O escritório estava silencioso.
Lorena sentou-se na cadeira de Dante, a carta aberta sobre o teclado, os dedos ainda trêmulos. O papel amarelado pelo tempo estalou levemente quando ela o desdobrou.
Começou a ler.
Lorena,
Eu não sei se você algum dia vai ler isso.
Talvez nunca.
Mas ainda assim… eu preciso escrever.
Porque, de algum jeito, colocar isso no papel é a única forma de não deixar tudo se perder dentro de mim.
Eu não sabia o que era amar.
Até aquela noite.
Eu já tinha desistido de tudo.
Não do mundo… mas de mim.
Do futuro. Do que quer que viesse depois.
E então você apareceu.
Você entrou na água… e me puxou de volta.
De volta para a margem.
De volta para o ar.
De volta para a vida.
Mas não foi só isso.
Você me devolveu algo que eu nem sabia que tinha perdido.
Sentido.
Ali, com você ao meu lado, ainda ofegante, ainda vivo, eu entendi.
O amor tem um rosto.
E é o seu.
Pode parecer absurdo.
Talvez seja.
Mas foi naquele instante que tudo mudou.
Eu fiz uma promessa silenciosa.
Daquelas que ninguém ouve… mas que nunca se quebram.
Eu viveria.
Não de qualquer jeito.
Eu viveria para ser alguém que pudesse, um dia, caminhar ao seu lado. Alguém que você pudesse olhar e não precisar resgatar de novo.
Naquele momento, eu não sabia o seu nome.
Não sabia de onde você vinha.
Não sabia se voltaria a te ver.
Mas ainda assim…
Eu te amei.
Você se tornou o meu ponto de partida.
E, sem saber… também o meu destino.
Se algum dia você ler isso… talvez entenda.

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