Os dois dias seguintes do congresso foram um sucesso.
Lorena participou de todas as palestras, anotou cada insight, trocou contatos com profissionais da área. A cada nova informação, seus olhos brilhavam um pouco mais. A cada debate, sua voz ficava mais segura.
Dante percebeu.
Ele a acompanhava de longe, pelas mensagens que ela enviava entre uma palestra e outra, pelas ligações rápidas no intervalo do almoço, pelo tom de animação que não saía da voz dela.
- Aquele artigo sobre IA e responsabilidade civil foi incrível - ela disse, na segunda noite, já em casa, os olhos ainda brilhando. - O palestrante citou um caso recente que é exatamente o tipo de coisa que me faz querer estudar mais.
- Você pode.
- Eu deveria ter feito a pós, naquela época ganhei uma bolsa. - Ela suspirou, um sorriso nostálgico no rosto. - Acho que naquela época eu tinha desistido de mim, mesmo sem perceber.
Dante não respondeu.
Apenas segurou a mão dela.
Enquanto Lorena vivia o auge do congresso, Dante pedia a Theo para pesquisar.
- Quero saber o que é preciso para abrir um escritório de advocacia.
Theo ergueu a sobrancelha.
- Como assim? Vai abrir um escritório de advocacia? - Theo parecia confuso até lembrar. - Ah, já entendi. É para a esposa.
- Se ela não tivesse abdicado da sua carreira… ela realmente ama o direito. Você precisa ver como o rosto dela se ilumina.
- Você já pensou em falar com ela? Gerir um escritório novo de advocacia não é tão simples. Ela está há muitos anos fora do mercado. Talvez começar em outro escritório…
- Eu só pedi pra você pesquisar.
Theo suspirou.
No último dia do congresso, Lorena voltou para casa radiante.
- Dante! - chamou, ainda no corredor, a bolsa balançando no ombro, o sorriso tão largo que iluminava o rosto.
Ele estava no escritório, os dois monitores à sua frente cheios de códigos. Levantou os olhos.
- Você já chegou? Por que não me avisou que tinha terminado?
- O jantar de despedida foi breve. A Aline tem um julgamento amanhã. - Lorena deu a volta na mesa e sentou no colo do marido. - Mas escuta a novidade. Bruno me convidou para trabalhar com ele.
O silêncio que se seguiu foi breve. Apenas um segundo. Mas Lorena sentiu.
- Você lembra dele, não é? - ela continuou, ainda animada, sem perceber a hesitação dele. - O escritório dele ainda é pequeno, mas está em ascensão.
Dante tentou sorrir.
- Que bom.
O sorriso dela vacilou por um segundo.
- É uma oportunidade incrível.
- É.
- Você está feliz por mim?
- Claro que estou.
Ela o observou por um momento, os olhos percorrendo o rosto dele.

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