Nina desviou o olhar e voltou a comer seu café da manhã em silêncio.
Verônica franziu as sobrancelhas, um tanto insatisfeita em seu coração. Ela havia sido tão clara, como era possível aquela mulher não ter nenhuma reação?
Que frouxa!
Ela virou a cabeça para Gustavo, mordeu os lábios e disse: — Gustavo, a Srta. Almeida certamente ficou aborrecida, explique para ela por mim. Se ela ficar muito chateada, nós... nós simplesmente não vamos.
Gustavo, na verdade, estava observando Nina desde aquele momento, para ver qual seria a sua reação.
A reação de Nina havia sido serena; era a submissão e a docilidade que ele mais apreciava nela, mas, mesmo assim, um aperto inexplicável sufocava seu peito.
Deixando os talheres de lado, Gustavo realmente se justificou: — O Léo é muito jovem, afinal, é difícil segurá-lo em casa. Coincidentemente, hoje é sábado e vou levá-lo ao parque de diversões para dar um passeio.
Nina piscou os olhos: — Oh, tudo bem.
Ela nem se importava mais, por que os dois tinham que ficar falando tanto, agindo como se realmente se importassem com o que ela pensava.
*Trim, trim, trim!* O celular tocou.
Era Júlia.
Nina tomou dois goles rápidos de mingau, agarrou um sanduíche e começou a caminhar a passos largos para a porta: — Tenho que ir.
Gustavo congelou, uma angústia tomou conta do seu coração. Os pés se moveram antes do cérebro, e ele rapidamente a seguiu para fora.
— Nina! — Ele a chamou em voz alta. — Onde você vai?
Nina interrompeu os passos de leve, olhando para ele com olhos como fumaça enevoada: — Você sabe que dia é hoje?
Gustavo arregalou um pouco os olhos: — Que dia é?
Os cantos da boca de Nina se ergueram: — Esquece.
Dito isso, ela seguiu em frente sem olhar para trás, abriu a porta do carro parado na beira da estrada e entrou rapidamente.
Um enorme vazio encheu o coração de Gustavo.

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