Nina caiu com um baque surdo entre as roseiras.
O som ecoou no jardim como algo definitivo.
Por um segundo, ninguém se moveu.
Então a porta de vidro se abriu com violência.
Rafael atravessou o espaço em poucos passos.
- Nina!
Ele se ajoelhou ao lado dela, ajudando-a a se sentar. Nina gemeu, a mão imediatamente pousando sobre o próprio ventre.
- Está doendo… - sussurrou, frágil demais. - Minha barriga…
O sangue de Rafael gelou.
- Chama o carro. Agora! - ordenou aos seguranças.
Dois homens surgiram quase instantaneamente. Rafael ajudou Nina a se levantar com cuidado exagerado.
- Eu estou com medo… - ela murmurou, agarrando-se à camisa dele.
- Não vai acontecer nada - ele garantiu, embora a própria voz traísse a tensão. - Leva ela pro hospital. Agora.
Ele a entregou a um dos guarda-costas, que a conduziu para o carro.
E então Rafael se virou.
Para Lorena.
Em dois passos ele estava diante dela.
A mão fechou-se em seu braço com força.
Lorena tentou se desvencilhar, o toque dele agora era repugnante. Estranho. Como se pertencesse a outra pessoa.
- Você está maluca? - ele disparou, a raiva voltando com força bruta. - É o nosso filho! Você quer matar ele?
As palavras cortaram o ar.
Lorena sentiu algo dentro dela incendiar.
Cravou as unhas na mão que apertava seu braço. Com força suficiente para machucar.
Ergueu o olhar.
E havia algo ali que Rafael nunca tinha visto.
Ódio.
- Solta - ela disse, cada sílaba firme. - E eu jamais serei mãe. Você não sabe bem o motivo.
Ele hesitou.
O mundo pareceu parar.
Rafael soltou o braço dela como se tivesse sido eletrocutado.
Nunca. Nunca antes Lorena o havia culpado.
Nunca tinha dito em voz alta.
O acidente sempre fora um território proibido. Um silêncio compartilhado. Uma dor enterrada.
Mas ali - naquele jardim - ela jogou a culpa de volta para ele.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia