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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 125

Dante não havia pisado em casa desde que aterrissou.

Tinha ido direto para o escritório, o paletó jogado em alguma cadeira no caminho, a gola da camisa aberta, os cabelos uma bagunça. Desde então não havia saído dali.

As telas à sua frente exibiam rotas, registros de voo, sistemas de navegação que ele vinha forçando um por um desde a madrugada. Rafael havia sido cuidadoso, mas ninguém era cuidadoso o suficiente para não deixar nenhum rastro.

Os relatórios de Gonçalo estavam espalhados pela mesa, alguns já amassados de tanto serem folheados e refolheados. Os olhos vermelhos de uma noite sem dormir percorriam linhas e números com uma concentração que custava mais a cada hora. A tensão nos ombros havia parado de doer em algum momento da madrugada, o corpo simplesmente havia desistido de reclamar.

Theo estava à sua direita, cruzando em silêncio os dados que Dante conseguia extrair, comparando com os registros que a equipe dele havia levantado do lado de fora. Nenhum dos dois havia falado muito nas últimas horas. Não havia muito a dizer que os números já não estivessem dizendo.

Gonçalo estava encostado na parede do fundo.

Quieto. Imóvel. Com a postura de quem não considera que merece uma cadeira.

A ligação havia chegado às oito e quarenta.

Jorge Menezes queria ser recebido.

Dante havia ficado em silêncio por três segundos antes de dizer que mandasse entrar.

O velho chegou com a bengala e dois homens atrás, como sempre a encenação de poder que ele nunca havia abandonado mesmo quando o poder já não era o que havia sido. Sentou-se sem ser convidado, cruzou as mãos sobre o cabo da bengala e olhou para Dante.

- Eu sei onde ela está - disse, direto, sem preâmbulo.

Dante não se moveu.

- Continue.

- Rafael comprou uma ilha. Registrada em nome de uma empresa fantasma. - Jorge abriu levemente a mão. - Eu tenho homens que trabalham para ele que, no fundo, são leais a mim.

- Então o que o senhor quer em troca?

Ele sabia que o avô não o ajudaria sem exigir um alto preço em troca

Jorge examinou o neto por um momento.

- A fusão da Nexus Tech ao Grupo Menezes. E você na cadeira de CEO.

O silêncio que se seguiu foi denso. Theo olhou para Dante. Gonçalo continuou imóvel na parede.

Dante ficou olhando para o velho durante um longo segundo. E então pensou em Lorena numa ilha que ele não conseguia localizar.

Ele abriu a boca.

A porta do escritório se abriu.

A assistente entrou com a expressão de quem sabe que está prestes a ser demitida.

- Senhor Dante, eu sei que o senhor pediu para não ser interrompido, mas tem um homem na recepção que insiste em ser recebido. Diz que é urgente.

- Manda embora - Dante disse, sem tirar os olhos de Jorge.

- Eu disse isso. Ele disse que o senhor vai querer ouvi-lo.

- Manda…

- Ele disse que é seu pai.

O escritório inteiro parou.

Dante virou o rosto para a assistente devagar.

Theo se levantou.

- Eu cuido disso - disse, já se movendo em direção à porta.

Ele voltou dois minutos depois.

Entrou primeiro. Depois, um homem.

Dante o viu e algo no fundo do peito reconheceu antes que o cérebro tivesse tempo de processar, a linha da mandíbula, a altura, alguma coisa nos olhos esverdeados que era como olhar para um espelho com vinte e cinco anos a mais.

Alexandre Torres entrou no escritório com a postura de quem passou a vida aprendendo a ocupar espaços que tentaram negá-lo. Os cabelos grisalhos, o terno simples, as mãos que carregavam uma pasta fina e uma história que estava guardada há tempo demais.

Ele olhou para Dante primeiro.

Alexandre tinha um nó na garganta que o impediu de continuar.

Dante estava parado no centro de tudo, o coração palpitava e a mente tinha pensamentos demais ele mal conseguia processar o que ouvia.

- Por que você está me contando isso agora - disse, a voz baixa e completamente plana.

- Porque passei anos tentando descobrir como me aproximar de você. - Alexandre não desviou o olhar. - Quando finalmente consegui te encontrar você já era quem é. Eu não sabia como chegar. Não sabia se você ia querer me ouvir. Fiquei esperando o momento certo e o momento certo nunca chegava.

- E agora chegou?.

- Agora você precisa de mim. - Alexandre colocou a pasta sobre a mesa. - Coordenadas. O nome real da empresa que registrou a ilha. Layout do terreno.

Dante olhou para a pasta.

- O que você quer? - Jorge ainda tinha o lenço pressionando o canto da boca.

- Tenho um jato pronto para decolar - Alexandre continuou. - E não tenho nada a ganhar com isso além de uma chance de ser útil ao meu filho pela primeira vez na vida.

Jorge bateu a bengala no chão.

- Você não vai acreditar numa palavra desse homem, Dante. Ele está usando a situação para…

- O senhor vai ficar quieto. - Dante virou o rosto para o avô com uma calma que era mais aterrorizante do que qualquer grito. - Agora.

Jorge fechou a boca.

Dante ficou olhando para Alexandre por um longo momento. Ele tentava calcular se podia confiar naquele homem. Haviam mil coisas que precisavam ser ditas. Perguntas que existiam há vinte e oito anos. Raiva que não tinha endereço certo para ser entregue.

Mas nada disso importava agora, ele tomou sua decisão.

- Gonçalo. - Dante pegou a pasta. - Reúne nossa melhor equipe. Quero todo mundo pronto em quarenta minutos.

Dante se virou para Alexandre.

- Você voa com a gente - disse. - O resto a gente resolve quando ela estiver em segurança.

Alexandre assentiu. Uma vez. Firme.

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