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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 35

Capítulo 35

A porta da cabine fechou atrás de nós com um clac macio.

Olívia largou a mochila no primeiro sofá que viu como se estivesse em casa. Ou como se estivesse invadindo território inimigo com confiança de quem venceria qualquer conflito.

Eu, por outro lado, fiquei parada por meio segundo, tentando entender se eu tinha acabado de entrar numa cabine… ou num apartamento.

Porque, sim: era uma cabine. Uma cabine familiar, como solicitado pelo senhor Novak. Uma cabine. O meu cérebro tinha feito questão de gritar isso no corredor, como se “cabine” significasse “um cômodo com duas escovas de dente brigando por espaço”.

Mas ali dentro… era outra história.

Tinha uma sala de estar com sofás claros e uma mesa baixa com frutas já arrumadas como se alguém tivesse preparado aquilo para uma foto de catálogo. Tinha um bar minúsculo com garrafas de bebidas caras. E tinha uma escada discreta, elegante demais pra ser chamada de escada, subindo para um segundo andar.

Olívia foi direto para a escada.

— Eu vou ver o meu quarto.

Eu abri a boca pra dizer “não sai correndo”, porque babá é isso: uma parte de você vira manual de instruções. Mas eu fechei de novo quando percebi que, naquele lugar, mesmo correndo, Olívia parecia… apropriada.

Eu subi atrás, já esperando encontrar a versão marítima do meu pesadelo: Logan Novak abrindo uma porta e dizendo “este é nosso quarto”.

Só que o segundo andar era quase uma paz.

Um corredor curto, três portas.

Uma delas era maior, com aquela aura óbvia de suíte master, o tipo de porta que já tem cara de “não entra”. As outras duas eram menores, mas ainda assim luxuosas demais pra chamar de “quarto”.

Olívia abriu uma e anunciou, como se fosse corretora de imóveis:

— Esse é o meu.

Tinha uma cama perfeita, uma janela enorme com o mar já aparecendo, e um banheiro que eu jamais teria coragem de chamar de banheiro. Era um spa com pia.

Eu abri a porta do outro quarto, e ele parecia uma versão adulta do dela. Menos brinquedo, mais calma. A cama era grande, o closet tinha espaço o suficiente para eu lembrar que eu costumava achar normal ter closet, e a janela… a janela era um insulto. Um pedaço de mar só pra mim, como se o oceano tivesse sido reservado.

Eu inspirei. Expirei.

Então era isso.

Ambientes em comum, sim: sala, bar, a vida acontecendo no mesmo espaço. Eu senti o alívio me cair nos ombros. Pelo menos eu não ia cruzar com Logan Novak andando só de toalha dentro de um quarto compartilhado por cinco dias.

O que foi um pensamento muito específico, e meu cérebro, sempre malicioso, resolveu colaborar lembrando justamente do dia em que eu o vi exatamente assim.

O closet dele. A toalha baixa o suficiente pra ser falta de educação. O pescoço. A água no cabelo. Aquele segundo em que eu fiquei com cara de “desculpa, errei de universo” e ele ficou com cara de “saia antes que eu te demita só por rpubar oxigênio”.

Eu mordi o lábio sem querer.

E pensei, com uma calma indecente:

Tá. Não seria tão ruim assim.

Meu Deus.

Eu sacudi a cabeça, como se desse pra desalojar pensamentos com violência.

— Mareu? — Olívia apareceu na porta do meu quarto, já com o cenho franzido. — Você tá bem?

Eu compus o rosto.

— Tô ótima. Só… apreciando o capitalismo.

Ela me olhou como se eu fosse um documentário.

— Você fala coisa estranha quando tá nervosa.

— Eu falo coisa estranha o tempo todo.

Olívia aceitou isso e foi embora. Eu fechei a porta e corri pro banho como se água pudesse me lavar também de pensamentos inconvenientes.

O banho foi rápido. Mais rápido do que um banho naquele banheiro merecia, mas eu não tinha tempo de romantizar azulejo.

Logan tinha marcado um horário para um brunch de boas-vindas e eu ainda precisava arrumar Olívia.

Quando finalmente ficamos prontas e saímos para o corredor, foi no exato momento em que Logan abriu a porta da suíte master dele.

Ele olhou para Olívia primeiro.

— Pronta?

— Uhum — ela respondeu, no mesmo tom “isso é chato”.

Ele olhou para mim depois.

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