~ MAREU ~
Conhecia.
Claro que conhecia.
O que eu não tinha feito, naquela noite no corredor, era ligar os pontos com calma. Tinha sido tudo rápido. Um copo. Um vestido. Um escândalo elegante. A humilhação servida em louça fina. Eu só tinha visto o tipo de mulher e a certeza de que ela era o tipo que nunca pisaria no chão molhado… mas pisaria em você.
Agora, com ela me olhando como se estivesse puxando um arquivo na cabeça, o sobrenome encaixou com um clique.
Rizzo.
Família Rizzo era daquelas que aparecia nos mesmos lugares que os Valença apareciam. Galas, leilões, inaugurações com champanhe demais e conversas de menos. Gente que parecia ter sido criada com manual de etiqueta e um coração opcional.
Eu lembro de uma vez em que a Paula tinha feito uma garçonete quase chorar num evento daquelas fundações “importantes”. Um guardanapo caiu. Uma taça demorou. E Paula, impecável, soltou um “vocês treinam essas pessoas onde?” tão alto e tão doce que ninguém pôde fingir que não ouviu.
Daí pra frente, foi só pra trás.
Eu tinha pensado, naquela época: que horror.
E depois eu tinha voltado para o meu mundo confortável, onde eu não era a pessoa humilhada.
Até hoje.
Ela me encarava esperando que eu dissesse “não”. Que eu dissesse “imagina”. Que eu fosse o tipo de gente que pede desculpa por existir.
Eu não era.
Eu respirei e respondi.
— Conhece.
Paula piscou, como se eu tivesse falado em outra língua.
— De onde?
Eu apoiei o garfo no prato com cuidado demais. Porque eu queria que a minha voz saísse leve. Mas eu queria, mais ainda, que saísse verdadeira.
— Do corredor do navio — eu disse. — Um copo de água derramado e uma humilhação grátis.
O ar na mesa mudou.
Olívia parou de mastigar. Logan ficou imóvel do jeito dele, que era quase um “prosseguindo”.
Paula riu uma risadinha curta, incrédula, como se aquilo fosse um mal-entendido divertido.
— Ah… aquilo. Não foi bem assim.
Eu levantei uma sobrancelha.
— Não?
— Eu disse que estava tudo bem — ela afirmou, com a tranquilidade de quem reescreve a própria história sem esforço. — Mandei lavar o vestido. Não se preocupe.
Olívia inclinou a cabeça.
— Ela não parece estar preocupada — ela comentou, no tom de quem dá um diagnóstico.
Mas Paula não era do tipo que perdia o controle por causa de uma criança de seis anos e meio. Ela fez o que fazia melhor: ignorou o que não ajudava e voltou para o que queria.
Ela virou o corpo para Logan como se eu tivesse voltado a ser invisível.
— Bom — ela disse, a voz macia. — Temos um encontro, então. Jantar hoje à noite.
Eu senti Olívia me olhar de lado, rápido, como se estivesse anotando a palavra “encontro” numa planilha mental.
Logan respirou uma vez, devagar, e respondeu com aquela frieza educada que parecia feita sob medida para dizer “não” sem dizer “não”.
— Acontece que eu já tinha combinado de jantar com a minha filha.
Paula sorriu, sem perder o brilho.
— Então leve a… — ela fez uma pausa mínima, como se o nome fosse irrelevante. — …Lívia.
Eu e Olívia falamos ao mesmo tempo.
— Olívia.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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