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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 124

O microfone bateu no chão do palco com um som seco que ecoou pelo auditório inteiro.

Dante já estava se movendo antes que o eco parasse.

Não havia explicação, não havia desculpa ao apresentador, não havia nada - apenas ele descendo do palco com o passo de quem não enxerga mais nada ao redor, o celular na mão, a mensagem de Gonçalo aberta na tela.

Ela sumiu.

Ele ligou antes de chegar à saída lateral.

Gonçalo atendeu no primeiro toque.

- Fala.

- Onde ela está? - A voz saiu baixa. Controlada demais para ser calma.

- Ainda não sabemos. As câmeras externas foram derrubadas às dezoito e quarenta e dois. Equipe dispersada com uma falsa ocorrência de obra na calçada. Quando percebemos…

- Quando perceberam?. - Dante parou no corredor vazio atrás do palco. - Você tinha uma instrução. Uma. Não deixar ela sair sem cobertura direta.

- Dante…

- Uma instrução, Gonçalo.

O silêncio do outro lado durou três segundos.

- Eu sei - disse Gonçalo, a voz carregada com o peso de quem não tem como se defender porque não há defesa. - Eu sei.

Dante fechou os olhos por um segundo.

Havia coisas que ele queria dizer. Palavras que estavam na garganta, quentes e inúteis, porque nenhuma delas ia trazer Lorena de volta.

- Quero tudo que vocês têm em trinta minutos - disse, abrindo os olhos. - Câmeras de vizinhança, registros de veículos, testemunhos. Tudo.

- Já estamos nisso.

Ele desligou.

O jato decolou quarenta minutos depois.

Dante estava sentado com o laptop aberto, os arquivos que Gonçalo havia enviado na tela, e não havia conseguido ler a mesma linha pelo terceiro vez consecutiva.

Ele fechou o computador.

Abriu de novo.

Fechou.

Se levantou, andou até o fundo da aeronave, ficou olhando para o nada por um tempo que não soube medir, e voltou para o assento.

O desenvolvedor que havia viajado com ele para o evento ficou no canto oposto da aeronave durante todo o voo sem fazer perguntas. Era a decisão mais inteligente que o rapaz havia tomado na vida.

O telefone tocou. Era Theo.

- Fala - Dante atendeu.

- As câmeras da rua mostram uma van. Placa clonada, já confirmamos. Saiu em direção ao aeroporto. - Theo falou rápido, direto, o tom de quem está gerenciando uma crise e sabe que não há espaço para rodeios. - Estamos tentando cruzar com os registros de decolagem, mas alguém limpou o sistema. Profissional.

- E Rafael?.

- Foi ao hospital mais cedo e depois ao aeroporto.

Dante passou a mão pelo rosto.

- Já conseguiu saber qual foi o destino do dinheiro que ele transferiu duas semanas atrás. - Ele falou rápido demais, quase ininteligível.

- Já estou atrás disso. - Theo antecipou. - Mas essa transferência tem camadas de registro que vão demorar pra furar.

- Usa qualquer método, não importa se é ilegal eu assumo qualquer consequência.

- Dante. - A voz de Theo baixou um tom. - Nós vamos achar ela.

Dante não respondeu.

- Você me ouviu?

- Ouvi.

- Não. - A palavra cortou o ar. - Agora não.

- Eu preciso dizer…

Dante parou.

Virou.

E pela primeira vez em anos, Gonçalo viu nos olhos do patrão algo que não havia visto antes. Não era raiva ou era, mas havia outra coisa embaixo dela, maior, que tornava a raiva quase irrelevante.

Era medo.

O tipo de medo que só existe quando algo realmente importa.

- Eu sei que você falhou - disse Dante, a voz baixa e absolutamente perigosa. - E nós vamos ter uma conversa sobre isso. Mas agora você vai me dar tudo que tem, vai me dizer cada passo que deu desde que ela sumiu, e vai me ajudar a achar ela. - Uma pausa. - Consegue fazer isso?

Gonçalo endireitou os ombros.

- Sim.

- Então me fala enquanto a gente anda.

Eles andaram.

No carro, a caminho do escritório, Dante ficou olhando pela janela com os relatórios de Gonçalo no colo sem ler uma linha.

A cidade passava lá fora. Normal. Indiferente.

Dante fechou os relatórios.

Eu vou te achar.

Não disse em voz alta. Era como um mantra e uma prece.

A única coisa que havia no seu pensamento enquanto a cidade passava e a noite avançava e os minutos continuavam sendo perdidos um a um.

Eu vou te achar.

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