~ MAREU ~
Mônaco à noite tinha aquela iluminação mentirosa que faz qualquer pessoa parecer mais interessante do que é. As ruas brilhavam como se tivessem sido polidas, os carros passavam silenciosos demais para serem reais e todo mundo caminhava com a mesma pressa elegante de quem tem certeza de que pertence ali.
Eu já tinha visto luxo. Eu tinha crescido dentro dele, na verdade. Eu sabia reconhecer o tecido bom, o relógio caro, o perfume que custa mais do que deveria. Por isso não era o brilho que me pegava. Era a energia.
Mônaco parecia um lugar feito para aposta — não só de dinheiro. Aposta de imagem, de coragem, de controle. Um lugar onde as pessoas entram com a cara de “eu não preciso de nada” e saem com o coração na garganta, mesmo quando continuam sorrindo.
Quando chegamos ao cassino, eu senti esse clima mudar de temperatura.
Por fora, era só um prédio bonito, imponente, com aquele ar de “história” que deixa tudo mais respeitável. Por dentro, era outra realidade: um mundo fechado, quente, cheio de murmúrios e luzes planejadas para te manter acordado.
O ar tinha cheiro de perfume, dinheiro e um tipo de tensão que eu conhecia bem. Só que ali a tensão vinha em fichas, em mãos, em pequenas decisões que pareciam inofensivas até você perceber que todo mundo estava apostando alguma coisa, nem que fosse só o próprio orgulho.
Eu fiquei deslumbrada por um segundo.
Não pelo luxo.
Pelo movimento.
Pelas mesas que pareciam ilhas, cada uma com seu microdrama acontecendo em silêncio. Pelas pessoas inclinadas, concentradas, como se a vida inteira coubesse naquele giro de roleta ou naquela carta virada. Pelo som das máquinas e pelo barulho das fichas se encontrando — um som seco, satisfatório, quase hipnótico. Pelo jeito como o mundo ali dentro parecia suspenso em pequenos instantes, como se o tempo obedecesse às regras do jogo.
E, ao meu lado, Logan Novak atravessava aquilo tudo como se estivesse entrando no próprio escritório.
Ele conversou com um gerente, cumprimentou dois homens que claramente eram clientes ou sócios, e, em menos de cinco minutos, nós estávamos em uma área mais reservada.
Eu observei o jeito como ele se movia.
O jeito como ele sorria pouco.
O jeito como todo mundo prestava atenção quando ele falava.
Eu pensei: é isso que significa ser “o Logan Novak”.
Ele jogou um pouco, mas nada exagerado. Eu percebi que ele estava mais ali por mim do que pelo cassino. E isso me deu uma alegria silenciosa.
Eu acabei bebendo, sim. Não muito. Mas o suficiente para deixar o mundo mais macio. O suficiente para me sentir bonita sem pensar demais. O suficiente para eu me inclinar perto dele e sussurrar:
— Se eu perder essa aposta, eu espero que você saiba que eu vou te odiar por cinco minutos.
Logan nem desviou o olhar da mesa.
— Só cinco?
Eu ri.
— Depende do que você fizer com isso.
Quando a noite já tinha passado daquele ponto em que o tempo vira um fluxo, eu encostei no ombro dele e falei:
— Acho que está na hora da nossa aposta.
Logan virou o rosto.
Os olhos dele estavam mais vivos. Menos CEO. Mais homem.
— Agora?
— Agora — eu confirmei.
Ele olhou ao redor, como se escolhesse o cenário.
— Roleta.
Eu fiz uma careta.
— Muito clichê.
— Você gosta de clichê quando te convém — ele devolveu.
Eu ri.
— Tá. Roleta.
Logan apontou para as cores sem hesitar, dedos firmes, olhar de quem transforma qualquer brincadeira em estratégia.
— Vermelho você ganha. Combina com você.
Eu ergui uma sobrancelha.
— Meu vestido é preto.
Ele sorriu.
— É por isso que preto eu ganho.
Eu senti o coração acelerar, ridículo.
A bola começou a girar.
O som era hipnótico.
E eu percebi que o suspense não vinha do dinheiro.
Vinha do que a gente tinha colocado em jogo.
Logan se inclinou, olhos presos nos meus, e a voz saiu baixa demais pra qualquer pessoa ao redor ouvir.
— Se eu ganhar… você vai me entregar cada peça da sua roupa. Uma por uma. E quando a última cair, eu vou te foder do jeito que eu estiver pensando desde que você apareceu nesse vestido.
Eu senti meu estômago revirar de vontade. Sorri com a cara de quem não presta.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...