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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 126

O sol já estava alto quando o cheiro de café chegou ao quarto.

Lorena havia ficado acordada a noite inteira. Ou quase em algum momento antes do amanhecer o corpo havia cobrado seu preço e ela havia caído num sono raso, cheio de sobressaltos, do qual acordava a cada ruído novo. O som das ondas, que não parava, havia deixado de ser paisagem e virado tortura.

Rafael não estava mais na cama quando ela abriu os olhos.

Ela ficou imóvel por um segundo, ouvindo. Vozes na cozinha, ele e alguém, provavelmente um dos homens. O cheiro de café ficou mais forte. Ovos. Pão tostado. O absurdo doméstico daquele cheiro num lugar como aquele fez o estômago de Lorena revirar.

Ela se sentou devagar na beira da cama.

A janela enorme ainda estava lá. A praia, o mar, o sol de manhã que em qualquer outra circunstância seria bonito. Ela procurou com os olhos qualquer coisa, uma embarcação, qualquer sinal de que havia um mundo além daquela ilha.

Havia apenas água.

- Bom dia, amor.

Rafael apareceu na porta do quarto com uma bandeja nas mãos e aquele sorriso, o sorriso que ela havia amado um dia e que agora tinha o efeito de um alarme disparando no fundo do peito.

Ele entrou como se fosse a coisa mais natural do mundo, abriu as cortinas com um gesto largo, deixando o sol invadir o quarto, e se virou para ela com a satisfação de quem está exatamente onde quer estar.

- Vem, o café da manhã está pronto.

Lorena o seguiu porque não havia alternativa.

A mesa estava posta com um cuidado que gelava, frutas cortadas, sucos, ovos, pão fresco, uma jarra de café fumegando no centro. Rafael havia cozinhado. Ou mandado cozinhar. O resultado era o mesmo a performance de uma normalidade que não existia.

Ele puxou a cadeira para ela.

Lorena sentou.

- Acho que vi alguém ontem - disse, antes que ele se acomodasse. - Enquanto não estava completamente consciente. Acho que era a Nina.

Rafael não desviou o olhar enquanto servia o café.

- Era. - A voz era leve, casual, como quem confirma algo sem importância. - Ela está numa das casas de hóspedes.

- Rafael…

- Não se preocupe, ela não vai aparecer na sua frente. - Ele colocou a xícara à frente dela. - Sei que você ficaria brava. E assim que o bebê nascer ela some da nossa vida para sempre. Simples.

Lorena respirou fundo.

- Rafael. - Ela escolheu as palavras com cuidado, o tom neutro, o tipo de voz que se usa com alguém que está à beira de um precipício. - Você precisa pensar no que está fazendo. Isso é sequestro. Você está segurando duas mulheres contra a vontade numa ilha isolada, uma delas grávida. Isso não tem volta. Você vai…

- Come. - Ele empurrou o prato de frutas em direção a ela com um sorriso paciente. - Você não comeu nada desde ontem.

- Não estou com fome.

- Lorena.

O nome saiu com uma entonação específica. Não era ameaça aberta, era o aviso de que a conversa tinha um limite e ela estava se aproximando dele.

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