Dante decidiu passar uns dias fora.
Uma viagem de negócios, disse. Negociações com fornecedores no exterior. Lorena não questionou. Ajudou a fazer a mala, escolheu as roupas, dobrou as camisas com o capricho de sempre.
- Quantos dias? - perguntou, enquanto fechava a mala.
- Uma semana, talvez.
Ele continuou dobrando o passaporte sem olhar para ela.
Lorena franziu a testa.
Normalmente, Dante falava de viagens como uma criança falando de férias. Contava horários, mostrava reservas, reclamava do avião antes mesmo de embarcar.
Dessa vez, parecia apenas querer ir embora.
A frieza começou ali.
Nos primeiros dias, Lorena tentou manter a rotina. Mandava bom dia, perguntava como estava a viagem, enviava fotos das coisas que via no caminho para o trabalho.
Dante respondia com "hum", "ok", "bom".
Monossílabos.
Nunca iniciava uma conversa. Nunca perguntava como ela estava. Nunca contava o que tinha visto, o que tinha comido, se estava com saudade.
Antes, ele ligava à toa. Só para ouvir a voz dela. Só para compartilhar um arco-íris que tinha visto no horizonte. Só para perguntar se ela já tinha almoçado.
Agora, o silêncio.
Lorena olhava para o celular, esperando.
Nada.
No terceiro dia, ela ligou.
- Alô?
- Oi - disse ela, animada. - Como estão as coisas por aí?
- Correndo.
- Conseguiu fechar o contrato?
- Ainda não.
Uma pausa.
- Você está bem? - perguntou ela.
- Estou.
- Parece cansado.
- É o fuso.
Outra pausa.
- Estou sentindo sua falta - confessou.
O silêncio do outro lado durou um segundo. Depois outro.
- Preciso ir. A reunião vai começar.
- Dante…
- Depois a gente se fala.
Ele desligou.
Lorena ficou com o telefone na mão, ouvindo o som da linha vazia.
O que está acontecendo?
No quarto dia, ela mandou uma mensagem.
Lorena: Bom dia. Dormiu bem?
A resposta veio duas horas depois.
Dante: Sim.
Ela esperou mais alguma coisa. Não veio.
No quinto dia, a saudade apertou. Ela ligou de novo.
- Oi - disse.
- Oi.
- Consegue falar um pouco?
- Tô no meio de uma reunião.
- Ah, desculpa. Depois você me liga?
- Hum.
Ele não ligou.
Naquela noite, Lorena jantou sozinha. A mesa estava posta para um. O vinho na taça. A comida quente. O silêncio.
É assim que começa? pensou. O silêncio. A distância. A falta de vontade.
Ela já tinha visto esse filme antes. Com Rafael, o silêncio tinha vindo acompanhado de controle, de ciúmes, de noites em claro esperando ele voltar para casa.
No sexto dia, Lorena já não dormia direito.
Ela adormecia exausta e acordava uma hora depois, procurando o celular no escuro.
Nenhuma mensagem.
Nenhuma ligação.
Nenhuma explicação.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia