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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 32

~ LOGAN ~

Eu cheguei em casa cedo demais para o que eu estava habituado.

A mansão estava naquele silêncio de fim de tarde — ar-condicionado perfeito, piso que não range, funcionários que se movem como se tivessem sido treinados para não existir. Em dias normais, eu apreciaria. Hoje, parecia incomodo.

Eu atravessei o hall e encontrei Olívia na sala, sentada com um caderno aberto e uma caneta na mão, como se “suspensa” fosse só um detalhe administrativo.

Mareu estava perto, com aquele jeito dela de estar presente sem parecer submissa: atenção no ambiente, mas sem pedir permissão para ocupar espaço.

Olívia levantou o olhar primeiro. E eu vi ali, ainda antes de qualquer palavra, o eco do que ela tinha me dito. A frase que vinha me atormentando o dia inteiro.

Às vezes eu acho que não tenho pai também.

Eu engoli. Não era o tipo de coisa que se resolve com “filha, me desculpa”. Eu não era bom com o que não tinha protocolo.

Então eu fiz o que eu sempre fazia: comecei pela logística.

— Amanhã nós viajamos.

Olívia piscou.

— Nós quem?

— Eu. Você. Mareu.

O silêncio durou um segundo. Depois, Olívia soltou o ar pelo nariz do jeito mais dramático que uma criança de seis anos e meio consegue.

— Uau. Você realmente caprichou no castigo.

Mareu virou o rosto para disfarçar um sorriso. Eu ignorei os dois.

— Não é castigo. É uma viagem de trabalho.

— Pior — Olívia respondeu, como se fosse óbvio. — Castigo com palestra.

— Não vai ter palestra — eu disse.

— Vai ter você em reuniões — ela retrucou. — O que é uma palestra. Só que mais cara.

Mareu mordeu o canto do lábio com força, segurando o riso. Eu senti, com uma irritação absurda, que ela se divertia demais com a insolência da minha filha.

— Você está suspensa — eu lembrei Olívia, no meu tom de “isso encerra a discussão”.

Ela ergueu o queixo.

— Eu já percebi. Obrigada por relembrar meu histórico criminal.

Eu respirei.

— Eu preciso de você perto de mim essa semana.

As palavras saíram antes que eu as revisasse. Eu quis arrancá-las do ar.

Olívia ficou quieta por um instante, como se estivesse tentando entender se aquilo era… sentimento. Aí ela fez a coisa mais Olívia possível:

— Isso vai estar por escrito?

— Não.

— Então eu vou considerar que você pode “desprometer” a qualquer momento — ela decretou.

— Olívia.

— Tudo bem. Eu vou. — Ela levantou do sofá com o peso de quem está indo para uma sentença em regime fechado. — Mas eu quero deixar registrado que sou contra.

Eu virei para Mareu.

— Arruma as malas. A dela e a sua. Você vai com a gente.

Mareu abriu a boca como se fosse perguntar “por quê”, mas teve bom senso e trocou por outra pergunta, mais prática.

— E o Liam?

— Ele é muito pequeno para esse tipo de viagem. — Eu disse a frase como se eu não tivesse pensado nela mil vezes. — Vai ficar com a minha irmã. Ela chega amanhã cedo.

Mareu assentiu.

— E… a Helen?

— Vai estar aqui também — eu respondi, breve. — Minha irmã vai precisar de apoio com ele.

Olívia, já a caminho da escada, olhou por cima do ombro.

— Então eu fico cinco dias num navio chacoalhando e o Liam fica aqui com a parte legal da família.

Mareu esperou Olívia sumir no segundo andar para falar, num tom que soava casual demais para ser casual.

— Ela vai reclamar a viagem inteira, só pra constar.

— Eu sei.

— É a forma dela de processar — Mareu deu um meio sorriso. — Eu vou subir.

Capítulo 32 1

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