Paulo Niko Sankyo
-Nala, quantos pacientes faltam?
-Duas doutor!
-Vou fazer um intervalo para tomar café de dez minutos.
-Sim Senhor, quer um lanche também ou só o café?
-Só o café. Obrigada!
Mais uma sexta cheia de trabalho e com Melissa de licença, foi uma sexta complicada. Nala é competente, mas lenta e tímida, o que dificulta um pouco meu trabalho.
A mãe da Melissa morreu uma semana depois que foi internada.
A menina precisou de um tempo em casa, então ela estava de licença, voltaria só semana que vem.
Como eu previa, Cristina não conseguiu uma vaga de secretária em outro lugar. Ela continuaria tentando, enquanto isso, depois que D. Nalva se aposentasse, ela ficaria com Bernardo.
Eu não havia lhe comunicado ainda, mais acho que não haveria problema nenhum nisso.
Eu precisava escolher uma nova secretária. Mas eu só faria isso depois que eu resolvesse a situação da Melissa.
Sabrina continuava com sua rotina. Ia para o internato e vinha para o hospital almoçar comigo, às vezes ia para casa e nesta última semana, ficou ajudando Nala. Era perceptível a diferença de comportamento com Nala.
Está certo que ultimamente não havia presenciado mais nenhuma situação constrangedora entre ela e Melissa, mas o jeito que ela lidava com Nala era totalmente diferente do jeito com Melissa. Era carinhoso, acolhedor e simpático, igual ao jeito que ela tratava todos a sua volta. O que reforçava a tese que era ciúme o que rolava entre as duas.
Eu estava gostando de ter ela, ajudando Nala. Quem sabe assim ela não mudava de ideia e abandonava o internato? Se quer trabalhar, podia trabalhar comigo.
Bem, sonhar não custava nada, não é mesmo?
Estávamos nos encaminhando para o quinto mês de contrato. E a minha resolução de tratá-la apenas como uma submissa, continuava de pé.
Não dormimos mais juntos, porém de vez em quando rolava umas brincadeiras. Mesmo porque os castigos semanais continuavam, não eram intensos como no começo, mas aconteciam. Se ela atrasava um minuto, o flogger já estava preparado para agir. Tomávamos o café da manhã e o jantar juntos. Finais de semana eram dedicados aos jogos e a casa de meus pais.
Tudo continuava sendo muito intenso, isso não mudou. E por mais que eu quisesse dizer a vocês que meus sentimentos por ela diminuíam, eu estaria enganando a vocês e a mim mesmo.
Isso não mudou.
Eu estou apaixonado, doido para que ela se decidisse logo por mim... Doido para que o contrato terminasse e que eu pudesse fazer uma proposta mais a minha cara. Começaremos com um contrato sem Internato envolvido, e dali eu investiria... Seria perfeito! Se ela aceitasse...
A vida estava boa...
Além do relacionamento entre nós dois está perfeito, a relação dela com Arthur e Bê, além das meninas, era muito boa. Vivíamos frequentando bares e restaurantes juntos.
Nunca tivemos isso, sabe? De os três estarem acompanhados e de tudo fluir tão perfeito!
Não era sacrifício nenhum conviver com ela. E depois que ela voltou a ser a submissa obediente, deixando de lado qualquer vício da relação baunilha que tivemos no começo, nem discutimos mais.
Mas uma nuvem pairava em cima de nossas cabeças. Ela não recuava... Ela sempre estava ali para me lembrar que minha submissa me escondia coisas.
Eu não tocava no assunto internato e nem no nome da Melissa.Não que fizesse alguma diferença...
Nossa relação era pra ter sido baseada no diálogo, sem segredos... Mas ela não quis assim...
Por isso... Eu ainda tinha minhas dúvidas se essa relação ultrapassaria os seis meses de contrato.
Eu esperava que sim! De verdade...
Os meninos estavam bem. Bernardo parecia mais tranquilo depois que tio Armando conversou com ele, e Arthur estava lidando com seus próprios dilemas, como a ida da Duda para a faculdade. Ele estava sofrendo...
Já Silvio, sumiu do mapa. Ele não prestou queixa contra Arthur. Menos mau, pelo menos não houve escândalos e o hospital estava salvo.
