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Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia romance Capítulo 159

O corredor do hospital era um túnel branco e silencioso.

Dante estava sentado em uma das cadeiras encostadas na parede, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas diante do rosto.

A camisa continuava manchada de sangue.

Sangue de Lorena.

Ele não havia trocado de roupa.

Não tinha conseguido.

Desde que a ambulância chegara ao hospital, sentia como se qualquer passo para longe dela fosse uma traição.

Os médicos o haviam retirado da sala de emergência.

- O senhor precisa esperar aqui.

Ele não discutiu.

Não tinha forças para isso.

Sentou-se.

E esperou.

Os minutos passaram devagar.

Lentos demais.

Cada vez que uma porta se abria, seu coração disparava.

Cada vez que um médico atravessava o corredor, ele se levantava antes de perceber.

Nenhum deles vinha falar com ele.

Nenhum deles trazia notícias de Lorena.

Theo chegou primeiro.

- Dante.

Ele ergueu os olhos.

Theo parou diante dele.

Pela primeira vez em muitos anos, parecia não saber o que dizer.

- Os médicos falaram alguma coisa?

Dante balançou a cabeça.

- Nada.

Theo sentou ao seu lado.

- Ela é forte.

O silêncio respondeu por Dante.

Porque força não significava nada.

Não quando ele ainda conseguia ver o corpo dela sendo lançado contra o carro.

Não quando ainda conseguia ouvir o som do impacto.

Clara chegou alguns minutos depois.

Trazia dois cafés nas mãos.

Entregou um deles a Dante.

- Toma.

Ele aceitou.

O copo quente ficou entre seus dedos.

Mas não bebeu.

Apenas segurou.

Como se precisasse de algo para impedir as mãos de tremerem.

- Ela salvou sua vida - Clara disse baixinho.

Dante fechou os olhos.

A frase atingiu em cheio.

Porque era verdade.

Mais uma vez.

Mais uma vez Lorena tinha se colocado entre ele e a morte.

E ele tinha passado a última semana duvidando dela.

A culpa apertou seu peito.

Forte.

Pesada.

Insuportável.

A porta da emergência se abriu.

Dante já estava de pé antes mesmo de perceber.

A cadeira arrastou pelo chão.

Theo se levantou.

Clara prendeu a respiração.

O médico retirou a máscara enquanto caminhava em direção a eles.

Por um segundo, ninguém falou nada.

Aquele segundo pareceu durar uma eternidade.

Dante percebeu que estava tremendo.

As mãos.

As pernas.

Até a respiração.

Como se seu corpo inteiro estivesse aguardando uma sentença.

- Senhor Menezes?

Ele assentiu.

- Sua esposa está fora de perigo.

O mundo voltou a existir.

O ar entrou nos pulmões de uma só vez.

As pernas quase cederam.

Dante passou a mão pelo rosto.

Não percebeu quando os olhos se encheram de lágrimas.

Só percebeu que conseguia respirar outra vez.

- Ela vai ficar bem?

A voz saiu quebrada.

O médico sorriu.

- Vai.

O nó na garganta de Dante quase o sufocou.

- Ela sofreu uma fratura na perna e alguns ferimentos superficiais. Também bateu a cabeça, mas os exames não mostram nenhuma lesão interna grave.

Ele continuou explicando.

Falou sobre observação.

Recuperação.

Repouso.

Dante ouviu apenas uma coisa.

Ela vai ficar bem.

Nada mais importava.

O quarto estava silencioso.

A luz suave do fim da noite entrava pela janela.

Lorena parecia pequena naquela cama.

Pequena demais.

Frágil demais.

O curativo na testa.

Os arranhões.

A perna imobilizada.

Cada detalhe era um lembrete doloroso do que havia acontecido.

Dante sentou-se ao lado dela.

Segurou sua mão.

E esperou.

Laura e Jonas chegaram pouco depois.

Laura começou a chorar assim que viu a filha.

Jonas a abraçou pelos ombros.

Tentando ser forte pelos dois.

- Ela vai ficar bem - Dante repetiu.

Mais para si mesmo do que para eles.

- O médico garantiu.

Jonas apertou seu ombro.

Um gesto simples.

Mas carregado de gratidão.

Alexandre chegou algum tempo depois.

Observou Lorena em silêncio.

Os olhos demoraram nela.

Depois pousaram em Dante.

- Ela é uma lutadora.

Dante concordou.

Porque não existia palavra melhor para defini-la.

As horas passaram.

Lentas.

Até que aconteceu.

Um movimento.

Pequeno.

Quase imperceptível.

Os dedos de Lorena se moveram.

Dante ergueu a cabeça imediatamente.

Os olhos estavam fixos nela desde que haviam chegado ao quarto.

Por isso percebeu antes de qualquer outra pessoa.

Os cílios estremeceram.

Depois outra vez.

Então os olhos se abriram.

Confusos.

Pesados.

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