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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 33

Capítulo 33

~ Henrique ~

Clara ficou me olhando como se eu tivesse acabado de falar que a lua era um projeto do conselho.

— O quê? — ela disse. Uma vez. — O quê? — repetiu, mais alto. — Espera… o quê?

Eu apoiei a caneta no papel e esperei. Não por paciência. Por estratégia. Gente em choque fala sozinha se você der espaço.

— Como assim… — ela começou, e a frase morreu no meio, porque não tinha como terminar sem virar loucura. — Mareu ia se casar com… com o Senhor Novak?

Eu fiz um som pequeno, quase um “é”.

Clara levou a mão à boca, tirou, levou de novo. Parecia que o corpo dela não sabia onde estacionar.

— Como melhor amiga dela… você não sabia disso? — eu perguntei, em tom de brincadeira, só pra ver se ela se irritava e saía do transe.

— Não! — ela soltou no impulso, e logo se corrigiu, tropeçando nas próprias palavras. — Quero dizer… sabia. Quero dizer… COMO VOCÊ SABE?

Agora sim. Finalmente a pergunta certa.

Eu dei um sorriso torto.

— Logan Novak… meu melhor amigo. É difícil alguém fugir de um casamento com ele e o assunto não circular no meu raio de explosão.

Clara piscou, juntando peças com pressa.

— Não… calma. Não faz sentido — ela falou como se eu tivesse escrito o roteiro errado. — A Mareu… a Maria Eugênia… ia se casar com o senhor Novak?

— Clarinha — eu interrompi, ainda leve, mas com um toque de “foco”, — você fica fofa em pânico, mas lembra que eu sou o cara das perguntas aqui.

Ela encarou a minha mesa como se quisesse procurar ali a explicação.

— Eu só… eu não tô entendendo o que você tá perguntando.

Eu repeti, pacientemente.

— Por que Maria Eugênia Valença fugiu de um casamento com Logan Novak e agora está trabalhando como babá na casa dele?

Clara abriu a boca e fechou. Abriu de novo.

— Porque ela estava dormindo no meu sofá.

Eu fiquei um segundo quieto, processando.

— …Como é?

— Ela estava dormindo no meu sofá — Clara repetiu, como se isso resolvesse a física do universo. — Eu indiquei um emprego pra ela.

— Você indicou um emprego pra Maria Eugênia Valença… na empresa do homem com quem ela ia se casar?

— Eu não indiquei! — ela levantou as mãos, desesperada, e então parou, porque a frase tinha saído errado. — Quer dizer… eu indiquei. Mas não o homem. Eu indiquei o emprego. Eu não sabia que Logan Novak era o homem de quem ela fugiu pra não se casar.

Eu pisquei devagar.

— Você não sabia?

— NÃO! — Clara disse com a sinceridade de quem não tem tempo pra inventar. — Nem… — ela travou de novo e engoliu. — Nem a Mareu sabia.

Eu levantei as sobrancelhas.

— Clara… como alguém foge de um casamento sem saber com quem ia se casar?

Ela apontou para mim com um dedo acusatório, como se eu fosse o problema e não a frase.

— Eu não tô dizendo que isso faz sentido. Eu tô dizendo que é verdade.

Eu encostei as costas na cadeira e esperei, porque essa história estava ficando boa num nível que me preocupava.

— Explica — eu disse, curto.

Clara respirou fundo, como se tivesse que escolher entre lealdade e sobrevivência.

— Eu indiquei uma vaga temporária no RH. Eu falei: “vai lá, faz, ganha um dinheiro, se organiza, depois você pensa na vida.” Só que mandaram ela pra sala errada.

Eu franzi a testa.

— Sala errada?

— Sala errada — ela confirmou. — E aí o Senhor Novak… contratou ela.

Eu fiquei olhando, esperando o próximo pedaço.

Clara soltou, num fôlego:

— Por engano.

Eu pisquei. Uma vez. Duas.

— A Maria Eugênia Valença foi contratada por engano como babá?

— A Mareu nunca tinha trocado uma fralda na vida — Clara disparou, como se eu fosse idiota por duvidar. — É claro que foi por engano.

E aí a lógica atrasada chegou nela.

Clara se levantou de novo.

— Ah, meu Deus. Vocês vão demitir a Mareu? — a voz dela subiu. — Vocês vão me demitir?

Eu levantei a mão, calmo.

Clara se encolheu na cadeira como se alguém tivesse abaixado a temperatura.

— Eu juro que não foi armação, Henrique. Eu juro. A Mareu não é espiã, não é inimiga, não é nada disso. Ela só é… atrapalhada.

Eu observei o rosto dela por um segundo.

Ela estava apavorada, sim.

Mas não estava mentindo.

— Eu acredito — eu disse, simples.

Clara soltou o ar como se tivesse prendido desde que entrou.

Eu bati a ponta da caneta no papel, pensando alto.

— Mas temos um problema.

Clara ficou tensa de novo.

— Amanhã Logan, Olívia e… a Mareu embarcam numa viagem. Ele vai ficar praticamente incomunicável. — Não seria nada bom se ele acabasse descobrindo quem ela é, sem explicações, sem contexto.

— E? — Clara tentou, racional, desesperada. — Por que ele descobriria? A Mareu só usa o apelido. E ele não se importou com sobrenome dela até agora…

Eu olhei pra ela com aquele tipo de pena que não é pena, é pressa.

— Porque eles vão viajar. Em algum momento, alguém vai pedir documento. Confirmar lista. Emitir acesso — eu me levantei. — E se ele bater o olho no nome…

Clara engoliu em seco.

— Tá. Sim. Isso… isso pode ser um problema.

— Pode ser um problema catastrófico — eu corrigi, já indo até a porta. — Precisamos dar um jeito nisso.

Clara girou a cadeira na minha direção, assustada.

— Eu? O que eu faço?

Eu parei com a mão na maçaneta e olhei pra ela por cima do ombro.

— Faz as malas.

Ela piscou.

— Como assim?

Eu sorri, daquele jeito que eu usava quando o mundo ia virar bagunça e eu tinha que agir como se fosse normal.

— Você está vindo comigo pra um cruzeiro.

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