Nossos pais não tinham notícias dele. Meu otōsan andou ligando algumas vezes para ele. Mas ele não atendia.
O que será que aconteceu?
Nós achávamos que ele ia infernizar as nossas vidas depois da surra. Mas ele não fez nada disso.
Nala volta com meu café, e eu agradeço. Bebo um pouco e sinto a cafeína acalmar meu organismo. É sempre assim...
Me encosto na cadeira e fecho os olhos.
Tem sido dias atribulados, mas eu estou em paz. E é isso que importa!
Se meus planos dariam certo, eu não sei... Só sei que eu tinha que esperar pacientemente, que tudo desse certo. Eu merecia e ela também.
****
Sabrina Becker
Hoje é sexta. Amanhã teremos jogo! E ele já avisou que preciso descansar hoje. Pretendo dormir um pouco, depois que guardar a roupa passada que Zefa acabou de trazer.
Começo a separar pensando na minha vida.
Ela anda boa! Não tenho o que reclamar.
Nossa relação sub/Dom anda intensa. O que não aconteceu mais foram nossos momentos baunilhas. Ele tem se mantido distante e eu tenho consciência que está distância é única e exclusiva, culpa minha.
E definitivamente, eu não sei o que farei quando terminar o contrato. Ainda não tenho certeza de nada...
Agora então que Melissa perdeu a mãe... Quer dizer, não há mais nada a impedindo de ter uma relação 24/7. Agora ela pode se dedicar a um dominador... Pode ser que eu me engane, mas agora ela vai jogar pesado. E eu vou ter que tomar uma decisão o mais rápido possível, porque quanto mais tempo eu fico em cima do muro, mais ela tem chances com o Paulo.
Eu estou apaixonada... Isso é fato!
Mas não sei se devo prosseguir depois do término do contrato.
Vocês devem estar pensando: porque sua louca? Você não está apaixonada?
Pego uma azul marinho minúscula, com apenas um fio atrás.
E faço uma careta. Merda! Essa calcinha não é minha... Aliás, essa calcinha nem cabe em mim...
Largo ela na pilha e me sento no chão olhando para a gaveta.
Minha consciência diz :"quem mandou mexer aonde não devia?"
Ele não coleciona só as minhas calcinhas... Ele coleciona todas as calcinhas de suas submissas?
-E você achando que ele te considerava especial Sabrina... Que a errada era você por não se abrir com ele.
Murmuro para mim mesmo.
Porra, no fundo eu não me enganei... No fundo, a minha desconfiança de largar tudo para ficar com ele, tinha um fundamento.
Olha o que você ia fazer: largar as pessoas que considera como família, por um cara que coleciona calcinhas de suas submissas... Como se todas elas fossem iguais... Como se não fizessem diferença...
Deve ter várias da Melissa aqui! O que me leva mais uma vez a questão dela...Até quando ela vai continuar se fingindo de morta, agora que nada a impede de ficar com Paulo?
"Você impede Sabrina. Afinal, você é submissa dele." -Diz minha consciência.
Mas e se ele quiser renovar contrato, com uma cláusula que eu terei uma irmã de coleira. Ele pode fazer isso... Eu não vou aceitar... Aí tudo vai terminar...
Será que quando ele se masturba ele usa as calcinhas das outras?
Me levanto do chão, ainda perplexa e com muita raiva...
Dobro a calcinha que peguei do jeito que estava e ponho ela no lugar fechando a gaveta.
Me encaminho para a outra pilha de gaveta e acho a bendita gaveta certa, colocando sua roupa ali.
E saio dali...
Vou direto para meu quarto e abro a porta da sacada. E me debruço na varanda... Respirando fundo e tentando me acalmar.
Eu sou uma submissa! Não devo demonstrar e nem ter ciúmes. Se acalme Sabrina!
E daí se ele tem um monte de calcinhas das suas submissas anteriores? Isso não é da minha conta...
Que ódio!
Como eu pude ser tão burra?!?!
Burra! Burra! Burra!
*****

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Doce Pecado
Cadê os capítulos...
A leitura não abre... Por quê???...
Cadê os capítulos...