O bar estava barulhento.
Risadas altas. Copos tilintando. Mesa de bilhar ocupada. Música suficiente para tornar conversas privadas invisíveis.
Dante entrou como se o ambiente fosse extensão dele.
Um dos amigos levantou a cabeça.
- E aí? Como foi o show?
Outro franziu o cenho.
- Que show? Não tem nada grande na cidade hoje.
Dante tirou o paletó com calma, apoiando-o na cadeira.
- Tinha, sim - respondeu, pegando um copo. - Só que era exclusivo.
- Exclusivo?
Ele deu um meio sorriso.
- Ingresso VIP.
Os dois amigos se entreolharam.
Theo, que já observava em silêncio, balançou a cabeça.
- Vocês dois, joguem. - apontou para a mesa de bilhar. - Deixem o artista descansar.
Eles riram, voltando para o jogo.
Theo se aproximou.
- E então?
- Ele é o mesmo idiota de sempre, nem precisei fazer nada.
- Isso é tudo?
Dante arqueou uma sobrancelha.
- Você esperava que eu a pedisse casamento?
Eles se afastaram para um canto mais reservado do bar.
Theo cruzou os braços.
- Você tem certeza que agora ela vai deixar ele?
Dante não respondeu imediatamente. Pegou o copo. Girou o líquido âmbar devagar.
- Não sei.
- Depois de hoje?
- Eu espero que sim. - A voz saiu mais baixa. - Mas a decisão é dela.
Theo o observou com atenção.
- Você nunca foi paciente.
- Eu nunca tive motivo para ser.
Houve um silêncio.
Por um instante, o semblante de Dante mudou.
Pensativo.
Ele lembrou do brilho nos olhos dela naquela noite. Não o de adorno.
O outro.
O que existia antes.
Aquele brilho o puxou para trás por alguns segundos - para um tempo que ele não mencionava, nem mesmo para Theo.
Ele piscou e voltou ao presente.
- Se ela escolher ficar, eu saio do caminho.
Theo soltou uma risada desacreditada.
- Mentira.
Dante não sorriu.
- Talvez.
Na manhã seguinte
O escritório do Grupo Menezes estava em silêncio absoluto.
O silêncio de quando todos sabem que o chefe está de péssimo humor.
Rafael encarava a xícara de café como se ela fosse responsável por algo.
Mais uma noite sem dormir.
O maxilar travado.
A gravata ligeiramente torta - detalhe raro.
A porta abriu.
Nelson entrou com cautela.
- Resolveu o assunto que pedi ontem à noite? - Rafael perguntou sem levantar os olhos.
Nelson hesitou.
- Tivemos alguns… contratempos.
O olhar de Rafael subiu lentamente.
- Como assim?
- As imagens foram retiradas antes mesmo de você deixar o hotel.
Silêncio.
- Retiradas?
- Não há mais nenhuma gravação. Nem do restaurante, nem das redondezas. Câmeras apagadas. Servidores limpos.
Rafael não precisou perguntar quem.
A pergunta seguinte foi quase automática:
- O que mais ele fez?
Nelson respirou fundo.
- Talvez tenha encontrado a Lorena.
A xícara de café extra forte foi esmagada contra a mesa antes que Nelson terminasse a frase.
O som da porcelana quebrando ecoou na sala.
- Como foi que deixaram ele se aproximar dela?
- Ela saiu andando sem rumo depois de falar com o gerente. Nosso pessoal estava seguindo. Pedestres e carros monitorados. Mas… - Nelson fez uma pausa desconfortável - um grupo de corredores bloqueou a passagem, alguns carros causaram um pequeno engarrafamento. Quando conseguimos reorganizar a equipe, ela já tinha desaparecido.
Rafael estava lívido.
- Quanto tempo?
- Quarenta minutos.
Quarenta.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia