“Silas Guimarães”
Quando o segurança me chamou na sala de vigilância eu já esperava coisa ruim, mas o que ele me mostrou era péssimo. Ele apontou para mim uma caixa de ferramentas e o pneu de um veículo no chão da sala.
- O que é isso? – Eu perguntei sem entender de onde aquilo tinha saído.
- Chefe, nós encontramos isso empilhado assim do lado de fora, bem encostado no muro, onde tinha o portãozinho por onde a Srta. Pilar estava escapando. – O segurança me informou.
Eu avaliei o material, aquilo daria altura suficiente para que alguém de um metro e setenta ou mais escalasse o muro e a cerca elétrica não seria problema para alguém realmente motivado. Mas se tinha alguém aqui dentro, nós teríamos que encontrar e as câmaras de segurança poderiam nos mostrar se alguém tinha entrado, porque depois das fugas da Pilar eu chequei cada uma, eliminei os pontos cegos e troquei o equipamento que estava apresentando defeito.
- E a checagem das câmeras? – Eu olhei para o segurança que pareceu bem nervoso.
- As câmeras foram apagadas, chefe! – Ele me respondeu e eu olhei para ele sem acreditar.
- Como é que é? – Eu pensei ter ouvido mal.
- Não há o registro de nenhuma imagem depois da meia noite. – Ele confirmou e eu senti o mundo girar.
- Terminaram a revista interna? – Eu o encarei, pelo menos isso eles tinham que conseguir fazer.
- Sim, senhor, não há nenhum invasor. – Ele me encarou orgulhoso, mas algo me dizia que não era assim, eu estava incomodado. Depois de toda essa falha eu precisava verificar pessoalmente ou não teria paz.
- Vem comigo. Vocês dois, fiquem na porta da sala de reuniões, ninguém sai de lá até eu voltar. – Eu avisei, estava com um mau pressentimento e se alguém ali tivesse facilitado a entrada de qualquer pessoa, eu entregaria todos eles à polícia. Eu fui até a sala de reuniões e encarei o responsável pela equipe da noite. – Por que não tem imagens gravadas?
Eu estava a um palmo de distância dele, que andava irritadinho pela sala, e ele ainda teve a pachorra de bufar na minha cara.
- Eu apaguei, todos dormimos, eu apaguei os vídeos que comprovavam isso. – Ele me falou como se fosse muito esperto.
- Seu merda! – Eu vociferei na cara dele. – Por causa da sua gracinha, eu posso ter um invasor escondido aqui dentro! Agora coloca a sua bunda numa dessas cadeiras, porque você sabe o que isso significa, não sabe? Eu vou te lembrar. Se alguém estiver aqui dentro eu vou entregar todos vocês para a polícia e eles vão investigar se houve alguma facilitação, qual o envolvimento de vocês, enfim, você conhece o procedimento. Ninguém sai dessa sala até eu dizer que saiam.
Eu dei as costas e saí dali, eu começaria pela área de risco máximo, que era onde estavam os alvos sob ameaça. Eu já estranhei que a Pilar não estava na mesa dela, então fui primeiro a sala do Emiliano, que me disse que ela estava com a Abigail e a Natália, então eu fui a sala da Abigail.
- Abi, você sabe onde está a Pilar? – Eu fui direto, já que a Abigail e a Natália estavam ali.
- Ela está no banheiro, Silas. Aquele perto da cozinha. Aliás, ela está demorando...
Eu não precisei que a Abigail terminasse de falar. Eu saí correndo pela construtora e quando parei em frente a porta do banheiro eu sabia que não poderia entrar direto ou poderia aumentar o risco que ela corria. Então eu bati na porta.
- Já entendi o que preciso fazer, Silas, e já liguei para o delegado eles estão a caminho e vão chegar sem fazer alarde. O que você quer que eu faça? – O Antônio me encarou.
- Lembra de quando invadiram a casa do Zapata? – Eu perguntei e ele fez que sim. – Faça o mesmo. Eu vou colocar todos para fora com o máximo de silêncio.
Ele concordou e já passou pela recepção e levou a Magda com ele em direção a rua. Eu instruí três dos seguranças que estavam na sala de vigilância para irem para o segundo andar e retirar de lá todos os funcionários, em ordem e em silêncio. Então eu chamei o outro e fui em direção às salas do Emiliano, do Martim e da Abigail.
- Abi, preciso que vocês duas saiam daqui agora, em silêncio. E, por favor, não discutam, não é hora. – Eu pedi e a Abigail me olhou com a compreensão da situação.
- Alguém invadiu. Silas, a Pilar...? – A Abi já havia me olhado daquele jeito uma vez, com aflição e os olhos marejando.
- Eu vou tirá-la em segurança. Agora saiam, não podemos aumentar a tensão aqui dentro. – Eu pedi e a Abigail se apressou e pegou a Natália pela mão.
- A minha irmã? Silas, o que está acontecendo? – A Natália me estava começando a entrar em pânico e isso não era bom.
- Abi... – Eu encarei a Abigail e ela puxou a Natália para fora da sala.
- Vem, Nat, lá fora eu te falo, mas é importante a gente sair daqui em silêncio, pelo bem da Pilar. – A Abigail saiu levando a Natália pelo corredor, seguidas do segurança que estava comigo, e eu fui para a parte mais difícil, entrei na sala do Emiliano, que estava com o Mário e o Martim e parei por um momento sem saber o que dizer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato para o caos: amor à primeira briga
Um livro muito bom. Tem comédia, drama e muito caliente e envolvente. Amei no 1000....
Quero ler capítulos 320...