Na manhã seguinte, a luz do sol atravessava as persianas do quarto do hospital, desenhando faixas douradas sobre o lençol branco.
Lorena estava acordada.
A dor ainda existia, mas já não parecia tão esmagadora quanto na noite anterior.
Dante continuava sentado na cadeira ao lado da cama.
Dormira pouco.
Talvez nem tivesse dormido.
Quando a porta se abriu, Theo entrou carregando uma sacola de papel.
- Trouxe roupas pra você, a situação já está crítica. - Ele apontou para as roupas ainda manchadas de Dante.
Dante ergueu uma sobrancelha.
- Situação crítica?
- Você está usando a mesma camisa há quase dois dias.
Theo estendeu a sacola.
- Roupa limpa. Desodorante. Escova de dentes. Itens básicos de sobrevivência.
Dante pegou a sacola.
- Obrigado.
- Não agradeça. Eu fiz isso por mim. Mais algumas horas e ninguém conseguiria ficar no mesmo quarto que você.
Lorena soltou uma risada.
A primeira desde o acidente.
Theo apontou para ela.
- Viu? Ela entendeu a piada.
- Vocês dois são insuportáveis - Dante murmurou.
- Sua saúde está perfeita. Já voltou a reclamar.
Theo então abriu a pasta que trazia debaixo do braço.
- E tenho uma novidade. - Theo fingiu analisar os documentos.- Chegou um contrato para distribuição de um dos nossos softwares. Presidente, o senhor gostaria de ir assinar pessoalmente?
Ele sorriu
- Acho que exige uma viagem de pelo menos uma semana.
Lorena imediatamente levou a mão à boca para esconder o sorriso.
Dante ficou vermelho.
Vermelho de verdade.
A vergonha subiu pelo pescoço, pelas bochechas, queimando a pele. Cada vez que pensava na viagem que inventara para fugir depois daquela foto, sentia o estômago se revirar.
- Theo...
- Sim, chefe?
- Cala a boca.
- Só estou oferecendo oportunidades de crescimento para a empresa.
- Cala a boca.
- Certo.
Theo levantou as mãos em rendição.
Mas o sorriso desapareceu logo depois.
O humor deixou seu rosto.
Dante percebeu na mesma hora.
- O que aconteceu?
Theo respirou fundo.
- Tem mais uma coisa. Recebemos o relatório da polícia.
O quarto ficou silencioso.
- O culpado pelo atropelamento foi Rafael.
O coração de Dante pareceu falhar uma batida.
- Ele tinha saído da prisão em liberdade condicional há dois dias.
Theo pousou a pasta sobre a mesa.
- E aparentemente ele planejou… Te eliminar.
- Planejou?
- Ele descobriu o horário do voo, estava esperando por você.
Lorena sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
- Então não foi um acidente...
- Não.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ele Teve um Filho com Outra - Casei com o CEO que Ele Odeia