~ HENRIQUE ~
O bar do deck executivo era bom. Não “bom para um navio”, bom de verdade.
Luz baixa, música que não incomodava ninguém importante, e garçons que surgiam antes mesmo de você perceber que estava com sede. A especialidade da casa era fazer o luxo parecer inevitável.
Eu cheguei no horário combinado porque, diferente de certas pessoas que eu conhecia, eu ainda acreditava em promessas.
Pedi um drink que parecia mais um conceito do que uma bebida e escolhi uma mesa com vista para o mar, do tipo que Logan Novak chamaria de “estratégica”. Não porque eu estava ansioso por um coquetel (embora eu nunca recusasse) mas porque eu estava ansioso por acabar com aquilo.
Eu tinha uma bomba no bolso, e Logan vinha caminhando pela vida como se nada pudesse explodir dentro do próprio navio.
Olhei no relógio.
Cinco minutos.
Dez.
Quinze.
O copo já estava pela metade quando meu humor começou a mudar de “ele atrasou” para “ele está me evitando”.
E isso… isso era perigoso.
Porque eu conhecia Logan. Conhecia o jeito que ele tratava problemas: ele os colocava numa gaveta com etiqueta, trancava a gaveta e fingia que o móvel não existia. Até o dia em que era inevitável abrir. Ou o dia em que a casa pegava fogo.
Eu tirei o celular do bolso e liguei.
Chamou.
Chamou de novo.
Nada.
Mandei uma mensagem curta, do jeito que ele respondia quando não queria dar abertura pra drama:
“Onde você está?”
Silêncio.
Mais dois minutos. Eu tomei o resto do drink e senti o gelo bater nos dentes.
Eu tinha duas opções: insistir até virar humilhação ou chamar a única pessoa que podia me dizer se eu estava surtando sozinho.
Clara Ribeiro atendeu no segundo toque, como se estivesse esperando.
— Henrique?
— Clara. — Eu tentei manter leve, mas saiu sério. — Você está onde?
— No meu quarto. Por quê?
— Porque o Logan me deu um horário, me prometeu um drink, e agora ele sumiu do mapa como se o mar tivesse engolido o bilionário.
Uma pausa.
— Ele não apareceu?
— Nem sinal. E não atende.
Eu ouvi o suspiro dela do outro lado, e aquilo não foi um bom sinal. Era o tipo de suspiro que vinha com “é pior do que parece”.
— Onde você está? — ela perguntou.
— Bar executivo.
— Tô indo.
Dez minutos depois, Clara apareceu. Cabelo perfeito, olhar alerta, e um sorriso que dizia “não vou deixar você morrer sozinho nesse circo”.
Ela se sentou e olhou para o copo vazio na minha frente.
— Você está nervoso.
— Eu não fico nervoso — eu disse. — Eu fico… pragmaticamente irritado.
Clara fez um gesto pro garçom.
— Dois.
— Dois o quê? — perguntei.
— Isso importa? — ela respondeu, e eu ri.
Quando o drink chegou, eu encostei o copo no dela.
— Às promessas que bilionários fazem e esquecem — eu brindei.
— Às bombas que a gente tenta desarmar com gelo e limão — ela devolveu.
Bebi. O álcool não curava feridas, mas pelo menos deixava a verdade mais fácil de engolir.
— Eu venho tentando contar pra ele — eu disse, finalmente. — E sempre acontece alguma coisa. Ele sempre dá um jeito de adiar. E agora ele… simplesmente desapareceu.
Clara girou o copo devagar, pensativa.
— Talvez ele esteja com medo da bomba.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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