A silhueta que surgiu no fundo do corredor era imponente. O terno escuro, os ombros largos, a postura. Dante parecia ainda maior naquele espaço apertado, as luzes baixas do restaurante criando sombras que alongavam sua figura.
Lorena o viu primeiro.
- Dante? - Ela piscou, confusa. - O que você está fazendo aqui?
Ele demorou um segundo para responder.
Os olhos dele passaram por Bruno antes de pousarem nela.
- Eu… vim lavar as mãos. - A voz saiu um pouco mais alta do que o normal.
Lorena franziu a testa.
- Ah, certo. Estamos em um jantar. Discutindo o novo projeto.
- Que coincidência - ela disse, um sorriso desconfiado surgindo no canto da boca.
- Pois é. - Dante deu de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo. - O Theo escolheu o lugar.
Bruno observava os dois em silêncio.
- Você deve ser o Dante - disse, estendendo a mão. - Bruno. Colega de faculdade da Lorena.
Dante apertou a mão.
- Prazer.
O aperto foi firme. Profissional. O tempo exato para não parecer rude. Nem um segundo a mais.
- Vou voltar para a mesa - Bruno disse, com um aceno educado. - Foi um prazer conhecer você.
Dante apenas assentiu.
Bruno se afastou.
O corredor ficou com os dois.
- Tudo bem? - Lorena perguntou, tocando o braço dele. - Seu rosto está um pouco vermelho.
Dante levou a mão ao pescoço, disfarçando.
- Ah… eu comi algo apimentado.
A mentira era frágil. Mas Lorena não questionou.
Apenas sorriu.
- Você está se divertindo? - ele perguntou, a voz mais suave agora.
- Sim. Faz tanto tempo que não encontrava com eles. - Ela estava iluminada, os olhos brilhando, o sorriso solto. - Está sendo muito bom.
Dante sentiu o peito se aquecer.
- Então vai lá - disse. - A gente se encontra na saída. Eu te levo para casa.
Ela voltou para a mesa, os passos leves, o coração quente.
Dante ficou ali, observando a esposa se afastar.
O corredor estava vazio.
Ele respirou fundo.
Ela está feliz, pensou. E isso é tudo o que importa.
O jantar terminou horas depois.
Dante estava esperando por Lorena em frente ao restaurante, encostado no carro, os braços cruzados, a postura relaxada de quem não tem pressa. A luz do poste desenhava sombras no rosto dele, destacando a linha da mandíbula e o contorno dos ombros largos sob o paletó escuro.
Lorena saiu com os amigos, ainda rindo de alguma coisa que Aline tinha dito.
- Esse é o Dante - ela disse, fazendo as apresentações. - Meu marido.
Dante cumprimentou cada um com aperto de mãos firme e um sorriso educado. Não demorou muito, não se alongou em conversas. Apenas o suficiente para ser cortês.
Foi quando Lorena percebeu.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia