispensando a bebida.
Logan arqueou uma sobrancelha.
— Você?
— Eu — eu confirmei, séria demais. — Pelo menos por… vinte e quatro horas.
O canto da boca dele subiu.
— Corajosa.
Eu dei de ombros.
— Já a diversão soa…
Eu procurei uma palavra inteligente.
Minha mente só ofereceu a mais idiota.
— Divertido.
Logan riu.
— Te chamo em uma hora.
E saiu.
Eu fiquei sentada na cama encarando a porta como se ela tivesse trancado o ar junto.
Uma hora.
Cassino.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...