~ LOGAN ~
Eu conhecia aquele tipo de aproximação.
Não era um “oi” casual. Não era “prazer”. Era uma entrada calculada, com sorriso calibrado e a certeza de que o espaço já era dela.
— Oi, Logan — ela disse, como se meu nome fosse uma peça que ela tinha o direito de tocar. — Eu sou a Paula Rizzo. Mas… você deve saber exatamente quem eu sou, não é?
Meu cérebro fez o que sempre fazia diante de uma ameaça social: começou a puxar arquivos.
Rizzo.
O sobrenome bateu primeiro. Não a mulher.
— Rizzo como em… Antônio Rizzo? — eu perguntei, e mantive o tom neutro.
O sorriso dela aumentou, satisfeita.
— Exatamente. Meu pai.
Antes que alguém pudesse reagir, ela puxou uma cadeira e se sentou à mesa como se estivesse apenas retomando o lugar de sempre.
Eu não a impedi.
Não por falta de vontade.
Por estratégia.
Antônio Rizzo tinha cadeira no conselho. E, mesmo quando eu queria detestar o conselho, eu não tinha o luxo de criar um atrito público com a filha de um deles — ainda mais num navio que, na prática, era um palco flutuante de negociações.
Eu deixei.
O que eu não deixei foi a minha atenção falhar.
Porque eu vi, no instante em que Paula se acomodou, o movimento ao meu lado: Olívia e Mareu trocaram um olhar.
Um daqueles olhares rápidos que pareciam conversa inteira sem palavras.
Olívia estava com o garfo suspenso. Mareu estava… alerta. Tensa de um jeito que não era só “estranheza social”. Era outra coisa.
Paula cruzou as pernas, elegante demais, e olhou ao redor como quem faz um inventário.
— Que lugar delicioso — ela comentou, como se estivesse avaliando uma propriedade. — Você sempre soube como entregar luxo com eficiência.
Eu não respondi ao elogio.
Não porque eu era rude.
Porque eu não alimentava.
— Previsível — eu ouvi Olívia dizer.
Paula girou o rosto na direção de Olívia com um sorriso açucarado.
— E essa é… sua filha? Que gracinha.
Eu senti o corpo de Olívia enrijecer.
Paula inclinou a cabeça, num teatro de simpatia.
— Quantos anos você tem?
Olívia a encarou como se estivesse avaliando uma tentativa de golpe.
— Seis anos e meio — ela respondeu. — E eu não sou uma gracinha.
Um silêncio pequeno caiu na mesa.
Paula piscou, surpresa por meio segundo, e então riu — um riso que tentou parecer encantado, mas tinha uma pontinha de “que audácia”.
— Oh — ela disse. — Que personalidade.
— É genética — Olívia devolveu, seca.
Eu levei meu copo aos lábios para disfarçar uma reação que eu não queria dar.
Mareu, do outro lado, manteve o rosto profissional… com esforço. Eu vi pelo jeito como ela apertou a lateral do guardanapo com os dedos.
Paula voltou a atenção para mim como se Olívia fosse um detalhe inconveniente.
— Eu não esperava te encontrar pessoalmente. E tão… disponível — ela comentou. — Meu pai vive dizendo que falar com você é como tentar marcar horário com um eclipse.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...