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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 6

Terminamos o café em silêncio constrangedor. Olívia mastigava as frutas em formato de estrela com aquela calma irritante de quem assistiu a tudo e se divertiu. Eu tentava desaparecer na cadeira, ainda segurando o copo vazio como evidência do meu crime.

Quando Senhor Novak voltou para a cozinha, já completamente vestido com um novo terno, eu quis enfiar a cabeça dentro do forno e ligar no máximo.

Ele parou na entrada, me olhou, e disse com aquela voz controlada que era pior do que qualquer grito:

— A boa notícia é que o terno é lavável. A má notícia é que a minha impressão de você não é.

Fez uma pausa, os olhos verdes fixos em mim.

— Lembre-se, Mareu: você está em período de teste nessa casa. Se continuar cometendo erros atrás de erros, eu não garanto nada.

Engoli seco, sentindo o peso de cada palavra.

— Sim, senhor Novak.

Ele se afastou para pegar uma xícara de café na máquina, e foi quando Olívia se inclinou na minha direção, sussurrando baixinho:

— Ele não tá tão bravo quanto tá fazendo parecer.

Olhei para ela, incrédula.

— Nunca vi o papai chegar tão perto de rir num desastre — ela completou, os olhos brilhando com diversão.

Franzi a testa.

— E por que não riu? Travou? Ou o software de humor veio desinstalado de fábrica?

Olívia abafou uma risadinha, cobrindo a boca com a mão.

Senhor Novak voltou para a mesa, a xícara de café na mão, e soltou um suspiro pesado.

— Como se levar um banho de suco não fosse o suficiente, ainda não posso dirigir por causa daquele maldito exame de vista — disse, mais para si mesmo do que para nós. — O motorista leva vocês primeiro e depois me deixa no escritório.

Olhou para o relógio no pulso, o cenho franzido.

— Vamos. Não posso me atrasar.

O carro era do tipo que eu costumava andar quando morava com meus pais. Preto, vidros fumês, interior de couro bege impecável. O motorista, um homem de meia-idade e uniforme sóbrio, já estava esperando com a porta traseira aberta.

Olívia entrou primeiro, deslizando para o meio do banco. Senhor Novak entrou logo depois, fechando a porta atrás de si.

Ok. Então... eu ia do outro lado e ninguém abria a porta pra mim. Tudo bem.

Dei a volta pelo carro e entrei do outro lado, me sentando ao lado de Olívia.

Foi quando senti o olhar de Senhor Novak sobre mim.

Virei a cabeça. Ele me encarava com aquela expressão neutra que eu já estava começando a reconhecer como "você fez algo errado de novo".

Só não sabia o quê.

O carro começou a se movimentar, saindo devagar da garagem.

Olívia se inclinou para mim e disse:

— A babá vai na frente. Com o motorista.

Ah.

Claro.

Olhei para o banco da frente, vazio. Depois para Senhor Novak. Depois para Olívia no meio.

— Ah, tudo bem… deixa eu… — comecei, já me movendo para tentar pular para a frente.

Me apoiei no banco, joelho afundando no estofamento, tentando passar por cima do console central sem cair de cara no painel.

— Mareu — a voz do Senhor Novak veio seca, impaciente. — Mareu, tira essa bunda de simetria geométrica da minha cara e volte a sentar.

Congelei, meio torta, metade do corpo já na frente, metade ainda atrás.

Pelo menos “simetria geométrica” queria dizer que minha bunda era bonitinha, pensei, tentando encontrar um lado positivo naquela humilhação.

Voltei a me sentar no banco de trás, o rosto queimando.

Capítulo 6 1

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