Dante não havia pisado em casa desde que aterrissou.
Tinha ido direto para o escritório, o paletó jogado em alguma cadeira no caminho, a gola da camisa aberta, os cabelos uma bagunça. Desde então não havia saído dali.
As telas à sua frente exibiam rotas, registros de voo, sistemas de navegação que ele vinha forçando um por um desde a madrugada. Rafael havia sido cuidadoso, mas ninguém era cuidadoso o suficiente para não deixar nenhum rastro.
Os relatórios de Gonçalo estavam espalhados pela mesa, alguns já amassados de tanto serem folheados e refolheados. Os olhos vermelhos de uma noite sem dormir percorriam linhas e números com uma concentração que custava mais a cada hora. A tensão nos ombros havia parado de doer em algum momento da madrugada, o corpo simplesmente havia desistido de reclamar.
Theo estava à sua direita, cruzando em silêncio os dados que Dante conseguia extrair, comparando com os registros que a equipe dele havia levantado do lado de fora. Nenhum dos dois havia falado muito nas últimas horas. Não havia muito a dizer que os números já não estivessem dizendo.
Gonçalo estava encostado na parede do fundo.
Quieto. Imóvel. Com a postura de quem não considera que merece uma cadeira.
A ligação havia chegado às oito e quarenta.
Jorge Menezes queria ser recebido.
Dante havia ficado em silêncio por três segundos antes de dizer que mandasse entrar.
O velho chegou com a bengala e dois homens atrás, como sempre a encenação de poder que ele nunca havia abandonado mesmo quando o poder já não era o que havia sido. Sentou-se sem ser convidado, cruzou as mãos sobre o cabo da bengala e olhou para Dante.
- Eu sei onde ela está - disse, direto, sem preâmbulo.
Dante não se moveu.
- Continue.
- Rafael comprou uma ilha. Registrada em nome de uma empresa fantasma. - Jorge abriu levemente a mão. - Eu tenho homens que trabalham para ele que, no fundo, são leais a mim.
- Então o que o senhor quer em troca?
Ele sabia que o avô não o ajudaria sem exigir um alto preço em troca
Jorge examinou o neto por um momento.
- A fusão da Nexus Tech ao Grupo Menezes. E você na cadeira de CEO.
O silêncio que se seguiu foi denso. Theo olhou para Dante. Gonçalo continuou imóvel na parede.
Dante ficou olhando para o velho durante um longo segundo. E então pensou em Lorena numa ilha que ele não conseguia localizar.
Ele abriu a boca.
A porta do escritório se abriu.
A assistente entrou com a expressão de quem sabe que está prestes a ser demitida.
- Senhor Dante, eu sei que o senhor pediu para não ser interrompido, mas tem um homem na recepção que insiste em ser recebido. Diz que é urgente.
- Manda embora - Dante disse, sem tirar os olhos de Jorge.
- Eu disse isso. Ele disse que o senhor vai querer ouvi-lo.
- Manda…
- Ele disse que é seu pai.
O escritório inteiro parou.
Dante virou o rosto para a assistente devagar.
Theo se levantou.
- Eu cuido disso - disse, já se movendo em direção à porta.
Ele voltou dois minutos depois.
Entrou primeiro. Depois, um homem.
Dante o viu e algo no fundo do peito reconheceu antes que o cérebro tivesse tempo de processar, a linha da mandíbula, a altura, alguma coisa nos olhos esverdeados que era como olhar para um espelho com vinte e cinco anos a mais.
Alexandre Torres entrou no escritório com a postura de quem passou a vida aprendendo a ocupar espaços que tentaram negá-lo. Os cabelos grisalhos, o terno simples, as mãos que carregavam uma pasta fina e uma história que estava guardada há tempo demais.
Ele olhou para Dante primeiro.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia