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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 121

O consultório tinha aquele cheiro de antissépticos que Nina associava a decisões ruins.

Ela olhou para o ventre.

Havia se esforçado tanto para chegar até aqui - a noite certa, o perfume certo, a camisola certa. Cada detalhe calculado com uma precisão que ela considerava seu maior talento. E havia funcionado.

O problema era que os cálculos haviam mudado.

Rafael havia perdido o posto de herdeiro principal. O que significava que a criança que ela carregava - e que havia custado tanto para conseguir - valia consideravelmente menos do que valia seis meses atrás.

O bebê estava bem. A médica havia confirmado com aquele sorriso profissional de quem dá boas notícias todos os dias. Vinte e oito semanas. Peso adequado. Batimentos fortes.

Rafael estava encostado na parede do corredor, o celular na mão, os olhos na tela. Ele ergueu o olhar quando ela se aproximou - rápido, avaliador, como se estivesse checando uma lista.

- Está tudo bem? - perguntou.

- Sim, está. - Ela respondeu entregando os exames

Rafael pegou os papéis e não respondeu. Apenas começou a andar em direção à saída.

Nina o seguiu.

Ela o observava enquanto caminhavam. Havia aprendido a ler Rafael. Mas nas últimas semanas, ele estava diferente.

Desde o casamento de Lorena, Rafael mudara. Não tinha apenas a frieza calculada de sempre, tinha o ar de quem já havia tomado uma decisão e estava apenas esperando o momento certo de executá-la.

Esse tipo de expressão Nina conhecia bem. Ela mesma o usava com frequência.

O carro estava na entrada. O motorista abriu a porta sem dizer nada.

Nina entrou. Rafael entrou. A porta fechou.

Seguiram em silêncio. Nina olhava pela janela. Tentando avaliar o próximo passo. Foi quando percebeu.

Ela conhecia esse caminho. Havia feito ele dezenas de vezes. E esse não era o caminho para casa.

Respirou fundo antes de falar. Devagar. Calculada.

- Rafael.

Ele não se virou.

- Onde estamos indo? - A voz saiu leve, quase casual. O tom de quem pergunta por curiosidade, não por medo.

- Você não precisa saber. - A voz era calma. Quase gentil. - Só precisa ficar quietinha para que o bebê nasça seguro e saudável.

Nina processou isso em silêncio.

Quietinha. A palavra favorita de homens que precisavam se sentir no controle.

Ela olhou pela janela. As ruas estavam ficando mais largas, o trânsito mais escasso. Uma sensação de reconhecimento que chegou antes da conclusão.

O aeroporto.

O estômago gelou - mas o rosto não mudou. Nina havia treinado o rosto durante anos.

A mão foi ao bolso devagar, os dedos encontrando o celular. Ela desbloqueou a tela sem tirar o aparelho do bolso, tentando digitar pelo tato. Uma mensagem. Qualquer coisa. Para qualquer pessoa.

Rafael se virou.

Em um movimento rápido, a mão dele mergulhou no bolso dela e arrancou o celular. Sem hesitar, abaixou o vidro da janela.

Recostou no banco como se a conversa já tivesse terminado. Passou os dedos pelo cabelo, ajeitou o colarinho.

E sorriu.

Era um sorriso pequeno, torto, que não chegava aos olhos. O tipo de sorriso que Nina havia visto nos espelhos a vida toda - e que agora, vindo de outra pessoa, a apavorava de um jeito que ela não estava preparada para admitir.

- Você acha - disse ele, devagar - que esse acordo ainda existe?

Nina não respondeu.

- Os planos mudaram, Nina. - Ele virou o rosto para a janela. - Você é esperta o suficiente para entender isso sem que eu precise explicar.

O celular dele tocou.

Ele atendeu sem pressa, sem tirar os olhos dela.

- Fala.

Do outro lado, uma voz. Baixa, objetiva. Relatando.

Rafael ouviu em silêncio. A expressão não mudou - mas algo nos ombros dele cedeu, como quem recebe uma confirmação que estava esperando.

- Entendido.

Desligou. Guardou o celular no bolso interno do paletó com a calma de quem encerra uma reunião de negócios.

Nina o observava. Pela primeira vez em muito tempo, não sabia o próximo passo.

O bebê se mexeu de novo, como se sentisse que algo estava errado.

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