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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 226

~ MAREU ~

No fim, a gente tinha encontrado um meio-termo entre fazer “só um bolinho” e “erguer uma pequena fortaleza temática com engenharia civil, dragão inflável e patrocínio de multinacional”.

A festa do Liam estava acontecendo na mansão.

O que, no universo Novak, significava algo absurdamente modesto, contido e discreto — se você desconsiderasse o parque de diversão infantil temporário montado nos jardins, os animadores fantasiados, a banda tocando versões agitadas de músicas infantis, o espaço enorme reservado para os comes e bebes, o bolo em formato de carrinho e uma quantidade de balões capaz de sinalizar para aviões em rota internacional.

Ou seja: uma celebração simples, familiar e de bom gosto.

Eu estava parada perto da varanda, com uma taça de água com gás na mão, olhando o jardim tomado por crianças correndo, gritando, quicando, derrubando a dignidade dos pais e espalhando açúcar pela propriedade inteira como se fossem pequenos traficantes de caos.

E então eu vi Olívia no pula-pula.

Pulando de verdade. Com o cabelo voando, o vestido amassando, os joelhos dobrando desengonçados, o corpo pequeno indo para cima e para baixo no ritmo dos outros. Sem postura de mini executiva. Sem olhar de quem estava analisando a logística do evento. Sem o peso de quem queria sempre parecer um pouco mais velha do que era.

Só… infantil.

Aquilo me prendeu por alguns segundos.

Porque era tão bonito que quase doía.

Senti antes mesmo de ouvir quando Logan chegou por trás e me abraçou pela cintura, descansando a cabeça no meu ombro. O toque dele sempre vinha assim: como se meu corpo já fosse um lugar conhecido, um ponto de retorno automático.

Ele olhou na mesma direção que eu.

— Acha que ela ainda tem tempo de ser criança?

Sorri, mantendo os olhos na menina.

— Fazendo cálculos rápidos… — respondi, fingindo seriedade. — Ela tem seis anos e três quartos, então acho que a gente pode esperar isso dela até… sete anos e um quarto.

Logan riu perto do meu ouvido.

— Perfeito. Então vamos fazer esse tempo valer a pena.

Virei um pouco o rosto para encará-lo.

— Com toda certeza.

Ele beijou a minha bochecha, e eu ainda tive um daqueles instantes absurdos em que precisava me lembrar de que não estávamos mais nos escondendo. Não havia mais aquele jogo constante de não olhar demais, não tocar demais, não ficar perto demais na frente dos outros.

Agora ele me abraçava no meio da festa do filho, em plena luz do fim da tarde, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Passamos boa parte da festa assim: vivendo.

Uma palavra simples, mas que, na prática, tinha parecido impossível por tempo demais.

Eu dancei com Liam no colo enquanto ele ria sem nenhum respeito pela música nem pela cadência. Logan me roubou no meio do caminho para um beijo rápido. Olívia desceu do pula-pula descabelada, suada e faminta, comeu meia empada, deu ordens a um dos animadores como se fosse a gerente do evento e depois correu de novo.

Em algum momento, a banda começou a tocar uma música infantil ridícula sobre animais da fazenda, e eu vi Henrique ao longe sendo arrastado por Clara para uma coreografia coletiva com três crianças aleatórias e zero dignidade.

— Eu queria muito rir da cara dele — comentei.

— Você pode. Está até incentivada.

— Que tipo de amigo você é?

— O tipo que presta muita atenção no ridículo alheio.

Logan sorriu e passou o polegar de leve no meu queixo, aquele gesto bobo, íntimo, quase pequeno demais para ser notado. Eu ainda me perguntava como um homem do tamanho dele conseguia fazer carinho com tanta delicadeza.

Mais tarde, encontrei Olívia, parada a uma distância suspeita da travessa principal na mesa de doces, observando a distribuição dos docinhos com o nível de concentração de alguém prestes a cometer um delito financeiro internacional.

Parei ao lado dela.

— O que estamos planejando?

Ela ergueu os olhos para mim, sem culpa nenhuma.

— Nada.

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