O restaurante italiano ficava em uma esquina movimentada do centro.
Luzes amareladas pendiam do teto, as mesas eram cobertas por toalhas brancas e velas pequenas tremulavam sobre os toalhas. O cheiro de alho, tomate e manjericão tomava conta do ambiente, o tipo de lugar que convidava a ficar por horas, entre taças de vinho e conversas que se alongavam.
Dante entrou com Theo e os desenvolvedores, escolheu uma mesa estrategicamente posicionada. Não muito perto da mesa de Lorena. Não muito longe. Apenas o suficiente para observar.
Os olhos dele encontraram a esposa imediatamente.
Ela estava sentada ao fundo, cercada pelos amigos. Aline à sua direita, outros rostos conhecidos espalhados ao redor. E, do outro lado da mesa, de frente para ela…
Bruno.
Dante apertou a mandíbula.
- Relaxa - Theo murmurou, ao lado. - Você está aqui por causa do "projeto novo". Lembra?
- Estou relaxado.
- Seu maxilar está tão travado que parece que vai trincar.
Dante não respondeu.
Lorena, por sua vez, estava adorando a noite.
O vinho era bom. A companhia, melhor. Aline não parava de contar histórias da faculdade - casos de professores, noites de estudo, aquela vez que alguém dormiu na biblioteca e acordou com a faxina.
- E aquela prova de Direito Penal? - Aline lembrou, rindo. - Ninguém tirou nota boa, só você.
- Eu estudei.
- Você nasceu sabendo.
Lorena riu. Os olhos brilhavam.
- Sei que fui chata, pode falar.
- Chata? - Beto interveio, do outro lado. - Você era uma máquina. Anotava tudo, respondia antes do professor terminar a pergunta.
- Você estudou comigo? - Aline perguntou, curiosa.
- Era da turma da noite. Mas todo mundo conhecia a Lorena. - Beto deu de ombros. - A aluna que todo professor elogiava.
- Não me deixem mais orgulhosa do que já estou - Lorena brincou, servindo mais vinho.
Bruno a observava.
Não falava muito, mas o olhar acompanhava cada movimento dela. O jeito de rir, de mexer nas alças da bolsa, de virar o cabelo para trás dos ombros.
- E você, Bruno? - Aline perguntou, puxando-o para a conversa. - O que tem feito?
- Advogo. Por conta própria. - Ele encolheu os ombros. - Nada de mais.
- Nada de mais? - Beto riu. - O cara ganhou três causas contra o governo. Saiu até nos jornais.
- Coincidência.
- Modéstia - Aline completou. - O Bruno sempre foi modesto.
Lorena olhou para ele.
Os olhos dela encontraram os dele.
- Fico feliz por você - disse, sincera.
Bruno sustentou o olhar por um segundo.
- O importante é que você está bem.
O silêncio na mesa durou um segundo.

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