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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 14

O silêncio que ficou depois que Rafael saiu era ensurdecedor.

Lorena permaneceu alguns segundos parada no mesmo lugar, como se o corpo ainda esperasse outra explosão, outro golpe - não físico, mas emocional. O coração batia rápido demais, descompassado, como se tivesse sido abandonado no meio de uma corrida.

Foi o gerente quem a encontrou.

Ele se aproximou com cautela, o constrangimento visível no rosto. Não perguntou nada. Não pediu explicações. Apenas pediu que ela o acompanhasse até a pequena sala administrativa.

Ali, longe dos olhos curiosos, ele colocou um envelope sobre a mesa.

- Você não precisa voltar amanhã - disse, com uma gentileza quase desconcertante.

Lorena abriu o envelope com os dedos trêmulos.

Um cheque. Um valor maior do que o que ela esperava receber por semanas de trabalho.

- Isso é… - ela começou.

- Um pedido de desculpas - interrompeu ele. - Pelo que aconteceu aqui. Infelizmente temos que encerrar seu contrato.

Ela assentiu, incapaz de dizer algo. As palavras pareciam todas erradas.

Quando saiu do hotel, não foi em direção a lugar nenhum.

A noite estava fria. O vento soprava forte entre os prédios, bagunçando seus cabelos, cortando a pele. Lorena caminhou sem rumo, esperando que o ar gelado entrasse nos pulmões e apagasse as imagens que insistiam em voltar.

Rafael.

Nina.

Os dois juntos.

Agora não havia mais dúvidas, não havia mais justificativas possíveis.

A traição não era só emocional.

Era física também.

Ela andou por quadras inteiras, ignorando o cansaço, ignorando o peso nos pés, ignorando o vazio crescente dentro do peito. O mundo seguia funcionando ao redor dela - carros passando, pessoas rindo, vitrines acesas - como se nada tivesse acabado de ruir.

Enquanto andava sem rumo, um veículo escuro parou ao seu lado. O vidro desceu lentamente.

Lorena não olhou de imediato. Apenas sentiu.

O tipo de presença que altera a pressão do ar.

Ela reconheceu o rosto antes mesmo de organizar o desconforto que subia pela espinha.

Dante Menezes.

Primo de Rafael. Seu inimigo declarado.

A luz dos postes desenhava ângulos firmes no rosto dele. Lorena engoliu em seco. Aquele era o homem que Rafael descrevia como "perigoso". O primo que "fez fortuna com métodos sujos no exterior". O neto ilegítimo que voltou para acertar contas com a família.

O maxilar era marcado, duro, como se esculpido para suportar pressão. O corpo largo ocupava o banco do motorista com naturalidade - ombros fortes sob o terno escuro, músculos aparentes mesmo na camisa social, mãos grandes apoiadas no volante com controle absoluto. As mesmas mãos que, segundo Rafael, haviam destruído concorrentes sem piedade.

O cabelo, um pouco mais comprido do que o aceitável para o padrão impecável dos Menezes, caía de forma propositalmente desalinhada sobre a testa, como se ele não se importasse em parecer perfeitamente polido.

Ele não perguntou se ela estava bem. Não perguntou o que havia acontecido. Não fingiu preocupação.

Dante nunca fingia.

A voz saiu baixa, firme, carregada de uma autoridade que não precisava ser elevada:

- Entra no carro.

Não era um convite.

O carro arrancou com suavidade demais para o caos que pulsava dentro dela.

Lorena manteve os olhos fixos na rua, mas a presença dele ocupava todo o espaço. Os dedos longos batiam levemente no volante, num ritmo calmo, controlado. As mãos grandes, calejadas, que construíram um império do zero. Rafael dizia que ele usou de tudo, para chegar onde chegou. Será que era verdade?

- Se isso for algum tipo de espetáculo familiar, eu não estou com disposição.

- Espetáculo? - Dante soltou um riso baixo. O som fez os ombros largos se moverem ligeiramente. - Não. Isso foi um colapso anunciado.

Ela virou o rosto lentamente. A luz do painel iluminava metade do rosto dele, deixando a outra metade na sombra. O contraste tornava a expressão ainda mais indecifrável. E perigosa.

O silêncio ficou denso.

- Não quero saber - ela disse, fria. - Pode me levar para algum lugar movimentado, eu vou embora sozinha.

Ele não respondeu de imediato.

Em vez disso, tirou o celular do bolso.

- Antes de decidir onde vai - disse, a voz calma demais - quero te mostrar uma coisa.

Ele passou o celular para ela.

A tela estava escura por um segundo. Depois, o vídeo começou.

Lorena sentiu o ar faltar.

Era o jardim do restaurante. A câmera, posicionada em algum lugar elevado, mostrava tudo com clareza cruel.

Nina. Ela mesma. Lorena. O momento em que Nina se aproximou. A mão dela nas costas de Lorena. A aproximação. O sussurro no ouvido. E então… o tombo.

Nina se jogando.

Sozinha.

Sem ninguém tocando nela.

O vídeo não deixava dúvidas.

- Isso… - Lorena mal conseguiu sussurrar.

- É a prova de que você não fez nada - Dante completou. - Posso mandar para quem você quiser. Polícia. Imprensa. Advogados. Até para o Rafael, se preferir.

Lorena devolveu o celular com mãos trêmulas.

- Como você tem isso?

- Porque eu sempre tenho olhos onde ele está. - A resposta veio simples. Direta.

Ela desviou o olhar para a janela.

As luzes da cidade passavam como estrelas cadentes.

- Você quer limpar seu nome? - ele perguntou. - É só pedir.

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