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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 15

O bar estava barulhento.

Risadas altas. Copos tilintando. Mesa de bilhar ocupada. Música suficiente para tornar conversas privadas invisíveis.

Dante entrou como se o ambiente fosse extensão dele.

Um dos amigos levantou a cabeça.

- E aí? Como foi o show?

Outro franziu o cenho.

- Que show? Não tem nada grande na cidade hoje.

Dante tirou o paletó com calma, apoiando-o na cadeira.

- Tinha, sim - respondeu, pegando um copo. - Só que era exclusivo.

- Exclusivo?

Ele deu um meio sorriso.

- Ingresso VIP.

Os dois amigos se entreolharam.

Theo, que já observava em silêncio, balançou a cabeça.

- Vocês dois, joguem. - apontou para a mesa de bilhar. - Deixem o artista descansar.

Eles riram, voltando para o jogo.

Theo se aproximou.

- E então?

- Ele é o mesmo idiota de sempre, nem precisei fazer nada.

- Isso é tudo?

Dante arqueou uma sobrancelha.

- Você esperava que eu a pedisse casamento?

Eles se afastaram para um canto mais reservado do bar.

Theo cruzou os braços.

- Você tem certeza que agora ela vai deixar ele?

Dante não respondeu imediatamente. Pegou o copo. Girou o líquido âmbar devagar.

- Não sei.

- Depois de hoje?

- Eu espero que sim. - A voz saiu mais baixa. - Mas a decisão é dela.

Theo o observou com atenção.

- Você nunca foi paciente.

- Eu nunca tive motivo para ser.

Houve um silêncio.

Por um instante, o semblante de Dante mudou.

Pensativo.

Ele lembrou do brilho nos olhos dela naquela noite. Não o de adorno.

O outro.

O que existia antes.

Aquele brilho o puxou para trás por alguns segundos - para um tempo que ele não mencionava, nem mesmo para Theo.

Ele piscou e voltou ao presente.

- Se ela escolher ficar, eu saio do caminho.

Theo soltou uma risada desacreditada.

- Mentira.

Dante não sorriu.

- Talvez.

Na manhã seguinte

O escritório do Grupo Menezes estava em silêncio absoluto.

O silêncio de quando todos sabem que o chefe está de péssimo humor.

Rafael encarava a xícara de café como se ela fosse responsável por algo.

Mais uma noite sem dormir.

O maxilar travado.

A gravata ligeiramente torta - detalhe raro.

A porta abriu.

Nelson entrou com cautela.

- Resolveu o assunto que pedi ontem à noite? - Rafael perguntou sem levantar os olhos.

Nelson hesitou.

- Tivemos alguns… contratempos.

O olhar de Rafael subiu lentamente.

- Como assim?

- As imagens foram retiradas antes mesmo de você deixar o hotel.

Silêncio.

- Retiradas?

- Não há mais nenhuma gravação. Nem do restaurante, nem das redondezas. Câmeras apagadas. Servidores limpos.

Rafael não precisou perguntar quem.

A pergunta seguinte foi quase automática:

- O que mais ele fez?

Nelson respirou fundo.

- Talvez tenha encontrado a Lorena.

A xícara de café extra forte foi esmagada contra a mesa antes que Nelson terminasse a frase.

O som da porcelana quebrando ecoou na sala.

- Como foi que deixaram ele se aproximar dela?

- Ela saiu andando sem rumo depois de falar com o gerente. Nosso pessoal estava seguindo. Pedestres e carros monitorados. Mas… - Nelson fez uma pausa desconfortável - um grupo de corredores bloqueou a passagem, alguns carros causaram um pequeno engarrafamento. Quando conseguimos reorganizar a equipe, ela já tinha desaparecido.

Rafael estava lívido.

- Quanto tempo?

- Quarenta minutos.

Quarenta.

Dois dias sentindo que algo que sempre fora dele estava escapando por entre os dedos.

- Se você quer sua mulher de volta, deixe que ela sinta a ausência - Nelson continuou. - Não a pressão. E se não quer que o Dante tenha espaço, não dê a ele o papel de salvador.

Isso fez Rafael ficar imóvel.

Salvador.

A palavra o atingiu como um soco.

- Mas ela tem que voltar para casa - ele disse, baixo, quase para si. - Não importa como.

Nelson inclinou a cabeça, avaliando.

- Então faça ela querer voltar. Não obrigue.

O silêncio se instalou.

Lá fora, o vidro espelhado refletia a cidade inteira aos pés deles.

- Siga seu plano inicial - Nelson continuou, mais frio agora. - Deixe a realidade trabalhar por você. Luxo vicia. Conforto molda. Ela nunca precisou lutar por um salário mínimo, nunca precisou ouvir cliente mal-educado o dia inteiro. O cansaço corrói idealismo.

Rafael sabia disso.

Ele já tinha previsto uma “birra”. Uma revolta temporária. Nada que alguns dias não resolvessem.

O problema foi o tempo.

O bebê não estava em seus braços.

Nina ainda estava aqui.

E Dante…

Dante estava se movendo.

- Eu sei que ela vai voltar - Rafael afirmou, convicto. Mas o coração falhou uma batida. - Ela vai.

Nelson observou o amigo por alguns segundos longos demais.

Então um sorriso lento, quase imperceptível, surgiu em seus lábios.

- Talvez a gente só precise… ajustar as circunstâncias.

Rafael ergueu o olhar.

- Que tipo de ajuste?

Nelson caminhou até a mesa, pegou o celular e girou entre os dedos.

- Pequenas dificuldades. Pequenos inconvenientes. Nada que a machuque. Só… lembretes de que o mundo lá fora não é tão gentil quanto você foi.

Os olhos de Rafael escureceram.

Ele não perguntou detalhes.

Não precisava.

- Faça com que ela sinta - Nelson concluiu - que fora da sua proteção tudo é instável.

O silêncio que se seguiu não era dúvida.

Era uma decisão.

Rafael vestiu o terno novamente, alinhando os ombros.

- Ninguém toca nela.

- Claro que não - Nelson respondeu. - Nós só vamos… reorganizar o cenário.

Dois homens.

Um plano.

E, em outro ponto da cidade, uma mulher que não fazia ideia de que o chão sob seus pés estava prestes a começar a ceder.

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