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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 123

Ela não sabia quando havia perdido a consciência.

A última coisa que recordava era a picada rápida, quase imperceptível na lateral da coxa e depois o mundo havia simplesmente... inclinado. As vozes ao redor ficaram distantes, as bordas da visão escureceram.

Quando os olhos abriram pela primeira vez, a vista estava turva.

O ambiente balançava levemente ou era ela. Um zumbido baixo de motor. Ar frio e seco. Lorena piscou várias vezes tentando focar, e aos poucos o mundo foi se montando em pedaços: couro bege, janelas ovais, a luz fria de um interior de aeronave.

Um jato.

Os braços não obedeceram quando tentou movê-los. Imobilizados nos apoios da poltrona - não com força bruta, mas com precisão. Alguém havia feito aquilo com cuidado.

Ela virou a cabeça devagar. O sedativo ainda pesava atrás dos olhos.

Do outro lado do corredor, numa poltrona reclinada, uma silhueta que ela reconheceu antes mesmo de focar completamente.

Rafael.

E à sua frente, Nina uma mão pousada no ventre, o rosto fechado, os olhos evitando os de Lorena com uma determinação que parecia custar esforço.

O sedativo puxou de volta antes que ela conseguisse pensar em mais alguma coisa.

Ela acordou e dormiu mais duas vezes sem conseguir segurar a consciência por tempo suficiente para fazer algo útil com ela.

Quando finalmente abriu os olhos de verdade, o teto era diferente.

Madeira clara. Uma janela. O som, ela levou um segundo para identificar - ondas.

A cama era macia, os lençóis cheiravam a lavanda, e havia um braço em torno da sua cintura.

O corpo soube antes do cérebro.

Ela reconheceu o abraço pelos anos em que havia significado segurança. Pelo peso específico do braço, pelo calor, pelo ritmo da respiração. O cérebro catalogou tudo em menos de um segundo e mandou um sinal de alarme que varreu qualquer resquício de sedativo que ainda restava.

Ela tentou se soltar.

O braço apertou.

- Amor. - A voz era baixa, sonolenta, satisfeita. - Enfim acordou.

Lorena empurrou com os dois braços ao mesmo tempo, rolou para o lado e saiu da cama antes que ele pudesse reagir. Os pés tocaram o chão frio e ela recuou até sentir a parede atrás das costas.

Rafael ficou deitado por um momento, olhando para ela.

Depois se sentou devagar, passando as mãos pelo cabelo com aquela calma que ela havia aprendido a temer mais do que os gritos.

- Lolô. - O tom era de quem fala com uma criança assustada. - Vamos tirar umas férias. Tudo vai voltar a ser como antes.

Lorena não respondeu. Os olhos varriam o quarto em movimentos rápidos - porta, janela, distâncias. Uma janela enorme ocupava quase toda uma parede, do chão ao teto, cortinas finas se movendo levemente. Apesar de ser noite, a lua iluminava o suficiente para ver.

Praia.

Areia. Ondas quebrando em sequência lenta e indiferente.

O som que havia passado a vida inteira achando relaxante soava agora como uma sentença de morte.

- Volta pra cama. - Rafael se levantou. - Para de ficar com essa cara de medo, sou eu.

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