Na manhã seguinte, Gustavo acordou com o brilho ardente do sol.
O efeito da bebedeira mantinha sua cabeça tonta e seu estômago enjoado.
Inconscientemente, ele chamou: — Nina, meu estômago está péssimo, prepare aquele caldo nutritivo pra mim.
No passado, toda vez que voltava de um evento com clientes, Nina carinhosamente lhe preparava um chá para cortar o efeito do álcool antes de ele dormir, e deixava pronto um caldo revigorante para o estômago no dia seguinte.
Graças aos cuidados constantes de Nina, aplicados durante três anos de forma impecável, seus antigos problemas estomacais ocasionados pelas bebidas de negócio jamais voltaram a se manifestar.
Gustavo massageou as têmporas e levantou a coberta.
Antes que ele sequer cogitasse sair da cama, viu um braço claro e macio que atravessava sua barriga.
Nina... tinha voltado?!
Porém, a surpresa deu lugar à apreensão, no momento em que ele virou o rosto. A cor esvaiu-se de sua fisionomia aos poucos.
O coração dele quase parou.
— Gustavo, você acordou? — Verônica coçou os olhos, arrastando-se sedutoramente para cima do peito do homem.
Gustavo encarou-a fixamente, aturdido.
— Verônica, ontem à noite... eu... me desculpe. Estava bêbado.
Em pânico, Gustavo desculpava-se sem parar, enquanto a imagem do rosto de Nina invadia assiduamente seus pensamentos.
Recostou-se à cabeceira, tomado pela angústia.
Nina, por si só, ainda não o havia perdoado. Se ela soubesse que ele tivera uma recaída com Verônica...
Não, ela não podia descobrir! De jeito nenhum!
— Gustavo — uma mão delicada rastejou em seu peito, como uma cobra. Verônica, encabulada, apoiou a cabeça sobre o braço dele —, não peça desculpas. Eu quis que isso acontecesse.
Ela quisera aquilo?
Gustavo não conseguiu esconder a perplexidade.
Mas... Ricardo morrera há menos de seis meses.
O complemento dessa constatação foi engolido, a seco, por ele mesmo.
Afinal, fora ele quem errara. Nada daquilo teria acontecido se ele não tivesse se embebedado.
Sentindo-se intensamente culpado, Gustavo afastou as mãos de Verônica, com a voz embargada: — Seja como for, quem sai perdendo num caso desses é sempre a mulher. Ontem à noite cheguei a um consenso com o Sr. Rocha; ele aceitou abdicar da guarda do Léo. Bastará as assinaturas nos três acordos, para que você e Léo vivam em paz.

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