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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 55

~ MAREU ~

O drink com a Clara tinha sido… estranho.

Não estranho do tipo “navio balança e eu fiquei tonta”. Estranho do tipo “minha melhor amiga está com um segredo no bolso e eu consigo ver o contorno dele pela costura”.

Ela riu nas horas erradas. Concordou rápido demais. E, por duas vezes, olhou por cima do meu ombro como se estivesse esperando alguém aparecer e salvar a conversa.

Eu tentei não concluir nada.

Mas conclui que talvez ela estivesse com um caso com o Henrique.

Ou talvez ainda não fosse exatamente um caso, mas caminhando naquela direção com a tranquilidade de quem finge que não está caminhando. O que era injusto, porque eu… eu tinha contado a ela sobre a noite anterior com o Logan.

Não em detalhes, óbvio.

Mas tinha contado o suficiente para a Clara me olhar como se eu tivesse cometido um crime e, ao mesmo tempo, como se eu tivesse ganhado na loteria.

E ela não tinha me contado nada.

Não era só a Clara estranha. Era o jantar chegando. Era a Paula. Era a sensação de que o navio inteiro estava se preparando para me testar.

Quando desci naquela noite, já arrumada, a sala estava com a iluminação mais baixa, dourada, como se o ambiente também estivesse se arrumando.

Mas Logan já estava lá.

Ele estava em pé perto da janela, com uma camisa social ainda aberta no colarinho, o paletó dobrado no braço, e aquela postura de quem nasce pronto para qualquer coisa.

O meu corpo reagiu antes do meu cérebro.

Ficou sem graça.

Ficou consciente.

Ficou… lembrando.

Eu fui direto para a única coisa segura: o assunto Olívia.

— A Liv já tá quase pronta — eu disse rápido demais, como se velocidade me protegesse. — Ela gosta de terminar de se arrumar sozinha.

Logan virou o rosto na minha direção, e eu senti o olhar dele pousar em mim com um tipo de atenção que não deveria existir em uma sala de estar flutuante. Nem em lugar nenhum onde eu estivesse usando um vestido.

Eu tinha escolhido um vestido branco. Fresco, simples, mais leve do que eu costumava usar — porque, na maior parte do tempo, eu era babá. Roupas de babá. Cores de babá. Invisibilidade de babá.

Hoje eu estava… visível.

Logan não disse nada por um segundo.

O que só piorou.

— Sem problemas — ele respondeu, por fim. A voz dele veio baixa, controlada. — A gente tem tempo.

A palavra “a gente” soou íntima demais para alguém como ele. Como se eu tivesse virado, por engano, parte do vocabulário dele.

Eu precisava ocupar a boca com alguma coisa segura.

Antes que eu falasse alguma coisa não segura.

— Foi bonito o que você fez hoje — eu disse, e a frase saiu com honestidade antes que eu pudesse filtrar.

Logan ergueu uma sobrancelha, desconfiado.

— Bonito?

— Sim — eu confirmei, firme, porque agora eu já tinha começado. — Você… entendeu os sonhos dela. O jeito que você elogiou. E principalmente… — eu respirei uma vez, — você não abriu mão do jantar com ela por negócios.

Ele me observou como se eu tivesse dito algo perigoso.

Eu continuei, porque eu não tinha como voltar.

— Eu sei que ela não falou nada. Mas isso significa muito pra ela. E… acredite, eu entendo aquela menina pelo olhar.

Um canto da boca dele mexeu.

— Eu acredito — ele disse. — Eu só… não sei como vocês criaram essa conexão tão rápido.

Eu senti uma vontade idiota de sorrir também, e odiei.

— Somos parecidas — eu falei.

Logan inclinou a cabeça, esperando.

Eu poderia dizer coisas profundas.

Mas eu não disse.

— A gente ama chocolate — falei. — E doramas. E… — eu fiz uma pausa, — e de fazer valer nossas vontades. Alguns chamam de birra, Liv chama de contratos.

Logan soltou um som que quase foi risada.

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