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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 7

Casamento arranjado.

As palavras ecoavam na minha cabeça enquanto caminhava pelo estacionamento da escola ao lado de Olívia, segurando a mão pequena dela.

Senhor Novak estava pesquisando muito mais sobre a minha vida do que apenas ligando para uma suposta patroa antiga para saber das minhas referências? Isso não era justo. Essa parte da minha vida era pessoal demais. Privada.

— Eu nem gosto de balé, foi papai quem me obrigou a fazer.

A voz de Olívia me trouxe de volta ao presente. Olhei para baixo. Ela andava ao meu lado, a mochila nas costas, os olhos fixos no chão de concreto do estacionamento.

— Ele sempre fala 'claro, claro'. Normalmente ele esquece.

Meu coração apertou.

Não era a primeira vez. Dava para perceber pela forma como ela falou, tão naturalmente, como quem já tinha internalizado completamente a ideia de "não vou criar expectativa porque sei que vai doer menos depois".

Era uma sabedoria triste demais para uma criança de seis anos.

— Sei bem como é alguém decidir sua vida sem te escutar — disse, apertando levemente a mão dela.

Ela me olhou de relance, surpresa, mas não respondeu.

— Posso ir, se você me quiser lá — acrescentei. — Na apresentação de balé.

Olívia parou de andar por um segundo. Me olhou de verdade dessa vez, os olhos procurando no meu rosto algum sinal de que eu estava mentindo ou apenas sendo educada.

Mas então algo mudou na expressão dela, como se tivesse se fechado novamente, erguendo aquela armadura invisível de mini executiva que a protegia.

Deu de ombros, a voz saindo indiferente:

— Se você ainda for minha babá até lá.

E entrou pelo portão da escola sem olhar para trás, a mochila balançando nas costas magras, desaparecendo entre outras crianças.

Fiquei ali parada, vendo ela ir embora, sentindo um aperto no peito que eu não esperava.

Suspirei e voltei para o estacionamento.

Agora eu precisava esperar o motorista que tinha ido levar Senhor Novak no trabalho voltar para me buscar e me levar de volta para a casa. Me sentei num banco de madeira perto da calçada, puxei o celular do bolso e... instantaneamente ele tocou.

Clara.

Atendi no primeiro toque.

— Oi...

— AMIGA! — a voz dela explodiu do outro lado da linha, alta, desesperada. — Logan Novak acabou de me ligar!

Arregalei os olhos, olhando ao redor para ver se alguém estava ouvindo.

— Sim, eu disse para ele te ligar porque...

— De terno. Eu sinto na voz quando a pessoa tá de terno!

Mordi o lábio para não rir alto demais.

— E quando Logan Novak não está de terno?

Clara soltou uma risadinha do outro lado.

— Se eu parar para imaginar algumas situações pode ser meio impróprio. Não que eu já não tenha feito quando vejo ele pelos corredores da empresa. O cara é um gato.

— Um ogro gato — concordei.

— Mas não é isso! — ela continuou. — É a ENERGIA de terno! Aquela voz de "eu tomo decisões de milhões de reais antes do café da manhã". Mareu, eu quase desmaiei!

Dessa vez não consegui segurar. Ri alto, atraindo olhares curiosos de outras mães e babás que esperavam no estacionamento.

— Disse que não podia falar no momento para ganhar tempo, mas ele vai ligar outra vez. Você me colocou como patrona de que, exatamente? — Clara continuou, ainda em pânico controlado.

Ela devia ter uns trinta anos, uniforme de babá impecável — calça preta, blusa branca engomada —, cabelo preso num coque apertado que parecia profissional demais.

— Você é a nova babá da Olívia Novak, não é? — ela perguntou, parando na minha frente.

— Sou sim — respondi, tentando soar mais confiante do que me sentia.

Ela soltou uma risada curta, sem humor, que me deixou desconfortável.

— Quinta só esse ano. Essa vaga é tipo cadeira giratória.

Arregalei os olhos.

— Quinta?

Quer dizer, eu sabia que o cenário naquela casa parecia complicado. Mas era tão ruim assim?

A mulher ajeitou a alça da bolsa no ombro e me olhou com aquela expressão de quem já viu muita coisa e não se impressiona mais com nada.

— Depois que a esposa dele morreu, nada ficou igual.

Meu estômago deu um nó.

— Ela morreu no parto do bebê — a babá continuou, baixando a voz, como se estivesse contando um segredo que todo mundo já sabia, mas ninguém falava em voz alta. — O William. Complicações. Foi rápido.

Eu sabia que o senhor Novak era viúvo. Mas não sabia exatamente como tinha acontecido.

Perder a esposa no dia do nascimento do seu filho era... cruel. Era o tipo de tragédia que mudava uma pessoa para sempre. Que transformava alegria em luto no mesmo instante.

De repente, o jeito frio dele, a distância, o controle excessivo, tudo fazia um pouco mais de sentido.

— Sei lá o que acontece naquela casa — a mulher disse, dando de ombros. — Mas entre as babás do meu círculo de amizade, ninguém mais quer o emprego, por melhor que seja o salário. Cuidado pra não descobrir do jeito difícil.

Mas... Cuidado com o quê, exatamente?

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