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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 52

~ LOGAN ~

Eu conhecia aquele tipo de aproximação.

Não era um “oi” casual. Não era “prazer”. Era uma entrada calculada, com sorriso calibrado e a certeza de que o espaço já era dela.

— Oi, Logan — ela disse, como se meu nome fosse uma peça que ela tinha o direito de tocar. — Eu sou a Paula Rizzo. Mas… você deve saber exatamente quem eu sou, não é?

Meu cérebro fez o que sempre fazia diante de uma ameaça social: começou a puxar arquivos.

Rizzo.

O sobrenome bateu primeiro. Não a mulher.

— Rizzo como em… Antônio Rizzo? — eu perguntei, e mantive o tom neutro.

O sorriso dela aumentou, satisfeita.

— Exatamente. Meu pai.

Antes que alguém pudesse reagir, ela puxou uma cadeira e se sentou à mesa como se estivesse apenas retomando o lugar de sempre.

Eu não a impedi.

Não por falta de vontade.

Por estratégia.

Antônio Rizzo tinha cadeira no conselho. E, mesmo quando eu queria detestar o conselho, eu não tinha o luxo de criar um atrito público com a filha de um deles — ainda mais num navio que, na prática, era um palco flutuante de negociações.

Eu deixei.

O que eu não deixei foi a minha atenção falhar.

Porque eu vi, no instante em que Paula se acomodou, o movimento ao meu lado: Olívia e Mareu trocaram um olhar.

Um daqueles olhares rápidos que pareciam conversa inteira sem palavras.

Olívia estava com o garfo suspenso. Mareu estava… alerta. Tensa de um jeito que não era só “estranheza social”. Era outra coisa.

Paula cruzou as pernas, elegante demais, e olhou ao redor como quem faz um inventário.

— Que lugar delicioso — ela comentou, como se estivesse avaliando uma propriedade. — Você sempre soube como entregar luxo com eficiência.

Eu não respondi ao elogio.

Não porque eu era rude.

Porque eu não alimentava.

— Previsível — eu ouvi Olívia dizer.

Paula girou o rosto na direção de Olívia com um sorriso açucarado.

— E essa é… sua filha? Que gracinha.

Eu senti o corpo de Olívia enrijecer.

Paula inclinou a cabeça, num teatro de simpatia.

— Quantos anos você tem?

Olívia a encarou como se estivesse avaliando uma tentativa de golpe.

— Seis anos e meio — ela respondeu. — E eu não sou uma gracinha.

Um silêncio pequeno caiu na mesa.

Paula piscou, surpresa por meio segundo, e então riu — um riso que tentou parecer encantado, mas tinha uma pontinha de “que audácia”.

— Oh — ela disse. — Que personalidade.

— É genética — Olívia devolveu, seca.

Eu levei meu copo aos lábios para disfarçar uma reação que eu não queria dar.

Mareu, do outro lado, manteve o rosto profissional… com esforço. Eu vi pelo jeito como ela apertou a lateral do guardanapo com os dedos.

Paula voltou a atenção para mim como se Olívia fosse um detalhe inconveniente.

— Eu não esperava te encontrar pessoalmente. E tão… disponível — ela comentou. — Meu pai vive dizendo que falar com você é como tentar marcar horário com um eclipse.

Paula voltou o olhar para mim, como se a criança fosse um ruído inconveniente.

— Eu adoro crianças — ela disse. — Elas dizem coisas tão… espontâneas.

Eu não respondi.

Paula apoiou a mão na mesa perto do meu copo, casualmente próxima demais. Eu podia afastar a cadeira. Podia fazer uma cena. Podia cortar. Mas eu escolhi apenas mudar de assunto.

— Como vai seu pai? — eu perguntei, mudando o eixo.

— Meu pai está ótimo. Animado com o navio. Ele disse que vocês vão fechar coisas grandes aqui.

— Esse é o objetivo — eu disse.

— E você vai ao jantar no deck executivo hoje? — ela perguntou.

— Certamente.

Paula inclinou a cabeça.

— Ótimo. No jantar você se senta com a gente. Meu pai quer você na mesa dele hoje. Provavelmente alguma coisa chata de trabalho, mas eu prometo tornar a noite mais... interessante.

Mareu e Olívia trocaram outra careta, quase sincronizadas.

Dessa vez, eu não consegui segurar completamente.

O canto da minha boca mexeu. Um micro sorriso. Quase nada.

Mas foi o suficiente.

Paula viu.

O olhar dela seguiu a linha do meu olhar e parou onde não devia ter parado: Mareu.

Foi a primeira vez que ela realmente registrou a presença dela.

Paula estreitou os olhos, como se puxasse memória. Como se a peça que faltava tivesse acabado de entrar no tabuleiro.

— Espera… — ela disse, devagar, e a voz ficou curiosa demais. — Eu não te conheço de algum lugar?

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